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Prévia da inflação acelera a 0,69% em junho e atinge 12,04% em 12 meses

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Imagem: Getty Images

Do UOL, em São Paulo

24/06/2022 09h26Atualizada em 24/06/2022 13h40

O IPCA-15 (Índice Nacional de Preços ao Consumidor - Amplo 15), considerado uma prévia da inflação oficial (IPCA), acelerou para 0,69% em junho, após registrar 0,59% em maio. Os dados foram divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). O resultado ficou acima do esperado por economistas ouvidos pela agência de notícias Reuters (0,62%). Em junho de 2021, a taxa foi de 0,83%.

Considerando o acumulado dos últimos 12 meses, o índice tem alta de 12,04%, bem acima da meta do BC (Banco Central) para a inflação neste ano, de 3,5%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos —ou seja, variando entre 2% e 5%. No ano, o IPCA-15 acumula alta de 5,65%.

Diesel sobe, mas combustíveis caem

Todos os grupos de serviços e produtos subiram na prévia do mês. O maior impacto foi dos Transportes, apesar de a inflação do grupo ter desacelerado de 1,8% em maio para 0,84% em junho. De acordo com o IBGE, a desaceleração se deve à queda de 0,55% no preço dos combustíveis, ante alta de 2,05% no mês anterior.

Os combustíveis recuaram, no geral, mas o diesel registrou alta. Veja como ficaram os preços:

  • Diesel: +2,83%
  • Gasolina: -0,27%
    Etanol: -4,41%

Em 12 meses, o diesel acumula alta de 51,04%, enquanto a gasolina subiu 27,36%, e o etanol, 21,21%.

Passagem aérea fica 123% mais cara em 12 meses

Além do diesel, no grupo de transportes, as passagens aéreas registraram forte alta, de 11,36%, fazendo a inflação chegar a 123,26% em 12 meses. Isso significa que os preços mais do que dobraram.

Ainda nessa categoria, subiram o seguro de carro (4,2%), as motos (1,66%), os automóveis novos (1,46%) e os automóveis usados (0,12%).

Aumento dos planos de saúde pesa na inflação

Maior reajuste em 22 anos, o reajuste de até 15,5% dos planos de saúde individuais, autorizado pela ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar) no final de maio, teve reflexo na prévia da inflação em junho.

Os custos dos planos de saúde saltaram 2,99%, exercendo o maior impacto individual sobre o IPCA-15 do mês e levando o grupo Saúde e cuidados pessoais a um avanço de 1,27% no mês.

Além disso, houve alta de 1,38% nos produtos farmacêuticos.

Conta de luz cai

Nos itens de habitação, a alta foi puxada pela taxa de água e esgoto (4,29%), consequência dos reajustes aplicados em Belém, São Paulo e em Curitiba.

O gás encanado subiu 2,04%, e o de botijão caiu 0,95%. Em 12 meses, os dois tipos de gás subiram cerca de 29%.

Também de destaca a queda de 0,68% na conta de luz. A partir de 16 de abril, passou a valer a bandeira verde, em que não há cobrança adicional na conta de luz. Desde setembro de 2021, estava em vigor a bandeira escassez hídrica, com acréscimo de R$ 14,20 a cada 100 kWh consumidos.

Inflação de alimentos e bebidas desacelera

O grupo Alimentação e bebidas (0,25%) desacelerou, após subir 1,52% em maio. O resultado teve influência dos alimentos para consumo no domicílio, que saíram de 1,71% em maio para 0,08%. O leite longa vida, por exemplo, que havia subido 7,99% em maio, registrou 3,45% de alta em junho.

Além disso, houve quedas nos preços da cenoura (-27,52%), do tomate (-12,76%), da batata-inglesa (-8,75%), das hortaliças e verduras (-5,44%) e das frutas (-2,61%).

No campo de alimentação fora do domicílio, a alta também foi menos intensa na passagem de maio (1,02%) para junho (0,74%), principalmente por causa do resultado do item lanche, que registrou alta de 1,1%, frente à variação de 1,89% no mês anterior. Já refeição (0,7%) apresentou resultado acima do registrado em maio (0,52%).

Em 12 meses, porém, alimentação e bebidas subiram 13,84%.

Todos os grupos de produtos e serviços subiram

As roupas lideraram as altas na prévia de junho. Os principais destaques foram as roupas femininas (2,52%), masculinas (1,97%) e infantis (1,51%), além dos calçados e acessórios (1,19%). Juntos, esses itens contribuíram com 0,08 ponto percentual no índice do mês.

Veja a prévia da inflação por categoria:

  • Vestuário: 1,77%
  • Saúde e cuidados pessoais: 1,27%
  • Artigos de residência: 0,94%
  • Transportes: 0,84%
  • Habitação: 0,66%
  • Despesas pessoais: 0,54%
  • Comunicação: 0,36%
  • Alimentação e bebidas: 0,25%
  • Educação: 0,07%

Como é calculado o IPCA-15?

O período de coleta de preços, que acontece em estabelecimentos comerciais e de prestação de serviços, concessionárias de serviços públicos e domicílios (para levantamento de aluguel e condomínio), vai do dia 14 de abril a 13 de maio.

São considerados nove grupos de produtos e serviços: alimentação e bebidas; artigos de residência; comunicação; despesas pessoais; educação; habitação; saúde e cuidados pessoais; transportes e vestuário. Eles são subdivididos em outros itens. Ao todo, são consideradas as variações de preços de 465 subitens.

O IPCA-15 mede a inflação para que parcela da população?

O índice abrange famílias com rendimento mensal de 1 a 40 salários mínimos, qualquer que seja a fonte de rendimentos, e residentes nas áreas urbanas das regiões metropolitanas de São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre, Curitiba, Salvador, Recife, Fortaleza e Belém, além do Distrito Federal e do município de Goiânia.