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Presidente do Credit Suisse renuncia após quebrar regras da pandemia

10.fev.2015 - Antonio Horta-Osorio estava no Credit Suisse há nove meses - Stefan Wermuth/Reuters
10.fev.2015 - Antonio Horta-Osorio estava no Credit Suisse há nove meses Imagem: Stefan Wermuth/Reuters

Do UOL, em São Paulo

17/01/2022 10h17Atualizada em 17/01/2022 13h20

O presidente do banco suíço Credit Suisse, Antonio Horta-Osorio, renunciou após uma investigação interna revelar que ele quebrou regras da quarentena em relação à covid-19. Ele estava no banco há menos de nove meses e foi substituído pelo membro do conselho Axel Lehmann.

O Credit Suisse informou que manterá sua reformulação estratégica apesar da saída abrupta de Horta-Osório.

"Lamento que várias das minhas ações pessoais tenham levado a dificuldades para o banco e comprometido minha capacidade de representá-lo interna e externamente", disse Horta-Osorio em comunicado divulgado pelo banco. "Portanto, acredito que minha demissão é do interesse do banco e de seus acionistas neste momento crucial", acrescentou ele.

Uma investigação preliminar do Credit Suisse descobriu que seu presidente participou das finais de tênis de Wimbledon em julho, em um momento em que as restrições do Reino Unido exigiam que ele ficasse em quarentena.

Horta-Osorio também violou as restrições suíças quando, segundo a agência de notícias Reuters, voou para o país em 28 de novembro, mas partiu em 1º de dezembro — as regras definiam que ele deveria ficar em quarentena por 10 dias após sua chegada.

Duas pessoas familiarizadas com a situação disseram que o comportamento de Horta-Osorio, incluindo o uso de jatos particulares do banco, estava no centro da investigação. As duas fontes disseram que, além das violações relacionadas à pandemia, o executivo orientou um jato do Credit Suisse para levá-lo às Maldivas em um retorno de uma viagem de negócios na Ásia.

Um porta-voz de Horta-Osorio disse que ele não fala com a imprensa.

Ele sai menos de nove meses depois de ingressar no banco para ajudá-lo a lidar com a implosão da empresa de investimentos Archegos e a insolvência da britânica Greensill Capital. O executivo deixou a instituição em um momento em que o Credit Suisse buscava se recuperar da saída do presidente-executivo Tidjane Thiam, ocorrida em 2020 em meio a um escândalo de espionagem.

As ações do banco caíam cerca de 1,6% nas negociações das bolsas europeias hoje.

Antes de ir para o Credit Suisse, Horta-Osorio liderou o grupo britânico Lloyds Bank. Ele recebeu o título de cavaleiro na Grã-Bretanha por sua contribuição aos serviços financeiros e à saúde mental, ganhando elogios por falar publicamente sobre o estresse que experimentou depois de assumir a instituição.

Quem é Lehmann

Lehmann, um suíço que trabalhou anteriormente para o rival UBS e passou quase duas décadas no Zurich Insurance Group, disse que nenhuma mudança de curso é planejada para o Credit Suisse enquanto o banco tenta retornar a águas mais calmas.

Lehmann disse que os negócios com os clientes permaneceram excelentes apesar da última reviravolta e que nenhuma grande mudança na gestão está em andamento. O executivo acrescentou que o presidente-executivo, Thomas Gottstein, é "central para nossa capacidade de continuar a transformação juntos".

Analistas disseram que depois que foi descoberto que Horta-Osório havia violado as regras sobre a Covid-19 duas vezes, era inevitável que ele deixasse o banco, mas isso poderia dificultar ainda mais a recuperação o Credit Suisse.

Se recuperando de um ano desastroso, o Credit Suisse registrou queda de 21% no lucro do terceiro trimestre do ano passado e alertou para prejuízo nos últimos três meses de 2021.

As ações do Credit Suisse caíram 23% no ano passado, enquanto as ações do UBS subiram 33%, para o maior nível em quatro anos.

* Com Reuters