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Brasil é o 2º país com energia mais cara e pode virar o 1º, diz instituto

As usinas termelétricas representam 24,66% da produção energética - Paulo Whitaker/Reuters
As usinas termelétricas representam 24,66% da produção energética Imagem: Paulo Whitaker/Reuters

Pedro Vilas Boas

Colaboração para o UOL

11/01/2022 15h15Atualizada em 11/01/2022 19h03

O Brasil é o segundo país com a tarifa de energia mais cara do mundo, segundo análise da Agência Internacional de Energia (IEA) baseada em números de 2018. O bolso do brasileiro só não dói mais do que o do alemão, que lidera o levantamento (confira mais abaixo).

Para Roberto D' Araujo, diretor do Instituto Ilumina — ONG que discute o setor elétrico brasileiro —, o país pode chegar ao topo do ranking, caso o sistema atual se mantenha. "Não dá para entender por que o Brasil, um país continental, todo ensolarado, tem 2,5% de usinas solares", critica.

Uma das principais causas para essa alta tarifa energética é a presença de usinas termelétricas - produção pela queima de combustíveis fósseis -, que têm um custo de construção e manutenção elevado. De acordo com dados da Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), há 3229 usinas desse tipo no Brasil, o que representa 24,66%. As hidrelétricas, produção de energia por rios ou represas, são maioria no país, com 56,71%.

D'Araujo explica que as termelétricas funcionam como um "seguro" para não faltar energia no país, já que não dependem de chuvas, por exemplo. Porém, na avaliação do diretor do Instituto Ilumina, o poder público não age para diminuir essa dependência e investir em usinas fotovoltaicas (solares) ou eólicas (produção pela energia cinética do vento). Essa última representa 11,48% da produção energética brasileira.

Produção de carvão

A fala do diretor do Instituto Ilumina sobre o país priorizar as usinas termelétricas vai ao encontro das decisões do presidente Jair Bolsonaro (PL) e Congresso. Foi sancionada no último dia 5 a lei que renova a política de apoio à produção de carvão do Complexo Termelétrico Jorge Lacerda (CTJL), em Santa Catarina, autorizando seu funcionamento por mais 15 anos.

Apesar da renovação, a nova lei cria a PTJ (Política de Transição Justa), voltada à energia limpa e redução de poluentes. Também estabelece um programa de transição energética (TEJ) para zerar as emissões de carbono até 2050.

A nova lei garante ainda uma promessa do governo de um contrato de compra de energia de reserva da usina, definindo uma receita fixa suficiente para cobrir os custos da geração.

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