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Líder da bancada evangélica cita erros de Bolsonaro e Guedes: 'Povo sofre'

Colaboração para o UOL, em Brasília

24/06/2022 10h15Atualizada em 24/06/2022 12h40

Líder da bancada evangélica, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL-RJ) aponta erros do governo do presidente Jair Bolsonaro (PL), de quem é aliado político, e afirma que o ministro da Economia, Paulo Guedes, não precisa ser 100% liberal. A estratégia, adotada desde a concepção do plano de governo do mandatário, busca atrair apoio do mercado.

"Josias é muito feliz quando diz erros do presidente. Acho que os erros do atual governo estão em especial na economia. Precisa de ajustes urgentes, para ontem, na questão do dólar e dos preços do combustível", opinou, após pergunta do colunista do UOL Josias de Souza.

"Há momento para tudo. Paulo Guedes não precisa ser 100% liberal num momento em que temos guerra no mundo. Quem sofre na ponta é o povo brasileiro. Precisamos de equilibro na economia para controlar o dólar", disse em entrevista ao UOL News, com críticas aos governos dos ex-presidentes Dilma Rousseff (PT) e Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A declaração ocorreu no mesmo dia em que o Comitê de Elegibilidade da Petrobras avaliará se o comunicador Caio Mário Paes de Andrade, indicado por Bolsonaro, pode ou não se tornar presidente da estatal. O presidente e seus aliados têm criticado as políticas de lucro da estatal, que é alvo de um pedido de abertura de CPI na Câmara dos Deputados.

Datafolha entre evangélicos

Sóstenes também comentou sobre os resultados da pesquisa Datafolha, divulgada ontem, em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece com 19 pontos de vantagem sobre o presidente, marcando 47% das intenções de voto no primeiro turno. Bolsonaro tem 28%, seguido à distância por Ciro Gomes (PDT), com 8%. A contagem regressiva de 100 dias para o pleito começa nesta sexta-feira (24).

No segmento evangélico (26% da população), Bolsonaro ampliou um pouco a vantagem e deixou o empate técnico, no limite, com Lula.

Sóstenes diz que espera que a avaliação do presidente entre esse grupo deve melhorar ainda mais ao longo das próximas divulgações.

"Tudo pode mudar de um dia para o outro. Os erros do governo atual precisam de ajustes na economia, na questão do dólar e do preço dos combustíveis. O governo está tentando ajustar isso", afirma.

Com críticas a Lula, o deputado afirmou que a eleição deve ser definida "por quem errar um pouco menos" e disse considerar "desastrosas" as declarações públicas do petista. "Errar todo mundo erra. Os dois estão errando", disse o congressista.

Bancada evangélica não queria Ribeiro no MEC

Segundo Sóstenes, a indicação do ex-ministro da Educação Milton Ribeiro não foi da foi da Frente Evangélica nem uma iniciativa pessoal de Bolsonaro, mas sim indicação do ministro André Mendonça, do STF (Supremo Tribunal Federal). O congressista afirmou ainda que o comentário do presidente da República sobre colocar "a cara no fogo" foi um voto de confiança ao ex-auxiliar.

"Ele quis proteger um subordinado. Quando você nomeia uma pessoa acredita na idoneidade dela. Ninguém nomeia alguém em que não confia. Acho que a fala dela foi um erro porque ele é muito espontâneo em sua live. Mas foi um erro. É um episodio lamentável, inclusive para nós do segmento evangélico. O MEC é uma pasta muito cara, muito importante. Contudo, a prisão de Milton Ribeiro foi uma medida excessiva e sem fundamentação jurídica. Por isso ela não se sustentou", disse.

O atual reitor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), Anderson Ribeiro Correia, era o mais cotado à pasta pelo grupo. Ribeiro pediu para deixar o cargo depois de denúncias de corrupção envolvendo favorecimento a pastores, que faziam parte de um gabinete paralelo, reveladas pelo Estadão.

Assista à entrevista completa no UOL News: