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Agronegócio

Rússia libera importação de boi e porco de mais 12 frigoríficos brasileiros

Viviane Taguchi

Colaboração para o UOL, em São Paulo

26/11/2021 04h00

Nesta semana, o Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Fitossanitária da Rússia anunciou que 12 frigoríficos brasileiros estão habilitados, a partir desta quinta-feira (25), para serem seus fornecedores de carne suína e carne bovina. Ao todo, segundo comunicado da agência, estão na lista nove frigoríficos de carne suína e três de carnes bovinas.

Em outubro, três indústrias que processam carne de boi já haviam sido liberadas para voltar a exportar seus produtos à Rússia. A habilitação vem sendo discutida há quatro anos, quando a Rússia restringiu as vendas de frigoríficos brasileiros (carnes e miúdos de bovinos e suínos) alegando uso do aditivo ractopamina na alimentação dos animais, no campo.

De acordo com o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), os produtores brasileiros não usam a ractopamina na criação de animais, e a liberação de 12 frigoríficos é fruto da visita da ministra Tereza Cristina à Rússia, na semana passada.

Durante a missão à Rússia, Tereza Cristina se reuniu com o chefe do Serviço Federal de Vigilância Veterinária e Sanitária e Fitossanitária da Rússia, Sergey Dankvert, que garantiu à ministra a realização de uma visita de inspeção ao Brasil no primeiro trimestre de 2022, para a habilitação de mais frigoríficos.

O departamento russo de sanidade não revelou o nome dos frigoríficos nem a sua localização. Em um comunicado, afirmou que o serviço federal russo "continuará trabalhando na ampliação da lista de produtores brasileiros certificados para fornecer carne bovina à Rússia".

O país, que no passado chegou a ser um dos maiores mercados para o Brasil, planeja estabelecer uma cota de importação isenta de impostos de até 200 mil toneladas de carne bovina em 2022 para aumentar a oferta doméstica, como parte das medidas que o governo espera que ajude a estabilizar a inflação doméstica, que está em máxima de cinco anos.

Para o Brasil, maior exportador mundial de carne bovina, a Rússia é um mercado promissor, já que suas exportações para a China foram temporariamente suspensas em setembro, depois que dois casos atípicos de doença da vaca louca foram relatados no país sul-americano.

Diplomacia de insumos

Na semana passada, durante as reuniões em Moscou, Tereza Cristina também negociou com Dankvert e empresários russos contratos de fornecimento de fertilizantes ao Brasil, sem a aplicação de restrições.

Segundo o Mapa, a Rússia prometeu ampliar os embarques de potássio e fosfatados para suprir eventuais interrupções no abastecimento brasileiro, já que as importações desses produtos pela China e Belarus enfrentam problemas. Segundo a ministra, o acordo pode dar maior segurança ao planejamento para da safra 2022/2023.

Em 2020 Brasil consumiu 40 milhões de fertilizantes, e a previsão para 2021 é de 44 milhões de toneladas desse tipo de produto. O Brasil importa 85% desses produtos para atender a demanda dos produtores brasileiros.

De acordo com a entidade, 40% dos adubos que serão utilizados na safrinha de milho (do ciclo 2021/2022) que será plantada após a colheita da soja, em meados de abril e maio, já foram negociados e, para a safra 2022/2023, pelo menos 20% dos adubos já foram comprados.

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