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Vale considera vender fatia em siderúrgica por US$ 1, dizem fontes

Por Tatiana Bautzer e Guillermo Parra-Bernal

  • Moacyr Lopes/Folhapress

SÃO PAULO, 1 Abr (Reuters) - A Vale está finalizando uma proposta para sair da deficitária unidade brasileira produtora de aço CSA (Companhia Siderúrgica do Atlântico), uma parceria com a alemã ThyssenKrupp, disseram duas fontes à agência de notícias Reuters nesta sexta-feira (1º).

A mineradora brasileira estaria visando concentrar suas atividades no negócio principal de mineração, segundo as fontes, que pediram anonimato para falar sobre o assunto..

De acordo com o plano, a Vale venderia sua fatia de 26,87% na CSA para a ThyssenKrupp por US$ 1, disse uma das fontes. A mineradora concordaria ainda em assumir 10% das contingências da CSA, de acordo com os termos da proposta, adicionou a mesma fonte.

A CSA que, como a Vale, tem sede no Rio de Janeiro, divulgou que tinha 2,6 bilhões de euros em obrigações totais no fim do ano fiscal de 2015.

A ThyssenKrupp está ciente de que a proposta está a caminho, e as negociações com a Vale estão "em seus estágios finais", disse uma segunda fonte à Reuters. As empresas não quiseram comentar o assunto.

A intenção da Vale de sair do projeto de investimento estrangeiro mais caro da história do Brasil por uma quantia simbólica é o mais novo sinal de como a siderúrgica uma vez aclamada se tornou um problema para Vale e ThyssenKrupp, a qual tentou vender a unidade deficitária sem sucesso nos últimos anos.

A CSA viu os custos de produção dispararem em meio à inflação alta, variação do dólar e instabilidade política que colaboraram para levar o Brasil a uma recessão profunda.

As fontes dizem que os direitos exclusivos da Vale para fornecer minério de ferro e pelotas para a usina serão mantidos.

A Vale também quer o chamado período de reserva, conhecido em inglês como "tail period", o que daria à mineradora direitos sobre eventual venda de bens e negócios por um prazo de dez anos, disse a primeira fonte.

Projeto começou sob pressão

A mineradora entrou no projeto após enfrentar pressões políticas para diversificar as atividades de transformação, como aço ou fertilizantes.

Em 2009, o partido governista, o PT, pressionou a Vale a ampliar a parcela na CSA a partir dos 10% iniciais, com o projeto sofrendo atrasos e severos gastos.

A siderúrgica, construída por US$ 10 bilhões, foi inaugurada com alarde no ano seguinte, em uma cerimônia que contou com a presença do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e várias outras autoridades.

Desde que começou a operar em 2010, a CSA tem sido afetada por um excedente global no mercado de placas de aço que pressiona as suas margens e limita o uso da capacidade.

A saída da CSA aconteceria com a Vale lutando com o impacto da queda nos preços do minério de ferro.

O presidente-executivo da companhia, Murilo Ferreira, disse, recentemente, que a empresa estava considerando a venda de negócios para reduzir a dívida em US$ 10 bilhões em um período de 18 meses. Fatias em siderúrgicas estariam entre os negócios menos prioritários.

A CSA, que tem uma capacidade de produção total de 5 milhões de toneladas ao ano, exporta placas que podem ser processadas em outra usina da ThyssenKrupp no Alabama, nos Estados Unidos.

Nos doze meses até setembro, a CSA perdeu quase 400 milhões de euros, mostraram dados da empresa.

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