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Mal da vaca louca volta a assombrar exportações de carne no Brasil

Mário Bittencourt

Colaboração para o UOL, em Vitória da Conquista (BA)

12/11/2021 11h48

Após dois casos confirmados da EBB (Encefalopatia Espongiforme Bovina), conhecida como "mal da vaca louca", em setembro, em Mato Grosso e em Minas Gerais, a doença que também afeta humanos voltou a assombrar o Brasil nesta quinta-feira (11).

O Instituto Nacional de Infectologia Evandro Chagas, da Fiocruz (Fundação Osvaldo Cruz), no Rio de Janeiro, notificou dois casos suspeitos da doença. Os pacientes são uma mulher de 59 anos (origem ainda em investigação) e um homem de 55 da cidade de Duque de Caxias.

De acordo com o Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento), no entanto, os casos não têm relação com a doença do mal da vaca louca, o que também foi informado pela Secretaria de Saúde do Estado do Rio de Janeiro.

"Os casos suspeitos não têm relação com consumo de carne bovina ou subprodutos contaminados com Encefalite Espongiforme Bovina (EEB), conhecida como doença da vaca louca", afirma o Mapa em comunicado.

Investigação da doença

Os pacientes estão em isolamento no Evandro Chagas de Manguinhos, zona norte do Rio de Janeiro. O homem de 55 anos de Duque de Caxias teve início dos sintomas em agosto deste ano, e a notificação ocorreu dia 29 de outubro pelo Instituto Nacional de Infectologia. A investigação do caso foi encerrada pela vigilância municipal de Duque de Caxias como quadro de DCJ (Doença de Creutzfeldt-Jakob) esporádica, não possuindo relação com a doença da vaca louca. O paciente segue internado no INI.

A mulher de 59 anos apresentou início dos sintomas também em outubro deste ano e a notificação ocorreu na terça-feira (9), tendo ela sido transferida para o Instituto Nacional de Infectologia nesta quarta. A investigação deste caso segue em andamento para identificar as causas da doença e o local de residência.

A ala de isolamento que os pacientes estão internados é a mesma destinada a pacientes com a covid-19. Segundo a Fiocruz, os familiares estão sendo monitorados e não se tem informação de como eles possam ter sido contaminados. A DCJ também é uma doença fatal que ataca o sistema nervoso central. Ela provoca demência e anormalidades nos movimentos, causada por dano nos tecidos do cérebro.

Segundo o Ministério da Saúde, entre 2005 e 2014 foram notificados, no Brasil, 603 casos suspeitos de DCJ, que possui uma variante chamada vDCJ, associada ao consumo de carne bovina e chamada de mal da vaca louca. Desde que a vigilância da DCJ foi instituída no Brasil, nenhum caso da forma vDCJ foi confirmado em humanos.

Impacto do mal da vaca louca nas exportações

A doença do mal da vaca louca é degenerativa, atinge o cérebro e não tem cura. Os humanos são infectados com a doença ao consumirem carne bovina contaminada, e, por conta desse risco e dos casos registrados em setembro no Brasil, a China suspendeu há mais de dois meses a importação de carne bovina brasileira.

De acordo com entidades ligadas ao setor de carne bovina no país, o prejuízo deve chegar a US$ 1,8 bilhão até o final do ano. Procurada, a Embaixada da China no Brasil não comentou sobre a suspensão da importação da carne bovina brasileira.

O país asiático é o único que suspendeu o consumo após os casos registrados em Mato Grosso e Minas Gerais, e é o maior comprador da carne bovina brasileira, que já teve queda de quase 12% no valor da arroba, atualmente em R$ 273,44, segundo o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada).

As exportações tiveram redução de quase 50% em outubro, em comparação a setembro, segundo a Abrafrigo, entidade que representa os frigoríficos no Brasil, onde o governo federal tem buscado comprovar aos chineses que o problema já passou.

As entidades ligadas ao setor de produção de carnes no Brasil, como Abrafrigo e Abriec (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), informaram que não estão se manifestando sobre o embargo da China à carne brasileira.

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