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Aposentadoria tranquila: como e quando investir em previdência privada?

Profissionais de mercado listam opções de previdência para quem é CLT, empreendedor ou profissional liberal - FG Trade/iStock
Profissionais de mercado listam opções de previdência para quem é CLT, empreendedor ou profissional liberal Imagem: FG Trade/iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

24/02/2022 11h00

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Ter uma aposentadoria tranquila é o sonho de muitos brasileiros. Só que, diante do tema, surgem diversas dúvidas que podem assustar o investidor ao pensar em uma renda extra no futuro. Por isso, especialistas recomendam esclarecê-las o quanto antes e iniciar um plano de previdência privada o mais cedo possível, para que os ganhos sejam maiores.

Diante disso, o UOL ouviu analistas sobre as opções que existem para previdência e outros produtos de investimentos que podem gerar renda para a aposentadoria, considerando diferentes perfis de aplicadores —um trabalhador com carteira assinada, um empreendedor e um profissional liberal. Confira abaixo.

Melhor momento para começar

Responsável comercial pela área de previdência da Messem Investimentos, João César Neto fez uma simulação para demonstrar que o quanto antes começar a aplicação em previdência privada, maior o ganho acumulado.

No exemplo dado pelo especialista, foram considerados dois casos: um jovem de 20 anos que começa a aplicar R$ 300 todos os meses, até completar 65 anos; e outra pessoa que aplica mais, R$ 2 mil por mês, mas que só iniciou as aplicações quando já tinha 45 anos de idade.

Considerando um rendimento médio de 10% ao ano, veja o quanto cada um desses investidores acumulariam aos 65 anos de idade.

  • Aplicando R$ 300 por mês por por 45 anos: R$ 2,7 milhões
  • Aplicando R$ 2 mil por mês por 20 anos: R$ 1,5 milhão

O grosso do ganho do investidor vem mais do tempo da aplicação que do tamanho dos aportes.
João César Neto, da Messem Investimentos

3 passos antes de escolher o melhor produto

Confira abaixo um passo a passo sugerido pela professora Clara Sodré, da Xpeed School (XP Investimentos), para construir a previdência da forma mais segura

  1. Descubra seu perfil de risco (ou perfil de investidor): o primeiro passo é saber a tolerância a risco que o investidor tem, de acordo com seus objetivos. Veja aqui um teste para saber o seu;
  2. Defina prazos: importante saber por quanto tempo a pessoa poderá aplicar até juntar dinheiro para, só então, começar a usufruir da renda. Errar essa conta pode gerar perdas, por exemplo, pagando mais imposto sobre o capital acumulado;
  3. Ter a reserva de emergência: antes de começar a aplicar em previdência privada ou investimentos de longo prazo, o investidor deve ter formado a sua reserva de emergência. Se ele não tiver um dinheiro guardado para cobrir imprevistos, pode ser obrigado a sacar certas quantias antes da hora da previdência e, assim, ter perdas.

PGBL ou VGBL?

Qual plano de previdência é melhor? Analistas destacam que a resposta para essa pergunta depende do perfil de risco do investidor, do tempo que ele tem para aplicar e da renda que ele tem no presente.

O planejador financeiro da ParMais, Caio Alberconi, aponta fatores que podem levar à escolha por um ou outro.

PGBL (Plano Gerador de Benefício Livre)

O plano de previdência do tipo PGBL permite que a pessoa reduza a base de cálculo do Imposto de Renda. Mas isso só funciona para quem faz a declaração completa. Portanto, diz Alberconi, essa opção é melhor para quem tem renda mais elevada, a partir de R$ 6 mil.

VGBL (Vida Gerador de Benefício Livre)

No plano de previdência do tipo VGBL, a pessoa não tem a vantagem de reduzir a base de cálculo do imposto. Por outro lado, o imposto recai apenas sobre o rendimento obtido e não sobre todo capital. É a melhor opção para quem faz a tabela simplificada do Imposto de Renda.

Descubra aqui como escolher entre as tabelas progressiva ou regressiva de Imposto de Renda na hora de fazer seu plano de previdência.

Vantagens dos planos de previdência

Especialistas consultados pelo UOL declaram que os produtos de previdência têm vantagens que podem fazer diferença na hora de juntar renda para o futuro, sobretudo à aposentadoria.

