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Com juros em alta, investimento isento de imposto deixa de valer a pena?

Alta da Selic influencia aplicações de renda fixa com e sem isenção de Imposto de Renda - Caio Borges
Alta da Selic influencia aplicações de renda fixa com e sem isenção de Imposto de Renda Imagem: Caio Borges
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João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

17/08/2021 04h00

A taxa básica de juros está subindo pela primeira vez desde 2016 e já atingiu 5,25% ao ano, o maior patamar em quase dois anos. Essa taxa, a Selic, é a base para calcular o rendimento de algumas das aplicações mais tradicionais entre os brasileiros, como poupança, Tesouro Selic, fundos de investimento DI e CDBs.

Como algumas dessas aplicações são isentas de Imposto de Renda e outras não, a pergunta que alguns investidores podem se fazer agora é: com a alta da Selic e o aumento do rendimento das aplicações de renda fixa, o investimento livre de impostos está perdendo vantagem? Veja as respostas abaixo, segundo profissionais de mercado e orientações sobre como comparar uma aplicação com outra.

Como a Selic influencia o rendimento das aplicações

A Selic é a taxa básica de juros. É a partir dela que são definidas taxas de juros dos empréstimos entre os bancos. A taxa média nessas transações forma o CDI, o Certificado de Depósito Interbancários. A Selic e o CDI servem de base definir o rendimento de algumas aplicações.

Veja alguns exemplos.

  • Poupança: rende hoje 70% da Selic. Assim, como a Selic hoje está em 5,25% ao ano, o rendimento da poupança atual é de 3,68% ao ano.
  • Tesouro Selic: rende 100% da Selic.
  • Fundos DI: um bom fundo DI vai acompanhar muito de perto o CDI.
  • CDBs, LCIs e LCAs: esses títulos que são emitidos pelos bancos apresentam a remuneração menor, igual ou maior que o CDI. Vai depender do banco e do prazo dos títulos. Normalmente, títulos com prazos mais longos e sem liquidez diária rendem mais de 100% do CDI.

Por que algumas aplicações são isentas de Imposto de Renda?

Olhando esses exemplos acima parece fácil escolher uma aplicação, certo? Basta ver qual oferece mais que o CDI. Mas é aqui que entra a questão do Imposto de Renda. Como algumas aplicações precisam pagar imposto, o investidor deixa uma parte do ganho com o governo.

Então é preciso colocar isso na conta. Mas antes de apresentar a lista das aplicações isentas de IR, veja por que algumas delas têm esse benefício, na explicação da educadora da Xpeed School by XP Inc., Clara Sodré.

No geral, os investimentos isentos de Imposto de Renda são aqueles ligados a setores que o governo deseja incentivar, como habitação, infraestrutura, setor imobiliário e agropecuário.
Clara Sodré, Xpeed School

Investimentos de renda fixa isentos de IR

Veja então alguns investimentos de renda fixa que são isentos do Imposto de Renda

  • Poupança: o dinheiro que fica depositado lá é usado pelos bancos para alimentar as linhas de crédito imobiliário. Quanto mais dinheiro na poupança, mais dinheiro disponível para empréstimos para compra de imóveis. Por isso, o governo estimula essa aplicação, isentando o produto do Imposto de Renda.
  • LCIs e LCAs: as LCIs são as Letras de Crédito Imobiliário, títulos emitidos por instituição financeira como garantia de empréstimos ao setor imobiliário. As LCAs são as Letras de Crédito do Agronegócio, papéis emitidos como garantia de empréstimos à agropecuária. O dinheiro aplicado nesses títulos é usado pelos bancos para abrir linhas de crédito para a construção civil e para projetos agrícolas e da pecuária.
  • CRIs e CRAs: os Certificados de Recebíveis Imobiliários (CRIs) e os Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) também são títulos que colocam o dinheiro do investidor no setor imobiliário e agropecuário, respectivamente. Mas diferentemente das LCIs e LCAs são emitidos pelas próprias empresas desses setores e não pelos bancos.
  • Debêntures incentivadas: são títulos emitidos por empresas que precisam de dinheiro para projetos de infraestrutura - saneamento, energia, estradas, portos e aeroportos, por exemplo. Para aumentar a oferta de recursos para essa área, o governo dá às debêntures incentivadas isenção de Imposto de Renda.

