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Dove cria serviço de cadeiras de praia para pessoas com 'corpos diversos'

À direita, a cadeira de tamanho "normal"; as outras são as criadas pela Dove - Divulgação
À direita, a cadeira de tamanho 'normal'; as outras são as criadas pela Dove Imagem: Divulgação

Renato Pezzotti

Colaboração para o UOL, em Piracicaba (SP)

17/02/2023 08h01

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Segundo um estudo realizado pela Dove, marca de cuidados pessoais da Unilever, 51% de pessoas com deficiência (PCD) e 42% de pessoas gordas e "fora do padrão" já deixaram de frequentar as praias por limitações de estrutura.

Pensando nisso, a marca promoverá, na praia do Leme, no Rio de Janeiro, o "Espaço Dove - Um Lugar ao Sol", até o dia 7 de março. O local terá diferentes serviços de acessibilidade, como:

  • empréstimo gratuito de cadeiras de praia mais largas e com maior capacidade de peso,
  • cadeiras anfíbias para cadeirantes entrarem no mar,
  • banheiros mais espaçosos e não-binários, e
  • rampas de acesso à areia.
dove - Divulgação - Divulgação
"Espaço Dove - Um Lugar ao Sol", no Rio, funcionará até o dia 7 de março
Imagem: Divulgação

Para utilizar o serviço, as pessoas precisarão realizar um cadastro por meio de um QR code disponibilizado nos pontos e um pagamento de uma caução, que garanta a devolução dos produtos dentro do prazo.

Além do ponto principal, no Leme, as cadeiras poderão ser alugadas em outros três pontos, em Copacabana, Ipanema e no Leblon. Com o fim do projeto, em março, as cadeiras serão entregues a donos de barraca nas praias do Rio para que o uso seja perene ao longo do ano.

A Dove também apresentou um projeto que tem como objetivo uma transformação na indústria, com o protótipo de uma cadeira de praia maior, mais larga e segura.

Roda de conversas

Nos dias 26 de fevereiro e 5 de março, o espaço no Leme ainda receberá rodas de conversas e DJs, com entrada gratuita ao público.

No dia 26, acontece o bate papo "Julgamentos alheios: como impactam na forma como nos vemos", com o Movimento Corpo Livre e Lelê Martins. No dia 5 de março, é a vez da conversa "Gordofobia não é crime?", com o projeto Gordas na Lei.

Nossa missão é questionar a sociedade sobre os padrões estabelecidos e sobre a maneira como ela enxerga corpos marginalizados. Quando vemos que a praia, que deveria ser o mais democrático e acessível, na realidade, não corresponde a isso, temos um problema e precisamos priorizar a criação de espaços inclusivos
Paula Paiva, líder de Digital e Mídia de Dove

Outros dados da pesquisa

A pesquisa "Dove Um Lugar ao Sol", realizada pelo Instituto Ideia, ouviu 1636 pessoas, homens e mulheres, de 18 a 60 anos, em janeiro deste ano, para medir a percepção da população sobre acessibilidade e inclusão nas praias. 37% das mulheres (25% dos homens) afirmaram que já deixaram de frequentar a praia ou piscina por causa do corpo.

Dentro dos mesmos critérios, 109 PCDs e 148 pessoas gordas e consideradas "fora do padrão" foram ouvidas com objetivo de passar informações específicas sobre os desafios de aproveitar o verão à beira do mar.

Veja outros números:

Obesos e pessoas com sobrepeso

  • 56% dos entrevistados acreditam que pessoas obesas e com sobrepeso deixam de frequentar a praia por problemas de acessibilidade,
  • 24% dos entrevistados que se declaram obesos ou com sobrepeso afirmam que já deixaram de ir à praia por falta de cadeiras adequadas ao seu corpo,
  • 16% dos entrevistados que se declaram obesos ou com sobrepeso afirmam que já deixaram de ir à praia por falta de estrutura adequada para acesso ao mar.

PCDs

  • 50% de pessoas PCD já deixaram de ir à praia por falta de estrutura de locomoção até o mar,
  • 48% já deixaram de ir à praia por não se sentirem seguros em banheiros públicos,
  • 42% já deixaram de ir à praia por falta de rampa de acesso.