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Reino Unido vai taxar lucros de empresas de petróleo para ajudar famílias

Ministro das finanças do Reino Unido, Rishi Sunak estima que imposto levantará cerca de 5 bilhões de libras (R$ 30 bilhões)  - Pippa Fowles/AFP
Ministro das finanças do Reino Unido, Rishi Sunak estima que imposto levantará cerca de 5 bilhões de libras (R$ 30 bilhões) Imagem: Pippa Fowles/AFP

Colaboração para o UOL*, em São Paulo

26/05/2022 11h51Atualizada em 26/05/2022 14h47

O governo do Reino Unido vai impor uma taxa provisória de 25% sobre lucros das empresas de petróleo e gás, com o objetivo de financiar medidas de apoio aos britânicos que enfrentam aumento no custo de vida.

O anúncio foi feito pelo ministro das finanças Rishi Sunak nesta manhã, estimando que o novo imposto sobre as companhias de energia levantará cerca de 5 bilhões de libras (aproximadamente R$ 30 bilhões). Esse montante financiará doações únicas de 650 libras (R$ 3.900) para mais de 8 milhões das famílias em situação de vulnerabilidade no Reino Unido.

O governo espera que o recurso possa atenuar as dificuldades que muitas pessoas enfrentam com uma inflação elevada, que chegou a 9% em abril, um recorde nos últimos 40 anos —e com previsão de chegar a 13% ainda neste ano, segundo a AFP.

"Sabemos que as famílias estão sendo duramente atingidas agora", declarou o ministro das Finanças. "O apoio fiscal deve ser oportuno, direcionado e temporário."

Sunak também afirmou que há possibilidade de aplicar a taxa sobre os lucros inesperados das empresas geradoras de energia, mas essa ideia segue em avaliação. Mesmo assim, o ministro ressaltou que a medida pode acabar gradualmente, conforme a queda dos preços de energia no mercado mundial.

A expectativa é que cerca de 8 milhões de pensionistas receberão pagamentos de 300 libras (R$ 1,8 mil), enquanto as contas de energia também serão subsidiadas em 400 libras (R$ 2,4 mil) para cada família. O pacote vale 15 bilhões de libras (R$ 90 bilhões) no total, segundo Sunak. Dessa maneira, o apoio total será elevado para 37 bilhões de libras (R$ 224 bilhões), informou a Bloomberg.

Divergências

Por outro lado, o Parlamento teme que a crise no padrão de vida dos britânicos provoque graves impactos no cenário político e, por essa razão, muitos ministros percebem uma certa pressão em torno do novo imposto que aliviaria o drama da população.

Sunak já manifestou seu receio quanto a essas medidas. Ele afirmou que foi destinada a quantia de 22 milhões de libras para atender às demandas das camadas empobrecidas diante da elevada inflação, no entanto, os sindicatos e as associações de combate à pobreza alegaram que o montante ainda é insuficiente.

O primeiro-ministro Boris Johnson e seus ministros se opõem a uma nova taxa sobre as empresas de energia, alegando que essa iniciativa pode ser um obstáculo para investimentos no setor, especialmente para o avanço da energia renovável e a transição para a neutralidade de carbono.

Os membros do Partido Conservador temem perder o apoio popular para o seu principal rival, o Partido Trabalhista, especialmente depois que uma pesquisa feita em dezembro pela companhia YouGov tenha mostrado aumento expressivo no número de apoiadores do grupo esquerdista. As críticas aos conservadores também se agravaram com o escândalo de festas ilegais em Downing Street durante a pandemia de covid-19, envolvendo Boris Johnson e membros de seu gabinete.

Em entrevista ao canal SkyNews, Stephen Barclay, um alto funcionário do governo, afirmou hoje que o anúncio do imposto de 25% sobre as empresas de energia não tem o objetivo de abafar a polêmica sobre a quebra dos protocolos de segurança sanitária. Ele apontou que a taxa é uma resposta a um alerta da Ofgem, departamento britânico de gás e eletricidade, a respeito de possíveis aumentos das tarifas de energia em outubro.

De acordo com comunicado da Ofgem na terça-feira (24), o preço máximo de energia pode ultrapassar a faixa de 40% em outubro, custando pelo menos 800 libras (R$ 4,8 mil) a mais por ano por domicílio. Parte do problema também foi provocado pelo aumento do preço do petróleo, em razão da invasão militar do governo russo na Ucrânia.

*Com informações de AFP.