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Manifesto era pedido de serenidade e não crítica ao governo, diz Febraban

Do UOL, em São Paulo

30/08/2021 16h25

A Febraban (Federação Brasileira de Bancos) contrariou em nota o ministro da Economia, Paulo Guedes, e disse que o manifesto do qual participa era um pedido de "serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes", e não uma crítica ao governo.

"Desde sua origem, a Febraban não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade", diz o comunicado.

Um manifesto com assinatura de 200 entidades empresariais em defesa de uma pacificação entre os Poderes seria publicado amanhã. A Fiesp (Federação das Indústrias do Estado de São Paulo) anunciou que a divulgação foi adiada.

Mais cedo, Guedes disse ter sido informado que o manifesto teria objetivo de defender a democracia, mas que a Febraban sugeriu alterar o tom do texto para atacar o governo de Jair Bolsonaro (sem partido).

"A informação que eu tenho é a seguinte: É que havia um manifesto de defesa da democracia, e que aí não haveria problema nenhum, e que alguém na Febraban teria mudado isso para em vez de ser uma defesa da democracia, ser o que seria um ataque ao governo", disse o ministro a repórteres mais cedo.

Leia a nota da Febraban na íntegra:

O manifesto "A Praça é dos Três Poderes", articulado pela Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) e apresentado na última quinta-feira às entidades empresariais com prazo de resposta até 17 horas da sexta-feira, é fruto de elaboração conjunta de representantes de vários setores, inclusive o financeiro, ao longo da semana passada.

Desde sua origem, a FEBRABAN não participou da elaboração de texto que contivesse ataques ao governo ou oposição à atual política econômica. O conteúdo do manifesto pedia serenidade, harmonia e colaboração entre os Poderes da República e alertava para os efeitos do clima institucional nas expectativas dos agentes econômicos e no ritmo da atividade.

A FEBRABAN submeteu o texto a sua própria governança, que aprovou ter sua assinatura no material. Nenhum outro texto foi proposto e a aprovação foi específica para o documento submetido pela FIESP. Sua publicação não é decisão da federação dos bancos. A FEBRABAN não comenta sobre posições atribuídas a seus associados.

Conflitos e saídas

O Banco do Brasil e a Caixa Econômica Federal pretendem sair da Febraban (Federação Brasileira de Bancos) por discordar que a entidade — que é privada — se posicione politicamente. A decisão foi informada ao ministro da Economia, Paulo Guedes, e ao presidente Jair Bolsonaro.

A Febraban, representante do setor bancário no país, pretende emitir um manifesto amanhã com um pedido de harmonia entre os três Poderes (Executivo, Legislativo e Judiciários). As informações foram divulgadas por fontes ouvidas pelo Estadão.

Em desacordo com a federação, tanto a Caixa quanto o BB — controladas pelo governo federal — teriam encaminhado uma nota à Febraban informando que sairiam da entidade caso o manifesto seja publicado.

A iniciativa de emitir o manifesto foi votada na instituição e contou com o apoio da maioria, segundo o Estadão.

O assunto tem sido discutido há cerca de uma semana, mas a Caixa e o BB são contrários ao pedido de alinhamento do Legislativo, Executivo e Judiciário, em um momento no qual o presidente tem feito ataques públicos contra os demais poderes.

Sem citar Bolsonaro ou Guedes, o manifesto foi interpretado como uma crítica à gestão federal, uma vez que teria como pauta medidas urgentes para que o Brasil seja capaz de superar a pandemia e gere empregos.

A decisão de romper com a Febraban foi encabeçada pelo presidente da Caixa, Pedro Guimarães, quem mantém relação próxima com o presidente, de acordo com a apuração do Estadão.

Tanto a Caixa quanto o Banco do Brasil teriam contestado um trecho específico do manifesto, segundo o Estadão, que cita uma "grande preocupação" com a "escalada de tensões e hostilidades entre as autoridades públicas".

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