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Veja 7 ações da Bolsa que devem crescer com verão e reabertura da economia

Reabertura da economia às vésperas da temporada de calor vai ajudar ações de empresas da indústria do turismo - Getty Images
Reabertura da economia às vésperas da temporada de calor vai ajudar ações de empresas da indústria do turismo Imagem: Getty Images
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

07/09/2021 04h00

A reabertura da economia nas principais cidades do país às vésperas da temporada de calor, com início da primavera agora em setembro e o verão, em dezembro, vai ajudar os negócios de várias empresas que estão sofrendo com o impacto da pandemia há quase um ano e meio.

Esse movimento deve favorecer as ações de diversas empresas que têm relação com a indústria do turismo, como as companhias aéreas, operadoras de turismo e de shows, concessionárias de estradas e até revendedoras de combustíveis, dizem profissionais de mercado. Veja abaixo sete ações que podem se beneficiar desse próximo verão e se vale a pena colocar esses papéis na carteira, segundo analistas.

Vacinação é a diferença em 2021

O Brasil já passou por uma onda de retomada da economia no último bimestre de 2020, quando a circulação de pessoas aumentou as vendas de diversos setores do turismo e lazer. Mas a segunda onda da covid-19 anulou todo o ganho e derrubou o faturamento das companhias. Dessa vez, destacam profissionais de mercado, a diferença é que temos vacina.

O percentual da população vacinada com pelo menos uma dose ultrapassou o patamar de 60% da população e o ritmo de novas doses aplicadas está entre 1,6 milhão e 2 milhões por dia.

"Agora, a retomada é muito mais sólida", diz o secretário de Turismo e Viagem do governo estadual paulista, Vinicius Lummertz.

Começando pelo doméstico

O aumento de gastos dos brasileiros na indústria do turismo nessa reta final de ano vai começar pelo turismo doméstico.

Isso vai acontecer por dois motivos: a maior parte dos aeroportos ainda está fechada para quem parte do Brasil para países como Estados Unidos e Argentina, que formam ao lado de Portugal os três principais destinos buscados pelos brasileiros. Além disso, o dólar está valorizado e encarece as viagens internacionais.

Esse movimento representa dinheiro direto na veia das empresas que atuam no setor. Só a expectativa de abertura já favorece as ações dessas empresas, já que muitos investidores se antecipam.
Rafael Antunes, sócio da Inove Investimentos

Veja 7 ações que vão se beneficiar nesse verão

Profissionais de mercado ouvidos pelo UOL listaram sete ações que devem se beneficiar da maior circulação dos brasileiros dentro do país, fazendo turismo, buscando lazer, entretenimento e viagens. Veja quais são:

  • Gol e Azul: as aéreas estão entre as empresas que mais sofreram com o impacto da pandemia na economia. Mas a malha aérea, que chegou a ser reduzida a praticamente zero em alguns meses de 2020, agora está perto de 70% do que havia em 2019.

A projeção da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) é que no final do ano 90% da malha esteja funcionando. Essas empresas têm maiores margens de lucros nos voos internacionais, é verdade, mas só o fato de voltar a voar com aviões lotados já justifica a retomada dos ganhos.

  • CVC: a maior empresa de turismo do Brasil e da América Latina é a única companhia desse setor com ação negociada em Bolsa. O grupo já vinha sofrendo antes mesmo da pandemia por causa de problemas internos.

Mas agora, totalmente capitalizada depois que novos acionistas injetaram R$ 1,1 bilhão na operação, a empresa vai nadar de braçada em um mercado em que é a única com escala realmente nacional para atender aos turistas.

  • Time For Fun: a promotora de shows e eventos teve que encolher de tamanho para atravessar a crise, mas conseguiu guardar caixa para aproveitar a volta do calendário de shows e eventos no Brasil. No exterior, os espetáculos e shows que começaram a ser vendidos têm ingressos esgotados muito rapidamente. Analistas acreditam que isso vai se repetir no Brasil.

