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Bares e restaurantes afastam 20% da equipe por gripe ou covid toda semana

Dificuldade em fazer testes para covid tem atrasado retorno dos funcionários ao trabalho - iStock
Dificuldade em fazer testes para covid tem atrasado retorno dos funcionários ao trabalho Imagem: iStock

Giulia Fontes

Do UOL, em São Paulo

10/01/2022 04h00Atualizada em 10/01/2022 09h41

Desde dezembro, bares e restaurantes do país estão tendo que afastar em torno de 20% dos funcionários, toda semana, por suspeita de gripe ou covid-19. A informação é do presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), Paulo Solmucci. Ele afirma que a situação é pior nos grandes centros e nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Goiás e Pará.

A recomendação da Abrasel é para que o trabalhador que tenha qualquer sintoma de gripe ou resfriado não vá trabalhar. Nesse caso, diz Solmucci, os estabelecimentos precisam contratar funcionários temporários para se manter funcionando. Como o INSS não cobre afastamentos de poucos dias, como os geralmente associados à covid ou à gripe, o custo extra acaba ficando para os bares e restaurantes.

A maior parte [dos estabelecimentos] está sofrendo para repor 20% da equipe quase toda semana. Além do transtorno operacional, que é grande, tem o gasto. É um custo dobrado e está todo mundo apertado, pressionado.
Paulo Solmucci, da Abrasel

Falta de testes piora situação

O presidente da Abrasel reclama da falta de disponibilidade de testes para covid-19, o que tem dificultado o retorno ao trabalho. Em São Paulo, o aumento da procura desabasteceu farmácias.

O funcionário precisa fazer o teste para ver se não está transmitindo a doença e voltar a trabalhar. Mas ele chega para fazer e não tem o teste, aí complica tudo. Precisamos muito da disponibilização desses testes.
Paulo Solmucci, da Abrasel

A expectativa é de que a situação perdure pelo menos até o final de janeiro. "Mas depois vem o Carnaval. Estamos vivendo semana a semana", afirma.

Aumento de casos

Dados da plataforma "Our World in Data" mostram que, na quarta-feira (5), 58,33% dos casos de covid-19 rastreados no Brasil já eram provocados pela variante ômicron.

Até agora, as pesquisas têm apontado que a variante, detectada pela primeira vez na África do Sul, tem uma transmissão mais rápida. Ao mesmo tempo, o vírus é menos grave por causar menos danos aos pulmões, dizem estudos.

A disseminação da variante se combinou com o aumento de casos de gripe, o que tem impactado outros setores. A companhia aérea Azul, por exemplo, informou que 10% dos voos programados para janeiro foram afetados por "um alto número de dispensas médicas" entre funcionários.

A Gol também teve alta dos casos entre os funcionários, mas afirma não ter cancelado ou alterado voos por isso. A Latam disse que não precisou mudar voos, mas que "segue atenta ao cenário".

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