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Zeina Latif: Mudar meta é ruim do ponto de vista da reputação do governo

O presidente Lula (PT) descartar a possibilidade de meta fiscal com déficit zero para 2024 sinaliza um "desgaste" com os planos do ministro da Fazenda Fernando Haddad, disse a economista Zeina Latif durante participação no UOL News da manhã desta terça-feira (31).

Na última sexta (27), Lula descartou o plano em café com jornalistas. Ele disse que o objetivo "dificilmente será cumprido" e se dá porque o mercado é "ganancioso".

A primeira coisa é: em algum momento, acho que havia essa percepção de que a meta seria mudada, a conta-gotas, aos poucos ou conforme viessem reavaliação de receitas e despesas. A forma como está sendo apresentada, sendo do Lula e depois o ministro Haddad não conseguir fazer um discurso convincente, foi ruim.

Acabou de anunciar uma meta, um arcabouço fiscal, o jogo mal começou sem nenhuma proposta para conter despesa e já está mudando a meta. Do ponto de vista da reputação do governo, da credibilidade fiscal do governo, toda a forma foi muito ruim.

Para ela, faltou diálogo e uma forma melhor de anunciar que essa meta não seria cumprida.

O que se espera de um governante é essa capacidade de diálogo, de mostrar os números, de fazer o devido enfrentamento e dialogar com a sociedade. Digamos que você vai colocar essa agenda e não consegue aprovar rapidamente porque é um longo percurso para isso, mas a sinalização já seria muito importante.

Quando a gente fala dessas questões fiscais, não é só o número, a letra fria ali, a projeção para aquele ano, mas, também, é a sinalização. É o compromisso com o melhor uso dos recursos públicos.

Tem um sinal do ponto de vista da força política do ministro que foi questionada, ainda que não seja um quadro extremo. Se está mudando a meta, é um desgaste. A fala do Lula não foi de acalmar, não foi algo do tipo: 'Olha, talvez seja difícil, mas vamos trabalhar para entregar a meta e sabemos o tamanho do desafio'. Foi algo do tipo: 'O mercado é muito ganancioso'.

A forma importa, não só o conteúdo. Não vai ser, necessariamente, um divisor de águas, mas não dá para gente dizer que é totalmente inócuo.

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