Segundo o estrategista da RB Investimentos, Gustavo Cruz, a companhia ainda deve se aproveitar de outro fator: muitas atrações internacionais deverão ficar sem datas para apresentações no hemisfério norte com tantos artistas tentando a agenda que ficou para trás. Então mais turnês internacionais deverão passar pela América do Sul.

  • CCR: a companhia atua em três segmentos que foram afetados pela pandemia e que serão agora beneficiados pela retomada do turismo. Em concessões rodoviárias, a empresa administra negócios como a Rodovia Presidente Dutra, que liga as duas regiões metropolitanas mais importantes do País. Essas operações certamente serão beneficiadas, dizem analistas.

A companhia já está rodando com tráfego a níveis superiores a 2019. Em mobilidade urbana, opera transportes, como metrô em São Paulo e Salvador e o VLT no Rio. São negócios que já estão retomando o faturamento que havia antes da pandemia.

Mas o fluxo ainda está abaixo do que havia em 2019 e, portanto, há espaço para crescer, ainda que de forma não linear, destaca Gabriel Marzortto, sócio da Quasar e gestor do fundo Quasar Tropos FIA. Em aeroportos, a empresa opera o aeroporto internacional de Confins, em Belo Horizonte. Esse segmento de negócios da CCR ainda está sofrendo com a pandemia.

  • EcoRodovias: com 10 concessões em oito estados, a empresa tem 3 mil km de rodovias por onde trafegaram 352 milhões de veículos ano passado. Esse volume vai crescer nessa reta final de 2021 e 2022 com o turista que faz viagens curtas ou que ainda não quer viajar de avião.
  • Raizen: veículos precisam de combustíveis para circularem. E a empresa controlada pela brasileira Cosan e pela britânica Shell, que opera os postos Shell, vai se beneficiar do aumento de circulação de carros, ônibus e caminhões pelo país nessa temporada de reabertura da economia.

Hora de aplicar é agora?

Analistas ouvidos pelo UOL destacaram que muitas dessas ações sofreram desvalorização durante a pandemia e, por isso, algumas delas apresentam um preço interessante quando se analisam alguns indicadores, como porte do negócio, potencial de receitas e lucro em relação ao preço da ação.

Mas esses mesmos analistas reforçam a recomendação de investir em ações com objetivo de longo prazo. O sócio da Quasar, por exemplo, diz que monta as teses de suas carteiras olhando um horizonte de pelo menos três anos.

Com a volta da crise, o mercado vai se consolidar porque as líderes que são negociadas em Bolsa devem se beneficiar da retomada mais que as pequenas e médias. Mas destacamos que isso não é investimento que estamos olhando apenas para o verão e alta temporada.
Gabriel Marzortto, da Quasar

Participação na carteira

Outro ponto de atenção levantado por alguns profissionais é com relação ao peso que essas ações podem ter na carteira total de um investidor.

Quanto mais volátil o preço de uma empresa na Bolsa, menor deve ser a fatia desse papel nas aplicações da pessoa. Em especial para investidores que não tenham o perfil arrojado, com estômago para aguentar fortes oscilações sem se desesperar.

A Gol, por exemplo, chegou a cair para R$ 5,60 em março de 2020, depois superou os R$ 27,00 em dezembro de 2020, para hoje estar sendo negociada na casa de R$ 19. Antes da pandemia, a aérea era negociada a R$ 37,80.

A Azul, nesse mesmo período, oscilou entre R$ 10,35 e R$ 48,20, para hoje estar valendo ao redor de R$ 36. Antes da pandemia chegou a valer quase R$ 60,00.

Olhando o turismo como uma indústria ainda pouco explorada no Brasil em relação ao PIB, vale investir nesse segmento com foco no longo prazo, porque uma hora o verão acaba, o Carnaval passa e o investidor não deve ver isso como investimento de temporada.
Gustavo Cruz, estrategista da RB Investimentos

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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