Conteúdo publicado há 9 meses

Demitido após foto com refrigerante chega à nova empresa: 'Toda liberdade'

A fábrica de refrigerantes da Dydyo, em Porto Velho (RO), celebrou hoje a contratação do homem demitido da empresa rival, a Frisky, após aparecer em uma foto com garrafas da Dydyo. As marcas comercializam bebidas na região Norte.

O que aconteceu

A Dydyo contratou Keoma Messias de Oliveira, de 27 anos, ex-operador de máquinas de rótulos da Frisky, após a história de sua demissão vir à público.

Me deram toda a liberdade possível [para consumir refrigerantes de outras marcas] e não falaram em nenhuma regra. Agora, estou pronto para vestir essa nova camisa e crescer aqui dentro da empresa, fazer cursos e ter um ótimo desempenho profissional."
Keoma Messias de Oliveira, na recepção que recebeu da Dydyo

O novo funcionário da Dydyo foi até a fábrica da empresa, em Porto Velho, neste sábado. Vestiu a camiseta da Dydyo, tirou fotos com futuros colegas e deu entrevistas. Ele estava acompanhado do filho Oliver, de 2 anos de idade, e da esposa Rosy Ianosky.

A Dydyo disse que Keoma foi contratado para o setor de logística e que vai trabalhar na cidade de Ariquemes (RO), onde ele mora. O trabalho deve começar na próxima semana. A empresa não revelou qual o salário do novo funcionário.

A contratação ocorreu após inúmeros pedidos pelas redes sociais. "Contrata o Keoma. Eu, que sou de Recife, passei a conhecer a marca por causa dele", escreveu uma pessoa. "Vamos fechar essa história com chave de ouro e ganhar vários fãs para a marca de vocês!", afirmou outra.

Eu quero é trabalhar, tudo bonitinho, assinadinho e ter uma renda para sustentar minha família. Estou muito feliz com a recepção e impressionado com a estrutura da Dydyo aqui em Porto Velho. E muito alegre por poder trabalhar em minha cidade, Ariquemes."

Vou [usar o primeiro salário para] sair para me divertir com minha esposa e meu filho. Eles merecem! Também preciso pagar algumas contas que estão atrasadas, além do aluguel."

Após a demissão da Frisky, Keoma ficou cinco meses desempregado, sem renda fixa, vivendo de bicos.

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O que me deixou chateado depois que fui demitido é que ninguém da empresa [Frisky] me perguntou o motivo de ter outro refrigerante na festa do meu filho. Ninguém veio saber o que aconteceu. Mas há males que vem para o bem, e só tenho a agradecer todos que me apoiaram, escreveram mensagens pedindo minha contratação pela Dydyo. Soube que o celular da empresa travou de tantas marcações no Instagram e Facebook."

Relembre o caso

Refrigerante Dydyo teria sido a causa da demissão de Keoma Messias de Oliveira, de 27 anos, que trabalhava para a marca concorrente, Frisky
Refrigerante Dydyo teria sido a causa da demissão de Keoma Messias de Oliveira, de 27 anos, que trabalhava para a marca concorrente, Frisky Imagem: Arquivo Pessoal

Keoma foi demitido após a festa de aniversário do filho. Em uma foto do evento, a família aparece ao lado do bolo, com refrigerantes da Dydyo ao lado.

Após a festa, Keoma foi chamado ao RH da Frisky e demitido. A empresa alegou que ele tinha baixo desempenho. O ex-funcionário afirma, porém, que nunca havia recebido nenhuma crítica no trabalho.

A festa de aniversário foi um presente da irmã de Keoma. Ele diz que foi ela quem comprou os refrigerantes da Dydyo.

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A foto da família na mesa de aniversário foi enviada a um grupo de colegas de trabalho no WhatsApp. A ideia era mostrar a comemoração, que acontecia em um fim de semana, fora do horário e local de trabalho.

A imagem chegou ao conhecimento da empresa. Os colegas de trabalho de Keoma contaram que o dono teria ficado bravo e teria mandado demitir o funcionário.

Ação judicial

A demissão gerou uma ação por danos morais, que tramita na 2ª Vara do Trabalho de Ariquemes. O valor da causa é de R$ 32.430,20, o equivalente a 20 vezes o salário do funcionário demitido.

A Frisky foi condenada. O juiz afirma na decisão que não há provas de que a demissão foi devido à foto, mas entendeu que houve indícios. A empresa não apresentou motivos para o desligamento e citou apenas o direto de demitir e admitir. "Não houve alegação e demonstração específica de redução de quadro, não havendo apresentação de documentos a respeito", escreveu o magistrado.

Juiz fixou indenização em R$ 7 mil. O valor é mais do que quatro vezes o salário que Keoma recebia, de R$ 1.621,51. O juiz cita as condições em que ocorreu o caso, o grau de dolo ou culpa, a não ocorrência de retratação espontânea, a ausência de esforço efetivo para minimizar a ofensa, a ausência de perdão tácito ou expresso, a situação social e econômica das partes envolvidas, o grau de publicidade da ofensa e o caráter pedagógico.

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Cabe recurso à decisão. O prazo se encerra neste mês.

Frisky x Dydyo

As marcas têm abrangência regional. A Femar, responsável pela marca Frisky, informa em seu site que vende os produtos em Rondônia, Acre e Mato Grosso. A Dydyo comercializa em Rondônia, Amazonas e Acre.

Garrafa de 2 litros custa de R$ 4 a R$ 5. O preço torna os produtos das duas marcas acessíveis para a população.

Tem refri até de graviola. A Dydyo investe em sabores diferentes, como graviola e framboesa. Ambas têm os sabores de cola, laranja, uva, guaraná, limão, e tubaína.

Já a dona da Frisky também produz e comercializa as marcas de Sucos Tampico, Água Mineral Puragua e Energético Blue Ray.

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