Itaú e Inter: 'nenhuma marca tem a propriedade exclusiva sobre uma cor'

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Após o anúncio de nova marca do Itaú para celebrar seus 100 anos, comentários no X (ex-Twitter) apontaram para a semelhança com o logo do banco Inter —que, inclusive, postou um meme famoso com a frase. "Pode copiar, só não faz igual":

O que aconteceu?

A nova marca do Itaú abandona o azul e assume o laranja, que já era usado em sua comunicação desde os anos 1990.

Para chegar à nova identidade visual, foram 22 meses de estudo, com análise de 70 cores e 100 tipos de fontes diferentes, sob a consultoria estratégica da empresa americana Pentagram.

Além disso, o banco lançou uma grande campanha publicitária para divulgar seu novo posicionamento, com a presença de nomes como Madonna, Fernanda Montenegro, Ronaldo Nazário, Ingrid Silva e Marta - assista ao filme, lançado ontem, abaixo.

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Plágio ou propriedade histórica?

A reportagem de UOL Mídia e Marketing ouviu especialistas em construção de marca para avaliar o movimento. Para eles, a coincidência do tom laranja existe, assim como Bradesco e Santander usam uma tonalidade muito próxima do vermelho. Mas eles enxergam a legitimidade do movimento:

Nenhuma marca tem propriedade sobre uma cor, mas o Itaú inaugurou o laranja no segmento financeiro. Os consumidores fazem, há tempos, essa conexão direta em pesquisas de opinião.

O Itaú é soberano no uso do laranja há muito tempo --até muito antes do Banco Inter operar no mercado. Qualquer estudo mostrará que a 'propriedade perceptual' do alaranjado é do Itaú.
Jaime Troiano, presidente da consultoria TroianoBranding

Uma boa identidade de marca vai além do seu logo. O Itaú é a marca mais valiosa da América Latina, segundo ranking recente da consultoria Brand Finance. A mudança se atentou aos detalhes: a forma de seu novo símbolo é única e reúne referências da história de empresa.

O ponto principal é que nenhuma marca tem a propriedade exclusiva sobre uma cor ou uma forma simples. Muitas das peças publicitárias do Itaú, por exemplo, nem precisavam de um logo para o consumidor ver que se tratava dele.
Beto Guimarães, CEO da consultoria Interbrand

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É tendência ser clean e se concentrar nas iconografias originais e históricas da marca. As estratégias de branding privilegiam cada vez mais a simplificação e naturalidade dos sinais. Marcas como Burger King, Volkswagen, Nissan e Mastercard passaram, recentemente, por um rebranding que incluiu a simplificação de seus logos.

[O Itaú] Simplificou os componentes e fez uma ligação direta do logo como mancha, dentro de uma tendência já antiga de simplificação em um mundo muito recortado que vivemos.
Luis Bartolomei, CEO da CBA B+G

Cadê o laranja?

Existe até uma anedota no nosso meio sobre a cor de maior identificação do Itaú não estar presente em seu logo. Bom, agora está. Por isso acho muito esquisito de repente tanta gente afirmando que laranja é a cor do banco Inter. Me parece que há outro erro nessa comparação. As pessoas pegaram o ícone de aplicativo do banco Inter e compararam com o logotipo do Itaú, que desde 1972 inclui uma forma semelhante em sua composição principal.
Johnny Brito, especialista em design da agência Ana Couto

Assista ao comercial "Bem-vindos aos próximos 100 anos", do Itaú, lançado ontem (07), e desenvolvido pela agência Africa Creative:

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Não deixe de ler

Caboré 2023
Na última segunda-feira, aconteceu a edição 2023 do Caboré, principal prêmio da publicidade brasileira. Os destaques foram os prêmios para Africa, que levou o troféu na categoria Agência; Itaú, escolhido como Anunciante do Ano e Marina Daineze, da Vivo, escolhida como principal profissional de marketing.

Crescimento
Um estudo do Cenp-Meios, divulgado nesta semana, apontou que o mercado publicitário registrou investimentos de R$ 14,9 bilhões em compra de mídia nos primeiros 9 meses do ano. É um crescimento de 9,8% em relação aos R$ 13,6 bilhões divulgados no mesmo período de 2022. A internet segue em alta: os investimentos em digital alcançaram R$ 5,6 bilhões, ampliando seu share de 36,9%, no 1º semestre, para 38%, no acumulado dos 9 meses do ano.

Racismo
A marca de produtos de limpeza Ypê foi acusada de racismo por instalar uma escultura de uma mão segurando um limpador multiuso em uma rua de Salvador (BA). A Química Amparo, dona da marca Ypê, publicou nota dizendo que a escultura remete ao "icônico personagem norte-americano Mãozinha, de 'A Família Addams'", que aparece em comerciais da marca em uma campanha publicitária desde outubro.

Dança das cadeiras
Duas das principais agências de publicidade do país passaram por mudanças em suas lideranças nesta semana. Renata Bokel será a nova CEO da WMcCann em março de 2024, data em que André França, atual CEO, deixará a operação. Fernando Diniz, até então coCEO da DPZ, será o novo comandante da Leo Burnett Tailor Made, no lugar de Marcelo Reis.

Melhores comerciais
O AdAge já publicou sua lista dos "40 melhores comerciais" do ano. O primeiro lugar do ranking foi para a campanha publicitária de lançamento do filme Barbie, da Mattel.

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