Benefícios tributários

Nos planos de previdência privada do tipo PGBL, a pessoa pode abater o investimento que faz do cálculo do Imposto de Renda. Já nos produtos do tipo VGBL, o imposto pago no resgate é cobrado apenas sobre o rendimento e não sobre o capital todo.

Esses fundos de previdência também não sofrem o evento do come-cotas, que leva uma parte do ganho do investidor duas vezes por ano. Essa mordida reduz o estoque do dinheiro —e assim, o rendimento dali por diante também é afetado. Entenda tudo sobre o come-cotas aqui.

Livre movimentação

Se o investidor quiser mudar a estratégia dentro dos fundos de previdência, ele consegue trocar de fundos sem pagar impostos. Se essa movimentação for feita fora dos planos de previdência, a cada saque a pessoa tem que recolher impostos, o que vai reduzindo o montante total.

Sucessão sem inventário

O dinheiro aplicado em planos de previdência não precisam passar por inventário. Isso traz uma maior economia em impostos para a família de herdeiros --os impostos variam de 4% a 8%, a depender da cidade, e mais outros 6% que costumam ser cobrados em honorários de advogados que fazem inventário.

    Trabalhador, empreendedor e profissional liberal

    Os analistas entrevistados afirmam que a renda também influencia na escolha pelo PGBL ou VGBL para quem é empreendedor ou profissional liberal. Nesses casos, a pessoa deve também ver o quanto tem de renda e se vale a pena fazer a declaração simplificada ou completa.

    No caso do empreendedor, vale avaliar a renda que entra via pró-labore. Já no caso do profissional liberal, o que deve ser considerado é a soma das notas fiscais emitidas.

    O diretor presidente da Viva Previdência, Silas Devai Jr, alerta liberais e empreendedores da necessidade de pagar o INSS para ter acesso ao benefício do PGBL, que só permite a redução de base de cálculo do Imposto de Renda se a pessoa contribuir para o INSS.

    Cuidado com as taxas

    Segundo os especalistas, os planos de previdência podem perder as vantagens que têm se o investidor não tomar cuidado com dois pontos: a taxa de administração e a liquidez.

    Taxa de administração

    Se a taxa de administração for muito elevada, ela vai comer o ganho extra ante outros produtos de investimentos fora da previdência.

    Segundo trabalho da casa de análises Empiricus com fundos de previdência conservadores —de renda fixa, por exemplo—, os fundos pós-fixados de baixísismo risco de crédito devem ser evitados se tiverem taxas acima de 1%. Já nos fundos de renda fixa de gestão mais diversificada em crédito privado, a taxa de administração não deve ir além de 1,5%.

    Liquidez

    Outros produtos, como fundos imobiliários (FIIs), de ações, multimercados ou mesmo títulos do Tesouro Direto —que podem funcionar como carteira de longo prazo para gerar renda na aposentadoria—, apresentam de maneira geral uma maior facilidade de resgate.

    Por isso, o investidor que optar pelos planos de previdência precisa ter sua reserva de emergência e planejar bem os prazos de aplicações para não ter que mexer na previdência antes da hora.

    Outros investimentos

    O investidor também pode usar outros produtos para compor a aposentadoria, como os fundos imobiliários (FIIs) e o Tesouro Direto, de acordo com os analistas.

    Fundos imobiliários

    Esses fundos podem garantir uma renda mensal por muitos anos, sem que a pessoa precise se preocupar com a aplicação. É como se fosse um aluguel de um imóvel. Mas essa estratégia requer cuidados na escolha dos fundos, no acompanhamento das carteiras e na estratégia de diversificação, destacam especialistas.

    Confira quanto juntar para receber R$ 2.000/mês para sempre no fundo imobiliário.

    Tesouro Direto

    Títulos do Tesouro também podem gerar uma renda passiva como forma de aposentadoria, porque possuem prazos longos, são protegidos da inflação e ainda há opções de papéis que pagam juros semestrais —ou seja, entregam uma renda de maneira regular, dizem especialistas.

    Acompanhe dicas para usar essa aplicação para sua aposentadoria.

    Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.