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Renda vitalícia: Títulos do Tesouro que garantem dinheiro a cada 6 meses

Veja como usar títulos do Tesouro Direto para montar uma carteira para a aposentadoria - iStock
Veja como usar títulos do Tesouro Direto para montar uma carteira para a aposentadoria Imagem: iStock
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

14/09/2021 04h00

Você quer ter uma renda passiva que dure a vida toda para uma aposentadoria mais confortável? É possível conseguir isso aplicando em renda fixa, no investimento mais seguro do país, o Tesouro Direto. Segundo consultores financeiros, os títulos públicos federais possuem prazos longos, são protegidos da inflação e ainda há opções de papéis que pagam juros semestrais, ou seja, entregam uma renda de maneira regular.

Uma simulação com dados deste mês mostra que é possível ter uma renda de R$ 2.000 por mês para sempre, investindo R$ 560 por 30 anos. Veja abaixo os cálculos dessa estimativa, quais são os melhores títulos para esse objetivo e como chegar lá.

4 motivos para usar o Tesouro Direto numa carteira de renda vitalícia

Segundo profissionais de mercado ouvidos pelo UOL, os títulos do Tesouro podem funcionar como fonte de renda vitalícia numa carteira de investimento de longo prazo por três motivos:

  1. Baixo risco: os títulos são emitidos pelo governo e, por isso, apresentam o menor risco de mercado, inferior, por exemplo, ao risco de não pagamento por parte de títulos de renda fixa emitidos por bancos e empresas.
  2. Aplicação de baixo valor: a partir de R$ 33,00, a pessoa já consegue fazer uma aplicação mínima num título do Tesouro Direto. Ou seja, não precisa ter já um grande capital acumulado para começar a poupança com foco no futuro.
  3. Proteção contra inflação: alguns dos títulos do Tesouro têm um rendimento calculado a partir da inflação. Ou seja, o ganho do aplicador vai ser igual a uma taxa de juros e mais a inflação medida pelo IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), o índice oficial de inflação do governo.
  4. Pagamentos de juros semestrais: alguns títulos do Tesouro pagam ao aplicador juros semestrais. Assim, a pessoa consegue sacar o ganho a períodos regulares, sem mexer no principal do capital aplicado.

Existem 3 tipos de títulos públicos

Tesouro Selic (também chamado de LFT): esse título tem um rendimento pós-fixado, ou seja, seu rendimento vai seguir a taxa básica de juros, a Selic, que hoje está em 5,25% ao ano.

Tesouro prefixado (também chamados LTN e NTN-F): nesse caso, o título tem um rendimento já combinado, ou seja, o aplicador sabe na hora da aplicação exatamente quanto vai receber de juros no vencimento sem depender de nenhum outro indicador, como Selic ou inflação.

Tesouro IPCA+ (também chamado NTN-B): esse título acompanha a inflação medida pelo IPCA, pagando uma taxa de juros, determinada na hora da aplicação, mais a variação do IPCA.

É possível receber os juros de 2 jeitos diferentes

Os títulos Tesouro Prefixado e Tesouro IPCA+ apresentam ainda uma subdivisão de acordo com a forma que pagam os rendimentos ao aplicador.

Com juros semestrais: o investidor recebe os juros do dinheiro aplicado a cada seis meses. O dinheiro principal que foi investido continua lá rendendo, mas os ganhos gerados em seis meses são pagos ao investidor.

Sem juros semestrais: os ganhos gerados pelos juros da aplicação vão se acumulando, e o investidor só recebe na data do vencimento, caso ele mantenha o título até essa data. Nesse caso, o bolo total cresce mais rapidamente pois os juros vão sendo calculados sobre uma base cada vez maior de dinheiro.

Opções para fazer renda no futuro?

Segundo consultores financeiros, os títulos que pagam juros semestrais são uma opção para montar uma renda regular no futuro.

Veja abaixo os títulos do Tesouro que pagam juros semestrais que atualmente estão sendo oferecidos pelo Tesouro Direto. Essas taxas, que variam a cada dia, são do último 10 de setembro.

