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'Espiões' de Bolsonaro na Petrobras miram em diretores, diz jornal

Bolsonaro discursa em evento em refinaria da Petrobras - Alan Santos
Bolsonaro discursa em evento em refinaria da Petrobras Imagem: Alan Santos

Do UOL, em São Paulo

17/05/2022 10h17Atualizada em 17/05/2022 13h36

Executivos da cúpula da Petrobras dizem que ex-militares indicados pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) atuam como "espiões" na companhia, aumentando a pressão para a troca de diretores. As informações são da colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo.

Na semana passada, Bolsonaro exonerou o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, mas o plano seria substituir os diretores do financeiro, tecnologia e de relações institucionais da Petrobras, além do presidente José Mauro Coelho, segundo Malu Gaspar.

O grupo de "espiões" de Bolsonaro é formado por Carlos Victor Nagem e o Angelo Denicoli, além do gerente-executivo de segurança Ricardo da Silva Marques, assessores alocados em postos-chaves da Petrobras. Internamente, os três são conhecidos como "dedos-duros de Bolsonaro".

Segundo o jornal O Globo, eles recebem salários de cerca de R$ 55 mil mensais.

Ricardo da Silva Marques foi quem repassou a Bolsonaro, no auge da pandemia, um documento falsamente atribuído ao TCU (Tribunal de Contas da União), que supostamente demonstrava que 50% das mortes de covid em 2020 teriam ocorrido em função de outras doenças.

A colunista Malu Gaspar diz que, de acordo com os relatos de quatro executivos e ex-executivos, quem mais trabalha pela troca dos diretores de relações institucionais e de tecnologia são Nagem, conhecido como "capitão Victor", e Denicoli, major da reserva.

Quem está na mira dos "espiões"

Um dos nomes que Bolsonaro quer substituir é Rafael Chaves, diretor de relações institucionais da Petrobras, que está ligado ao ex-presidente Roberto Castello Branco. Na opinião de Nagem, Chaves não é confiável.

Segundo a colunista Malu Gaspar, o próprio Bolsonaro já queria demitir Chaves desde que o general Joaquim da Silva e Luna assumiu o comando da Petrobras. Porém, Silva e Luna o promoveu a diretor.

Na área de tecnologia, o candidato preferido de Bolsonaro é Paulo Palaia, ex-diretor da Gol, amigo pessoal de Denicoli e bolsonarista. Em março de 2021, o presidente tentou levar Palaia ao cargo, mas o comitê interno da Petrobras escolheu o atual diretor Juliano Dantas.

Também está na mira, segundo a publicação, o diretor financeiro e de relações com investidores, Rodrigo Araújo, o único que lida diretamente com o cálculo de preço dos combustíveis.

O UOL procurou a Secretaria de Comunicação da Presidência e a Petrobras para se manifestar sobre o assunto e aguarda retorno. Caso haja resposta, este texto será atualizado.