Como comparar aplicação isenta de IR com aplicação sem isenção?

Quando a Selic sobe, o rendimento de todos os produtos de renda fixa que acompanham essa taxa também passam a render mais. A aplicação que não paga IR vai aproveitar esse aumento de forma integral. Os investimentos que pagam imposto vão render mais, mas a parte que vai ficar com o governo também cresce, de maneira proporcional.

Então é preciso mesmo fazer a conta. E para isso, é preciso antes entender a diferença entre rendimento nominal e rendimento líquido. Veja abaixo.

  • Ganho nominal: é o rendimento oferecido pela instituição financeira para uma aplicação sem considerar os descontos.
  • Ganho líquido: é o rendimento do investidor depois de descontados todos os custos de uma aplicação. O imposto, por exemplo, come uma parte do ganho das aplicações em Tesouro Selic, CDBs e fundos DI.

No caso dos fundos DI, o investidor precisa ainda prestar atenção em outro custo, já que alguns bancos cobram uma taxa de administração desses fundos. Já existem diversas instituições financeiras que oferecem fundos DI com taxa de administração zero.

Como existem todas essas diferenças em relação a custos e impostos, o investidor deve sempre considerar, antes de aplicar o dinheiro, o rendimento nominal com o rendimento líquido. A dica então é sempre perguntar qual o rendimento líquido.
Bárbara Carmo, planejadora financeira da Planejar

Atenção com o prazo

Além de comparar o rendimento líquido, o investidor precisa checar se aquela aplicação não tem nenhuma barreira para sacar em qualquer data ou se o risco de perder é muito baixo ou não.

Um dinheiro que está sendo guardado para cobrir despesas não planejadas, por exemplo, não deve ir para um CDB que não tenha liquidez diária, por exemplo, destaca a planejadora financeira Bárbara Carmo.

Além disso, o prazo que o dinheiro vai ficar parado na aplicação também é importante no caso dos investimentos que pagam Imposto de Renda porque a alíquota -a parte do imposto a ser paga- também varia com o tempo. Veja abaixo.

  • Aplicação de 0 e 180 dias: 22,5% sobre o rendimento
  • Entre 181 e 360 dias: 20% sobre o rendimento
  • Entre 361 e 720 dias: 17,5% sobre o rendimento
  • Acima de 721 dias: 15% sobre o rendimento

Exemplo comparando aplicações isentas e não do IR

Veja então uma simulação feita pela educadora da Xpeed School by XP Inc., Clara Sodré para os leitores do UOL.

Ela considerou uma aplicação de R$ 1.000,00 para o período de um ano, mas em aplicações que têm liquidez. Nesse caso, o imposto seria 20% sobre o rendimento. Se uma aplicação rendeu R$ 52,50, por exemplo, o IR seria de R$ 10,50.

Veja abaixo quanto cada uma dessas aplicações dariam após um ano, já descontados impostos no caso das aplicações que pagam o tributo.

  • Tesouro Selic: R$ 1.040,23 (taxa líquida média de 4,02%), após pagar 20% de IR
  • Poupança: R$ 1.042,75 (taxa líquida média de 3,68%), isenta de IR
  • Fundos DI sem taxa de administração: R$ 1.042,08 (taxa líquida média de 4,21%), após pagar 20% de IR e sem taxa de administração
  • CDB a 120% do CDI: R$ 1.050,49 (taxa líquida média de 5,05%), após pagar 20% de IR
  • LCI e LCA a 98% do CDI: R$ 1.049,98 (taxa líquida média de 5%), isentas de IR

Devido à diversidade de aplicações, muitos investidores, em especial iniciantes, acabam optando por aplicações que são isentas por acharem que vão dar mais dinheiro sem fazer a comparação antes.
Clara Sodré, Xpeed School

Este material é exclusivamente informativo, e não recomendação de investimento. Aplicações de risco estão sujeitas a perdas. Rentabilidade do passado não garante rentabilidade futura.

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