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Fila de espera para comprar moto zero cai, mas ainda é de 30 dias

Expectativa da Abraciclo é que fila seja normalizada até o final do ano - iStock
Expectativa da Abraciclo é que fila seja normalizada até o final do ano Imagem: iStock

Giuliana Saringer

Do UOL, em São Paulo

04/05/2022 04h00

Desde o início da pandemia, a indústria de motos enfrenta dificuldades para dar conta da demanda. Quem quer comprar uma moto de baixa cilindrada zero-quilômetro precisa enfrentar fila de espera de, em média, 30 dias. No pior momento, o tempo de espera já chegou a 45 dias.

Existem cerca de 80 mil unidades na fila para serem entregues aos clientes. Para os modelos de média e alta cilindradas, não existe fila de espera.

Marcos Fermanian, presidente da Abraciclo (Associação Brasileira dos Fabricantes de Motocicletas, Ciclomotores, Motonetas, Bicicletas e Similares), afirma que antes da pandemia não existia fila e que as medidas de isolamento social e dificuldades causadas pela covid-19 trouxeram desafios para a atuação do setor.

"Sofremos muito com o início da pandemia. Manaus, que é um polo de produção de motos, foi muito afetada e ficamos sem produção em março e abril de 2020. Em 2021, também tivemos dificuldades na segunda onda da pandemia", afirma Fermanian.

A queda na produção somada ao aumento da demanda por motos fez com que a fila começasse a se formar. Fermanian afirma que o aumento aconteceu pelo desempenho do e-commerce em 2020, incentivando que mais pessoas buscassem motos para trabalhar.

Mais recentemente, os altos preços dos combustíveis estão incentivando que mais pessoas busquem a moto como meio de transporte.

"A necessidade de encontrar um veículo que tenha um consumo de combustível menor ampliou essa demanda. As motos começaram a ser uma alternativa para quem quer gastar menos na hora da compra e na hora de encher o tanque no posto", afirma Fermanian.

O que consumidor pode fazer

Apesar de a média ser de 30 dias, existem brasileiros que estão esperando muito mais tempo para conseguir uma moto. Um morador de Cuiabá (MT), que não quis ser identificado na reportagem, conta que comprou uma moto zero-quilômetro em 26 de janeiro deste ano e até hoje não recebeu a moto.

O prazo inicial de entrega era de 90 dias. Depois de algum tempo, a empresa entrou em contato para dizer que o novo prazo seria de 120 dias, o que frustrou o cliente.

Quando fez a compra, decidiu vender uma moto que já tinha para conseguir comprar a nova, na esperança de que o prazo fosse cumprido. O cliente disse à reportagem que a nova moto é seu sonho de consumo e, por causa da demora na entrega, está indo ao trabalho a pé.

David Guedes, advogado da área de relacionamento do Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor), diz que o consumidor que sofrer uma situação parecida pode buscar por seus direitos.

Se essas empresas estão anunciando um determinado prazo para disponibilização dos veículos para os consumidores que estão nessas filas, elas precisam cumprir esse combinado.
David Guedes, advogado do Idec

Para evitar problemas, a orientação é que o consumidor sempre registre as condições anunciadas na oferta, como prazos, preços e condições de pagamento.

Vale tirar prints, fotos ou conseguir essas informações com a empresa por escrito. Assim, se tiver algum problema com o prazo, estará documentado para resolver o mais rápido possível.

Caso as empresas não respeitem o prazo combinado, o consumidor pode exigir o cumprimento forçado da oferta, o que significa que a concessionária precisa disponibilizar a moto comprada imediatamente.

Se não for possível resolver diretamente com a empresa, a orientação é acionar os órgãos de defesa do consumidor, como o Procon (presencialmente ou pela internet) e a Senacon (Secretaria Nacional do Consumidor) pelo site oficial.

"Caso não consiga resolver perante esses órgãos, o consumidor ainda pode acionar o Judiciário para que se cumpra a oferta realizada pela empresa, nos termos da legislação vigente", afirma Guedes.

Ao ser questionado sobre prazos maiores do que 30 dias, como o caso do cliente de Cuiabá, Fermanian afirma que o setor está se esforçando para dar conta da demanda.

"De um lado temos a pressão de custos, questões logísticas mais complexas, mas o que mais queremos é atender o consumidor. Infelizmente a pandemia trouxe um impacto que dura até hoje, ainda não conseguimos recuperar essa diferença", afirma Fermanian.

Fila deve acabar neste ano

"Estamos nos empenhando para concluir a fila nesse ano. Nossa perspectiva é nos próximos meses ter mais flexibilidade na nossa produção", afirma Fermanian.

Hoje as fábricas continuam trabalhando com medidas de distanciamento entre os trabalhadores, para manter a segurança contra a covid-19.

Motos estão mais caras

Com a inflação, o preço das motos aumentou nos últimos meses.

Uma pesquisa realizada pela KBB Brasil (Kelley Blue Book), empresa especializada em precificação de veículos, mostra que os modelos 2022 de motos zero-quilômetro tiveram alta de 1,01% no preço em março. Os modelos 2021 registraram um aumento de 0,77% no mês.

"Em 2022, já vimos alguns modelos com aumento entre 4% e 10%", afirma Fermanian.