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Bolsonaro diz que governo estuda até dobrar Bolsa Família, para R$ 400

O presidente Jair Bolsonaro durante entrevista à TV Asa Branca, de Caruaru (PE) - Reprodução/Facebook/JairMessiasBolsonaro
O presidente Jair Bolsonaro durante entrevista à TV Asa Branca, de Caruaru (PE) Imagem: Reprodução/Facebook/JairMessiasBolsonaro

Do UOL, em São Paulo*

03/08/2021 13h56Atualizada em 03/08/2021 20h10

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou hoje que o governo estuda uma maneira de chegar a 100% de aumento ao Bolsa Família, o que elevaria o benefício médio do programa para cerca de R$ 400.

"Estamos ultimando esforços e estudos no sentido de dar um aumento de no mínimo 50% para o Bolsa Família, podendo chegar até 100% em média. Com isso daí, além de atendermos a população, a gente prepara o Brasil para voltar a normalidade", disse o mandatário, em entrevista à TV Asa Branca, de Caruaru (PE).

De acordo com fontes ouvidas pela agência Reuters, o valor acertado até agora com a equipe econômica é de um aumento de 50%, que elevaria o benefício médio dos atuais R$ 192 para cerca de R$ 290, mas essa semana começaram pressões políticas para que esse reajuste seja ampliado.

Um aumento de 100% levaria o benefício médio a R$ 392. No entanto, segundo uma fonte com conhecimento do assunto, a equipe econômica diz que não há margem no orçamento para isso, mesmo que seja possível a aprovação da chamada PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios, apresentada pelo governo, que parcela o pagamento de decisões judiciais perdidas pela União.

Em reunião na residência oficial do presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), ontem, quatro ministros do governo tentaram convencer os chefes do Legislativo sobre a necessidade de aprovar a PEC para mudar as regras sobre pagamento de precatórios, criando adiamentos e parcelamentos.

A ideia é que, com a aprovação da PEC, o governo consiga destravar o pagamento do novo Bolsa Família.

Sem a aprovação, o governo teme que não tenha recursos para pagar o aumento do programa. Isso ocorreria porque o governo teria que destinar todo o espaço no teto de gastos para bancar os precatório e não sobraria dinheiro para aumentar o valor do Bolsa Família.

Segundo fontes do governo, Ciro Nogueira, integrante do centrão recém-chegado à Casa Civil, tem defendido que a aprovação da PEC dos precatórios poderá viabilizar um Orçamento maior para o governo investir na ampliação do Bolsa Família.

A ala política do governo, que agora tem Nogueira como principal articulador, tem defendido que o valor do benefício possa chegar a até R$ 400. Mas tanto no ministério da Economia como na Cidadania não há nenhum estudo que contemple esse valor, segundo publicado pela colunista do UOL Carla Araújo.

Atualmente, a equipe de Guedes busca recursos — incluindo a aprovação da reforma tributária — para tentar viabilizar um Bolsa Família de até R$ 300.

Turismo e Amazônia

O presidente afirmou que o governo tem buscado, por meio do Ministério do Turismo, aumentar o volume de visitas ao Brasil para estimular a retomada do setor, prejudicado pela pandemia do novo coronavírus. "Gilson (Machado, ministro do Turismo,) esteve agora há pouco em um evento fora do Brasil, na Europa, tratando desses assuntos", disse.

"E o Brasil tem se mostrado com poder enorme de reação. Mais do que isso, mostrarmos realmente para o mundo o que o Brasil é. Quando se fala em turismo na Amazônia, um dos grandes objetivos nossos é mostrar para o mundo que ela não pega fogo como divulgado o tempo todo. Confundem aqui a questão do turismo para prejudicar a nossa economia", disse ele, sem apresentar provas.

O mês de junho teve o maior número de focos de calor registrados na Amazônia desde 2007, comparado ao mesmo mês nos anos anteriores, segundo dados do Inpe (Instituto Nacional de Pesquisa Espaciais).

Governo pode recomendar afrouxamento de medidas

O presidente afirmou ainda que o governo federal deve recomendar a flexibilização de medidas sanitárias em breve, devido ao avanço da vacinação no País.

"Creio que daqui a poucas semanas o governo federal pode recomendar o afrouxamento de certas medidas protetivas para que o Brasil, sim, volte à normalidade", disse, em tom de reclamação dando ênfase à palavra recomendar.

Bolsonaro se queixou novamente da decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) segundo a qual a definição de medidas de enfrentamento à pandemia cabe também aos governos locais.

* Com informações da Reuters e do Estadão Conteúdo

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