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Quem ganha mais de R$ 10 mil por mês pagará mais IR com reforma, diz estudo

Henrique Santiago

Colaboração para o UOL, em São Paulo

03/09/2021 15h54

Mudanças nas regras do Imposto de Renda, aprovadas pela Câmara dos Deputados na quarta-feira (1º), resultarão em aumento do imposto pago por contribuintes com salários a partir de R$ 10 mil por mês (R$ 120 mil por ano) e que usam o modelo simplificado da declaração do IR, segundo cálculos da consultoria EY. A proposta ainda precisa ser votada pelo Senado e sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

De acordo com a simulação, nessa faixa de renda, a alta no IR será de R$ 17,26. O imposto a mais pagar sobe conforme aumenta a renda.

Isso acontece porque a reforma aprovada pelos deputados muda uma regra sobre a declaração simplificada. Hoje, todos podem fazer a declaração simplificada e ganhar um desconto de 20% no imposto, mas limitado a um valor de R$ 16,7 mil. Com a reforma, o limite de desconto cai para R$ 10,5 mil.

A proposta original, enviada ao Congresso pelo governo Jair Bolsonaro (sem partido), restringia mais o uso do simplificado. Por ela, só poderiam usar o modelo e ter o desconto contribuintes com ganhos de até R$ 40 mil por ano (R$ 3.333 por mês). Os demais seriam obrigados a fazer a declaração no modelo completo, sem o desconto de 20%.

Mas esse ponto da proposta foi barrado na Câmara.

Quem ganha menos de R$ 6.600 por mês paga menos

Os cálculos feitos pela EY mostram também que parte dos trabalhadores pagará menos imposto.

Quem ganha R$ 80 mil por ano (cerca de R$ 6.600 mensais) pagaria R$ 190,18 menos imposto. Para os que recebem R$ 40 mil por ano (R$ 3.333 por mês), a redução seria de R$ 536,42.

Isso acontece porque a reforma aumenta a faixa de isenção do IR, de R$ 1.903,98 para R$ 2.500 mensais.

A correção da tabela faz com que os valores das demais faixas do IR, acima dessa, também sejam reajustados, em menor proporção.

O reajuste beneficia inclusive quem ganha mais de R$ 10 mil. Nesses casos, porém, o imposto devido aumenta porque a redução não é suficiente para compensar o teto do limite do desconto, de R$ 10,5 mil.

Veja como ficaria a tabela:

  • Faixa 1 - até R$ 2.500: isento;
  • Faixa 2 - De R$ 2.500,01 até R$ 3.200: 7,5%;
  • Faixa 3 - R$ 3.200,01 até R$ 4.250: 15%;
  • Faixa 4 - R$ 4.250,01 até R$ 5.300: 22,5%;
  • Faixa 5 - Acima de R$ 5.300,01: 27,5%.
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