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Auxílio de R$ 150 não compensa perdas de 43% dos beneficiários, diz estudo

auxílio emergencial  - Marcello Casal Jr/Agência Brasil
auxílio emergencial Imagem: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Andréia Martins

Do UOL, em São Paulo

08/04/2021 10h19

Cerca de 43% dos beneficiários que receberão parcelas de R$ 150 da nova rodada do auxílio emergencial não terão suas perdas compensadas. Com o auxílio de R$ 250, a maior parte dos estados têm perdas de renda compensadas. Já com um pagamento de R$ 375, há ganhos para todas as unidades federativas. Essa é a conclusão de um levantamento do Centro de Estudos em Microfinanças e Inclusão Financeira (Cemif) da FGV, feito pelos pesquisadores Lauro Gonzalez e Leonardo Oliveira.

O estudo, obtido pelo UOL, foi feito considerando as projeções de que 20 milhões de pessoas que compõe uma família unipessoal receberão as parcelas de R$ 150, outras 16,7 milhões (famílias de duas ou mais pessoas) terão direito ao benefício de R$ 250 e 9,3 milhões de mulheres são a única provedora da família receberão as parcelas de R$ 375.

Na avaliação dos dados sobre a perda/ganho de renda por Unidade Federativa (UF), no caso do auxílio de R$ 150, não haverá compensação suficiente para grande maioria dos estados. Os poucos que registram ganhos são das regiões norte e nordeste, "ressaltando o fato que os efeitos do AE (auxílio emergencial) são assimétricos e refletem a desigualdade regional do país", escrevem os pesquisadores.

No recorte por gênero, no pagamento de R$ 150, o estudo apurou que mesmo com o benefício há uma perda de renda de 2% para os homens e de 4% para as mulheres. Com relação àqueles que receberão uma parcela de R$ 250, há ganhos de 10% e 9% para homens e mulheres, respectivamente. Nesse recorte, mulheres perdem mais com a ausência do auxílio.

O auxílio emergencial de 2021 vem em formato reduzido, tanto em valor - R$ 43 bilhões agora contra R$ 293 bilhões em 2020 - quanto em público alcançado - 45,6 milhões de pessoas agora contra 68 milhões anteriormente.

Mesmo menor que o valor pago no ano passado, os pesquisadores avaliam que o auxílio ainda tem um efeito geral positivo comparado à renda pré-pandemia: agrega mais 17% de renda para homens e 19% para mulheres. Sem o auxílio, as perdas de renda são de 20% e 29%, respectivamente.

O calendário de pagamento do auxílio, iniciado em 6 de abril, segue o mês de nascimento dos beneficiários. A primeira parcela será paga ao longo de abril, até dia 30, quando receberá quem nasceu em dezembro. No total, serão quatro parcelas.