PUBLICIDADE
IPCA
1,06 Abr.2022
Topo

Poupança: quanto rendem R$ 1.000 por ano com juros de 11,75%

Veja quanto podem render R$ 1.000 se aplicados por um ano na poupança, no Tesouro Selic e em fundos DI - Getty Images/iStockphoto/Moussa81
Veja quanto podem render R$ 1.000 se aplicados por um ano na poupança, no Tesouro Selic e em fundos DI Imagem: Getty Images/iStockphoto/Moussa81
Conteúdo exclusivo para assinantes

João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

16/03/2022 19h18

Pela nona vez seguida, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central subiu os juros, dessa vez em 1 ponto percentual, elevando a taxa básica Selic de 10,75% para 11,75% ao ano, o maior patamar desde abril de 2017. Como a taxa básica de juros é a principal referência para aplicações como Tesouro Selic e fundos DI, por exemplo, esses produtos terão um rendimento nominal maior agora.

Já a poupança vai continuar entregando ao aplicador praticamente o mesmo rendimento fixo, de 0,5% ao mês mais TR (Taxa Referencial, um indicador do mercado financeiro), conforme a fórmula que passou a valer após a Selic superar os 8,5%. A pequena diferença será permitida exatamente pela TR. Confira então abaixo algumas simulações feitas para aplicações de renda fixa.

Quanto rendem R$ 1.000 em diferentes aplicações

Segundo profissionais de mercado, a nova subida dos juros melhora os ganhos da renda fixa para o brasileiro. Já o ganho real, ou seja, aquele acima da inflação, ainda é afetado pelo processo inflacionário ainda forte no país.

A renda fixa pós-fixada está com um prêmio cada vez mais razoável considerando o grau de risco dessa classe, que é muito baixo. Isso não quer dizer que o prefixado não tenha oportunidades. Mas com a guerra, a gente passa a ter menor previsibilidade, o que afeta a decisão de investir em prefixado.
Leonardo Siqueira, superintendente de Investimentos do Santander

Veja então abaixo quanto vão render R$ 1.000 aplicados por um ano, em termos nominais, ou seja, quanto o aplicador vai ver no extrato, sem comparar com o desempenho da inflação.

Nessa simulação, consideramos uma aplicação por um ano mais um dia, quando passa a vigorar a alíquota de Imposto de Renda —para investimentos que pagam imposto— de 17,50%.

Quanto menos tempo o dinheiro ficar aplicado, maior o imposto. Se a pessoa resgatar antes de completar um ano, pagará uma alíquota maior, de 20%, para dinheiro aplicado por pelo menos seis meses, ou 22,5% se tirar o capital antes de seis meses.

Quanto rendem R$ 1.000 nos seguintes investimentos

  • Poupança: R$ 63,20 (considerando TR de 0,1505 e isenção de IR)
  • Tesouro Selic: R$ 96,94 (considerando alíquota de IR de 17,50%)
  • Fundos DI: R$ 92,32 (considerando IR e taxa de administração de 0,5%)

Quanto a pessoa terá na conta após a aplicação

Veja então quanto a pessoa vai ter na conta se aplicar R$ 1.000 por 12 meses. E compare com o valor que seria resgatado se a Selic não tivesse subido e continuasse a 10,75% ao ano.

  • Poupança: R$ 1.063,20 (antes da alta dos juros, seriam R$ 1.063,10)
  • Tesouro Selic: R$ 1.096,94 (antes da alta dos juros, seriam R$ 1.088,69)
  • Fundos DI: R$ 1.092,32 (antes da alta dos juros, seriam R$ 1.084,12)

Rendimento nominal não é ganho real

O rendimento nominal do investidor -aquele que aparece no extrato da aplicação-aumentou com a alta da taxa básica de juros. Mas ganho real, ou seja, o rendimento da aplicação descontando a variação da inflação, esse ainda não é certo.

As simulações mais usadas pelos profissionais de mercado costumam considerar a expectativa do mercado para a inflação ao fim de um período. No caso, por exemplo, a expectativa predominante hoje é a de que o IPCA esteja na casa de 6,5% ao fim de 2022.

