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Preço varia até 80% entre feira, sacolão e mercado; veja qual o mais barato

21.mar.2022 - Bandejas de legumes, verduras e frutas no supermercado St. Marche, em unidade de bairro nobre na zona sul de São Paulo - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - Bandejas de legumes, verduras e frutas no supermercado St. Marche, em unidade de bairro nobre na zona sul de São Paulo
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

Vinícius de Oliveira

Colaboração para o UOL, em São Paulo

30/03/2022 04h00

Verduras, legumes e frutas tiveram uma disparada nos preços e impactaram nos custos da alimentação em casa. Na sexta-feira (25), o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) divulgou os dados da prévia da inflação, medidos pelo IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), que apontam o peso dos alimentos nos custos da alimentação.

Em março, os principais vilões no orçamento da alimentação domiciliar foram a cenoura (aumento de 45,65%), tomate (15,46%) e batata-inglesa (11,81%). Onde seria melhor comprar itens como esses para economizar? Na feira, no sacolão ou no supermercado? O UOL visitou diferentes locais em São Paulo. Veja quais foram os mais baratos.

Variação de preços chega a 80%

Feira - Vinícius de Oliveira/UOL - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - Feira livre em Santo Amaro, zona sul de São Paulo
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

Fomos à feira livre na av. Professor Alceu Maynard Araújo, no bairro Santo Amaro, na zona sul da cidade, região em que predomina o comércio popular. Os valores foram comparados com outros estabelecimentos comerciais como o mercado St. Marche (unidade Chácara Flora), que anuncia como propósito a venda de produtos selecionados e de alta qualidade, e o hortifrúti Natural da Terra (unidade Interlagos), comércio semelhante a um supermercado, mas com produtos frescos.

Apesar de terem algumas promoções atrativas, os estabelecimentos comerciais em geral são mais caros que a feira livre. Destaque para o preço da batata-inglesa, que foi encontrada por R$ 5 o quilo na feira. No mercado, custa R$ 8,99 (80% a mais).

Veja a seguir o comparativo:

Batata-inglesa

  • Feira livre (Santo Amaro): R$ 5 o quilo
  • St. Marche: R$ 8,99 o quilo (79,8% mais caro que na feira)
  • Natural da Terra: R$ 7,99 o quilo (59,8% mais caro que na feira)

Cenoura

  • Feira livre (Santo Amaro): R$ 7 o maço (que pesa entre 400g e 600g, dando uma média de R$ 14 o quilo)
  • St. Marche: R$ 14,90 o quilo (6,4% mais caro que na feira)
  • Natural da Terra: R$ 14,99 o quilo (7% mais caro que na feira)

Abobrinha

  • Feira livre (Santo Amaro): R$ 10 o quilo
  • St. Marche: R$ 11,90 o quilo (19% mais caro que na feira)
  • Natural da Terra: R$ 8,99 o quilo (10% mais barato que na feira)

Alface

  • Feira livre (Santo Amaro): R$ 4 a unidade
  • St. Marche: R$ 4 a unidade
  • Natural da Terra: R$ 5,99 a unidade (49,75% mais caro que na feira)

Brócolis

  • Feira livre (Santo Amaro): R$ 15 o maço com 400g (o que equivale a R$ 37,50 o quilo)
  • St. Marche: R$ 12,90 a bandeja com 250g (o que equivale a R$ 51,60 o quilo, 37,6% mais caro que na feira)
  • Natural da Terra: R$ 10 a bandeja com 250g (o que equivale a R$ 40 o quilo, 6,6% mais caro que na feira )
Cenpura - Vinícius de Oliveira/UOL - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - Unidade do Natural da Terra vende cenoura a R$ 14,99 o quilo
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

Procurado pelo UOL, o St. Marche não quis se manifestar.

A rede Natural da Terra afirmou que "trabalha com produto selecionado, que acaba custando mais caro", além de ter "produtores e produtos com rastreamento de origem. São diferenciais que agregam qualidade e segurança para o consumidor final".

Além disso, a rede diz que vende muitos produtos orgânicos e que a meta é diminuir a diferença de preço entre orgânicos e tradicionais. "Em média, os produtos sem agrotóxicos são 10% mais caros, e já conseguimos equiparar o preço da banana, porque temos nove produtores exclusivos. Vamos fazer o mesmo com o morango", afirma.

Consumidores tentam driblar a alta de preços

Dulce - Vinícius de Oliveira/UOL - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - A corretora Dulce Roberta Alves, 52, diz que "tem que dar uma rebolada" para conseguir comprar hortifrúti
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

A corretora Dulce Roberta Alves, 52, diz que é um esforço conseguir manter as contas dentro do orçamento. "A feira está pesando bastante na conta. Estou comprando menos, ou venho no horário da xepa. Mesmo na xepa, ainda é mais caro do que antigamente", fala. Para lidar os constantes aumentos, ela tem comprado menos legumes e vegetais.

Ailton - Vinícius de Oliveira/UOL - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - O hoteleiro Ailton Ferreira, 64, compra legumes em feira livre em Santo Amaro, zona sul de São Paulo
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

O hoteleiro Ailton Ferreira, 64, também percebeu a inflação do hortifrúti pesando no bolso. "Salsinha e coentro dobraram de preço em menos de um mês. Tomate está um absurdo, eu nem comprei", contou. "Eu procuro vir mais na xepa para economizar e compro aqueles produtos 'três por R$ 5' ou 'quatro por R$ 10'. Só as promoções", disse.

Apesar da inflação do hortifrúti, a comparação de preços mostra que as feiras livres são uma opção para economizar. "Eu sempre venho à feira e aqui ainda é um dos menores preços que a gente encontra", disse Maria Aparecida Mascarenhas, enquanto escolhia que verduras levar.

Maria Aparecida Mascarenhas - Vinícius de Oliveira/UOL - Vinícius de Oliveira/UOL
21.mar.2022 - A professora aposentada Maria Aparecida Mascarenhas, 72, em feira livre em Santo Amaro, zona sul de São Paulo
Imagem: Vinícius de Oliveira/UOL

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Errata: o texto foi atualizado
Uma versão anterior deste texto informava incorretamente que os produtos com agrotóxicos no Natural da Terra são 10% mas caros. Na verdade, os mais caros são os produtos sem agrotóxicos. A informação foi corrigida.