  • Tesouro Prefixado 2031 (10,84% ao ano): paga juros em janeiro e julho
  • Tesouro IPCA+ 2030 (IPCA + 4,66% ao ano): paga juros em fevereiro e agosto
  • Tesouro IPCA+ 2040 (IPCA + 4,79% ao ano): paga juros em fevereiro e agosto
  • Tesouro IPCA+ 2055 (IPCA + 4,84% ao ano): paga juros em maio e novembro

Carteira com rendimentos pagos a cada 7 meses do ano a partir de 2030

Há aplicações que permitem que o investidor monte uma carteira com renda mensal, como fundos de previdência e fundos imobiliários, como você pode ver aqui. No Tesouro Direto, isso não é possível porque os juros são pagos semestralmente —e não mensalmente. A dica então é combinar papéis diferentes que pagam os juros semestrais em meses diferentes do ano.

Seguindo essa estratégia e considerando os títulos que pagam juros semestrais atualmente disponíveis no Tesouro Direto, o investidor pode ter rendimentos de juros semestrais nos meses de janeiro, fevereiro, maio, julho, agosto e novembro.

O primeiro passo é se organizar financeiramente para fazer aportes todos os meses nos títulos do Tesouro que pagam juros semestrais. Verifique qual é a quantia que você pode separar mensalmente para comprar Tesouro IPCA+ ou Tesouro Prefixado. Depois disso, entenda quando você deseja retirar aquela renda. Daqui 15, 20 anos? Até lá, reinvista todo o lucro que tiver com o seu investimento.
Bernardo Pascowitch, CEO e fundador do Yubb

Segundo Pascowitch, a pessoa pode manter todo o patrimônio em um único título. Mas como os juros são pagos semestralmente, aquele valor recebido a cada seis meses terá que durar até o próximo recebimento

Mais 4 dicas para usar o Tesouro Direto para ter renda para sempre

  1. Reinvista se não estiver sacando ainda: enquanto o aplicador não precisa da renda gerada pelos juros do título, vale reinvestir todo o dinheiro que receber. Dessa forma, o patrimônio será cada vez maior e sua renda no futuro será mais alta.
  2. Manter até o prazo final: tanto no Tesouro IPCA+ quanto no Tesouro Prefixado, é importante manter o investimento até o prazo final. Quem retira antes do vencimento pode receber um valor menor do que pagou. Isso porque as cotações desses papéis variam todos os dias, conforme as projeções de juros e de inflação na economia. No vencimento do prazo, não importa o que aconteceu no meio do caminho, o investidor vai receber exatamente o que foi acertado na hora da aplicação.
  3. Foque no longo prazo: os títulos do Tesouro que pagam juros semestrais possuem prazos longos. Para garantir uma renda no futuro é fundamental paciência e dedicação. Esses títulos não devem fazer parte da reserva de emergência.
  4. Faça aportes todos os meses: investir é uma questão de disciplina e dedicação. A meta de conquistar uma renda no futuro se torna viável com aportes todos os meses. Dessa forma, o patrimônio investido vai crescendo, e os juros compostos trabalham para acelerar o ganho de capital.

Na hora de fazer a alocação, a pessoa precisa considerar que o recurso não pode ser usado no meio do caminho. Como títulos atrelados ao IPCA longos oscilam, o valor de tela no Tesouro Direto não afeta o valor final a ser retirado se a aplicação ficar até o vencimento. Então, a dica é não se desesperar quando o título começa a variar com rendimento negativo e manter o papel para não realizar o prejuízo.
Vinicius Teixeira, chefe de conexão da Messem Investimentos

Fazendo uma simulação

Os títulos do Tesouro Direto são muitos, com diversos prazos, taxas e formas de pagamentos, com rendimentos que dependem de outras condições da economia, como inflação e taxa Selic. Além disso, cada aplicador tem seu horizonte de investimento antes de começar a usufruir dos rendimentos do capital que foi sendo acumulado.

Por tudo isso, consultores financeiros dizem que o cálculo de quanto investir a cada mês para conseguir uma renda para sempre no Tesouro Direto vai variar muito de pessoa para pessoa.

A planejadora financeira e conselheira da Planejar (Associação Brasileira de Planejamento Financeiro), Viviane Ferreira, fez uma simulação mais ampla, para dar uma ideia de valores a quem quer ter uma base.

Uma pessoa de 35 anos, para aposentar aos 65 anos, com uma renda de R$ 2 mil mensais para sempre, precisaria investir R$ 560 por mês, considerando uma taxa média de rendimento de 4% acima da inflação.
Viviane Ferreira, da Planejar

No nosso levantamento feito no último dia 10, há três títulos com rendimento de cerca de 4% acima da inflação: IPCA+ 2030, 2040 e 2055.

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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