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Dono das marcas que muitos desejam: quem é o homem mais rico do mundo

Bernard Arnault é dono da Louis Vuitton - REUTERS/Gonzalo Fuentes
Bernard Arnault é dono da Louis Vuitton Imagem: REUTERS/Gonzalo Fuentes

Do UOL, com informações da DW

04/04/2023 11h36

Elon Musk não durou muito como a pessoa mais rica do mundo. Um ano após alcançar o topo da lista, ele foi ofuscado pelo bilionário francês Bernard Arnault, de 73 anos, segundo analistas da revista Forbes. A fortuna de Arnault foi avaliada em US$ 221 bilhões (cerca de R$ 1,1 trilhão).

Arnault é cofundador, presidente e CEO da LVMH Moet Hennessy Louis Vuitton, comumente chamada de LVMH. A holding é a maior acionista do grupo empresarial e tem a maioria dos direitos de voto na empresa de capital aberto.

Um império de luxo

A LVMH é um conglomerado com sede em Paris composto por 75 marcas independentes, sobretudo de bebidas, alta-costura e cosméticos. Em 2021, a holding gerou uma receita de 64,2 bilhões de euros (R$ 358,8 bilhões), 20% a mais do que em 2019. Moda e artigos de couro representaram 48% da receita.

Com mais de 175 mil funcionários e 5,5 mil lojas, a companhia ostenta o título de maior conglomerado de luxo do mundo.

Comparado com outros nomes da lista dos mais ricos do mundo, Arnault é relativamente discreto e pouco conhecido fora da França.
No entanto, as subsidiárias da empresa são tudo menos discretas e incluem muitas marcas tradicionais como Bulgari, Dior, Fendi, Givenchy e, claro, Louis Vuitton.

Elas também possuem a varejista Sephora e lojas de departamento em Paris. A marca mais antiga da empresa é a produtora de vinhos Château d'Yquem, fundada no final do século 16.

Nos Estados Unidos, Arnault ganhou os holofotes em 2019 ao comprar a famosa joalheria Tiffany & Co. por quase US$ 16 bilhões.

Na Alemanha, ele também ganhou as manchetes no início de 2021, quando assumiu o controle acionário da Birkenstock — embora ainda não esteja muito claro como a fabricante de sandálias pode se transformar em uma marca de luxo.

Bolsas que rendem bilhões

Arnault nasceu no norte da França, perto da fronteira belga. Depois de se graduar em engenharia, ele ingressou na construtora de seu pai. Lá, ele se concentrou em desenvolvimento imobiliário e logo alcançou a presidência da companhia.

Em 1984, ele assumiu um negócio falido que incluía marcas como Christian Dior e a loja de departamentos Le Bon Marché. Era sua incursão no mercado de luxo.

Em 1987, a LVMH foi então formada pela fusão da Louis Vuitton e da Moet Hennessy. Em uma aquisição agressiva, ele conseguiu se sobrepor até ser nomeado presidente do conselho de administração executiva em 1989 — cargo que mantém desde então.

Após se tornar o único chefe, Arnault passou décadas comprando vários bilhões de euros, adquirindo uma empresa após a outra.
Muitas das marcas eram mal administradas e já estavam obsoletas, levando-o a buscar uma administração mais moderna e contratar jovens designers para impulsionar os negócios.

Supostamente conhecido como "B.A." dentro da empresa, Arnault foi descrito como o "Senhor do Logos" pela crítica de moda Suzy Menkes em um perfil do jornal International Herald Tribune de 1999. Ela também desvendou o segredo do sucesso do empresário francês desde aquela época.

"O objetivo é ser contemporâneo, moderno, fazer com que as marcas falem uma linguagem universal", escreveu Menkes na ocasião. "E Arnault insiste que manter a individualidade e singularidade de cada marca é a preocupação primordial, dentro de uma estrutura corporativa simplificada."

Segundo a crítica de moda, essa estratégia permitiu que cada marca mantivesse um certo grau de independência e se tornasse mais profissional.

A empresa tem se concentrado em expansão, principalmente por meio do crescimento na Ásia, seu maior mercado, seguida por Estados Unidos e Europa. Sua propaganda de luxo é ambiciosa, oferecendo itens mais baratos, como cintos, chapéus ou qualquer outra coisa que comporte seu logo, a fim de atrair compradores mais jovens e fisgá-los.

Não menos importante, Arnault acreditou no poder da internet. Quando tudo começou a migrar para o mercado online, assim fez a LVMH, e isso sem perder sua aura de exclusividade. Atualmente, muitas das marcas já têm lojas virtuais e sites suntuosos, e não têm mais medo de exibir seus preços abertamente.