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Associação de shoppings pede rodízio de lockdown com indústria e construção

Karin Salomão

Do UOL, de São Paulo, SP

17/05/2021 04h00

A Abrasce, Associação Brasileira de Shopping Centers, pede ao governo novas medidas de proteção para o setor e um rodízio entre diversos setores no caso de novos fechamentos e lockdowns.

"Pedimos que, caso venha a terceira onda e haja a necessidade de novos fechamentos nos estados e municípios, que se faça o rodízio entre setores. Fecha a construção civil por 15 dias, depois abre e fecha o comércio ou a indústria. Cada um precisa trabalhar um pouco", diz Glauco Humai, presidente da Abrasce.

Para ele, é necessário que outros setores - incluindo indústria e construção civil - sejam incluídos em fechamentos e medidas de restrição para conter o coronavírus. "Se todos os setores fazem com que a população circule e fazem parte da economia, por que só shoppings fecham? Precisamos de rodízio para que todos paguem a conta."

A Abrasce também pede mais linhas de crédito para empresas e a ampliação de programas de proteção de empregos - o governo recriou o programa que permite a redução de jornada e salário e garante o pagamento do BEm.

O setor registrou faturamento de R$ 128,8 bilhões em 2020, queda de 33,2% em relação a 2019, e a quantidade de espaços vazios, sem lojistas, foi de 4,7% em 2019 para 9,3% no ano passado. A Abrasce afirma que as empresas de shoppings center deixaram de cobrar cerca de R$ 5 bilhões dos lojistas, em aluguel, taxa de condomínio e taxa de promoção de seus lojistas.

Restrições de funcionamento

Segundo a Abrasce, atualmente nenhum shopping do país funciona com mais de 50% da capacidade e apenas 44% funcionam 12h por dia. Cerca de 30% estão abertos 10h, 15% com 11h e 11% estão abertos durante menos de 10h (de 6h a 8h).

Sobre as restrições de taxas de ocupação nos Estados, 55% dos shoppings podem funcionar com até 50% de ocupação, 26% permitem de 30 a 40% de ocupação e 19% com ocupação menor de 20% ou outro tipo de restrição.

A Abrasce, ao lado de 100 entidades do comércio e serviço assinaram um manifesto exigindo medidas de salvação para prefeituras e governos. Segundo o manifesto, "muitos estados e prefeituras fecham nossos negócios, em algumas cidades por mais de seis meses, e nos obrigam a pagar impostos". "Não aceitamos mais funcionar parcialmente. Temos que operar plenamente. Não dá para trabalhar continuamente com prejuízo", diz o documento, que pede a aceleração da vacinação e programas de assistência a empresas e empregados.

Se comércio para, indústria também sofre

Para o economista-chefe da CNI (Confederação Nacional da Indústria), Renato da Fonseca, outros setores também sofreram com os fechamentos, tanto no ano passado quanto nesse. "O setor de serviços, transporte, turismo e hotelaria e até restaurantes são afetados. Também pensamos nos setores de diversão, esportes e shows, que nem chegaram a reabrir, diz.

Para ele, também não há uma separação entre indústria ou comércio e medidas de restrição afetam ambos os setores. "Quando o comércio fecha, a indústria vende para quem?", diz Fonseca.

Segundo ele, a indústria trabalha em turnos para restringir o número de pessoas, e os funcionários são os mesmos, enquanto que em restaurantes ou no comércio pessoas diferentes se encontram, com um controle menor da circulação ou contaminação.

"Não defendo que um ou outro setor fechem, que, define isso são especialistas. Todos querem estar abertos e crescendo", afirma. "O fechamento de um ou outro setor não é de interesse de ninguém no sentido econômico, são medidas de saúde pública."

Construção civil não é shopping

Para José Carlos Martins, presidente da CBIC (Câmara Brasileira da Indústria da Construção), há diferenças grandes entre a construção civil e shoppings em relação a medidas de contenção do coronavírus. "Não tem lugar mais ventilado que uma construção civil e as pessoas naturalmente trabalham em obras com equipamentos de proteção individual, inclusive a máscara N95, padrão para lixamentos ou serragem de madeira, entre outros", diz.

Segundo ele, refeitórios internos e o uso de transporte coletivo pelos trabalhadores continuam sendo fatores de risco para a transmissão. Por isso, a recomendação é que construtoras adotem protocolos de distanciamento e horários alternados para o trabalho, que fujam dos horários de pico no transporte público.

Martins destaca que cidades e estados chegaram a suspender a construção civil por algumas semanas. "Mas as pessoas perceberam que interromper a construção civil é pior, porque sempre tem muitos trabalhadores na construção e deixar essas pessoas em casa é ainda pior", diz ele. Segundo ele, cerca de 40% dos trabalhadores vivem em situação de coabitação, com pouco espaço para uma ou mais famílias. "Quando você traz o trabalhador para a construção, diminui o risco de ele estar na comunidade ou no bar da periferia."