Conteúdo publicado há 3 meses

Carrefour é condenado a indenizar empregada demitida após denunciar racismo

A 2º Vara do Trabalho de São Paulo condenou a rede Carrefour a indenizar em R$ 15 mil uma funcionária que foi demitida após ter denunciado racismo e xenofobia praticados contra ela por uma colega dentro do ambiente de trabalho. Cabe recurso.

O que aconteceu:

Na ação, a funcionária afirma que levou o caso para seu supervisor e ao setor de recursos humanos, mas o problema não foi solucionado. A vítima então acionou o disque denúncia da empresa e registrou boletim de ocorrência na polícia por injúria racial, momento em que o Carrefour abriu uma investigação para apurar os fatos.

Posteriormente, a empresa demitiu a funcionária acusada de praticar as ofensas, a vítima e uma outra empregada que, segundo a Justiça, participou das denúncias. Na decisão, a juíza Sandra dos Santos Brasil entendeu que o desligamento da funcionária ofendida foi decorrente da iniciativa dela em denunciar o preconceito sofrido.

O Carrefour negou que o desligamento da funcionária ofendida tenha sido decorrente da iniciativa dela em denunciar a situação de intolerância vivenciada dentro da empresa, mas a justificativa não foi acatada pela magistrada. A rede pode recorrer da decisão.

O fato de a autora ter sido dispensada gera a presunção de que a denúncia acabou prejudicando a manutenção de seu emprego. Tal circunstância desestimula a utilização do canal disponibilizado pela própria ré a seus empregados. Sandra dos Santos Brasil, juíza do Trabalho

O UOL procurou o Carrefour para pedir um posicionamento, mas não obteve retorno. O espaço segue aberto para manifestação.

Outros casos

A rede Carrefour já registrou outros casos de racismo em suas unidades. Em maio deste ano, duas pessoas negras foram agredidas por funcionários da empresa por, supostamente, furtarem sacos de leite em pó.

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Em abril deste ano, Vinícius de Paula, marido da jogadora da seleção brasileira de vôlei Fabiana Claudino, acusou o Carrefour Brasil de racismo na unidade Alphaville, em São Paulo. Vinícius é negro.

Também em 2023, a professora Isabel Oliveira ficou apenas com roupas íntimas em uma unidade do mercado Atacadão, em Curitiba, para denunciar racismo que teria sofrido de um segurança. O Atacadão é do grupo Carrefour.

Em 2020, João Alberto, 40 anos, morreu após ser espancado por dois seguranças no estacionamento do Carrefour, na unidade da zona norte de Porto Alegre. A vítima também era negra.

Após os casos de racismo em suas dependências, o Carrefour chamou de "lamentáveis" esses episódios e reafirmou a sua "tolerância zero com o racismo". O Carrefour disse ainda que prestou "respeito e solidariedade" aos ofendidos.

O grupo disse que seu compromisso "vai além do discurso" e citou que nos últimos dois anos implementou mais de 50 ações antirracistas, e tem o "maior projeto de bolsas de graduação, mestrado e doutorado para pessoas negras", além de ofertar curso para agentes de segurança antirracistas, bem como o Programa Racismo Zero, em parceria com a Universidade Zumbi dos Palmares.

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