Refino de petróleo no Brasil cai pela primeira vez desde 2008, diz ANP

Marta Nogueira

RIO DE JANEIRO, 19 Jan (Reuters) - O volume de petróleo refinado no Brasil caiu em 2015 ante o ano anterior pela primeira vez desde a crise internacional de 2008, informou nesta terça-feira (19) a agência reguladora do setor de petróleo (ANP), enquanto o país sofre sua maior recessão econômica em décadas, com reflexo na demanda por combustíveis.

O país processou 724 milhões de barris no ano passado, uma queda de 5,8% em relação a 2014, apesar da Petrobras ter iniciado a operação de uma refinaria construída por ela no fim de 2014, o que não ocorria há 34 anos.

Com isso, a produção de derivados de petróleo no Brasil também teve sua primeira queda anual desde 2008, com retração de 6,3% ante 2014, totalizando 745 milhões de barris.

O cenário de 2015 mostrou mudança em relação aos anos anteriores, quando a Petrobras operava seu parque de refino com capacidade máxima, diante de um aumento do consumo de derivados.

A entrada da nova refinaria da Petrobras em Pernambuco, chamada Rnest e também conhecida como Abreu e Lima, entre novembro e dezembro de 2014, contribuiu com uma menor dependência externa principalmente de diesel, seu principal produto, mas não se refletiu no aumento do processamento de petróleo no país.

A Rnest tem capacidade para processar 115 mil barris de petróleo por dia (bpd), mas apenas esteve liberada ao longo do ano para refinar 74 mil bpd, já que não terminou a construção de um equipamento de mitigação de emissão de gases.

No ano, a Rnest processou 23,11 milhões de barris. Em dezembro, o volume total foi de 2,28 milhões de barris, ou o equivalente a 73,7 mil bpd.
O processamento da Refinaria de Paulínia (Replan), a maior do país, caiu 4,6% no acumulado de 2015 ante o ano anterior, para 144 milhões de barris. Em dezembro, a unidade que tem capacidade para processar 415 mil bpd refinou 361 mil bpd.

Greve dos funcionários

Além da recessão econômica, o parque de refino da Petrobras também sofreu impactos da greve dos funcionários da companhia em novembro, que atingiu grande parte de suas unidades.

No início deste mês, duas fontes e um sindicato de petroleiros informaram à Reuters que um atraso no retorno à atividade da Refinaria Presidente Bernardes (RPBC), em Cubatão, São Paulo, após a greve, além de uma atividade de manutenção, teriam causado falta de combustíveis no Nordeste.

Os dados da ANP mostram que apesar da refinaria ter registrado aumento expressivo de 20% do processamento de petróleo em dezembro ante o mês anterior, o volume de petróleo refinado não alcançou os níveis pré-greve. 

Em dezembro, a RPBC processou 105,2 mil bpd, ante 90,5 mil bpd em novembro e 156 mil bpd em outubro. A refinaria de Cubatão tem capacidade para processar 178 mil bpd.

O sindicato das distribuidoras de combustíveis (Sindicom), que representa cerca de 80% do volume de distribuição de combustíveis e lubrificantes no Brasil, publicou na semana passada uma queda das vendas de combustíveis de 3,4% em 2015, primeiro recuo ante o ano anterior desde 2005.

Na avaliação do Sindicom, a queda das vendas pode ser explicada pela menor atividade econômica e pela redução do consumo das famílias. A ANP, que considera todo o mercado, ainda não publicou seus dados de vendas de combustíveis em 2015.

(Edição de Gustavo Bonato) 

Basta cavar para achar petróleo?

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