Nesse caso, os ganhos obtidos pelo Tesouro Selic, de R$ 96,94, e dos fundos DI com taxa de administração de 0,5%, de R$ 92,32, superam os R$ 65 que a inflação iria corroer do poder de compra -se o IPCA de fato cair do patamar atual, de 10,5% para 6,5% ao longo dos próximos 12 meses.

Mas o problema dessas projeções hoje no Brasil é que elas não estão funcionando muito bem. No começo deste ano, os economistas diziam que o IPCA terminaria 2022 em 4,5%. Agora, já falam em uma inflação fechando o ano em 6,5%. Ou seja, eles estão vendo uma inflação mais resistente em cair.

Isso já tinha acontecido em 2021. Os economistas começaram o ano passado apostando que a inflação seria de 3,3% ao fim de dezembro. Mas ao fim de 2021, a inflação medida pelo IPCA acabou sendo três vezes maior, de 10,06%.

Então, optamos nas simulações aqui abaixo por usar a inflação atual -e não as projeções- para estimar o rendimento real que o aplicador da renda fixa pode ter com a nova taxa básica de juros.

Vamos então considerar uma inflação de 10,54%, medida pelo índice oficial do governo, o IPCA, no acumulado em 12 meses até fevereiro, que é último dado disponível já medido.

Com uma inflação dessas, R$ 1.000 hoje só vão comprar R$ 894,60 após os 12 meses encerrados em março de 2023. Essa inflação, se mantida, vai corroer R$ 105,40 da aplicação após um ano.

Perda real ainda nas aplicações

Considerando então o impacto dessa inflação, de 10,54% em 12 meses, sobre cada R$ 1.000 aplicados, o capital do investidor teria estas perdas abaixo.

  • Poupança: perda real de R$ 42,20
  • Tesouro Selic: perda real de R$ 8,46
  • Fundos DI: perda real de R$ 13,08

Expectativa de mais aumentos de juros

Profissionais de mercado já diziam que o Banco Central continuaria elevando a taxa básica de juros após o aumento desta quarta-feira. Mas essa expectativa foi reforçada ao longo deste mês, após a invasão da Ucrânia pela Rússia.

O conflito provocou aumentos de preços do petróleo e dos alimentos nos mercados internacionais, gerando uma nova onda de inflação global. Para economistas, essa nova escalada de preços das matérias-primas no mundo vai forçar o Banco Central a aumentar ainda mais os juros.

Mesmo que o conflito termine nas próximas semanas e as cotações se acalmem, o salto nos preços das commodities deverá ser absorvido pelos agentes econômicos, sendo um fator extra para pressionar a inflação.
Gustavo Sung, economista-chefe da Suno Research

Levando em consideração o processo já desafiador, com inflação corrente acima das expectativas e risco de aumento expectativas de inflação, acreditamos que o Copom estenderá o ciclo de aperto para 13,25% contra 12,25% que eram projetados antes.
Mansueto Almeida, economista-chefe do BTG Pactual, em relatório.

Renda fixa prefixada ou pós fixada

Profissionais de mercado dizem que a escolha entre aplicações pós e prefixadas vai depender do prazo que o aplicador tem para deixar o dinheiro sem resgata-lo e da própria expectativa da taxa Selic para os próximos meses.

O especialista de investimentos da Western Asset Marcelo Guterman, por exemplo, aponta que há aplicações de renda fixa prefixada oferecendo taxas que embutem uma taxa Selic que vai subir até cerca de 13,50%. Mas ele destaca que as aplicações pós fixadas oferecem menos risco.

Enquanto o investidor entender que a taxa prefixada será maior do que a Selic acumulada até o vencimento, então vale ficar no prefixado. Mas essa avaliação é especialmente complexa em um ambiente como o de hoje, em que estamos em meio a vários choques que mantém a inflação pressionada. Então, investidores com baixa tolerância a risco deveriam ficar em investimentos pós-fixados nesse contexto.
Marcelo Guterman, Western Asset

Para o curto prazo sim, o pós-fixado continua sendo uma ótima opção, em especial para o dinheiro de reserva de emergência e/ou oportunidade. Ficar alocado em títulos pós-fixados enquanto o ciclo de alta da Selic continua em aberto, é sem dúvida uma ótima oportunidade.
Idean Alves, sócio e chefe da mesa de operações da Ação Brasil Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.