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Imobiliárias miram setor econômico, mais resistente à crise

Juliana Schincariol

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O segmento de preços econômicos de imóveis tem se mostrado a melhor alternativa para corretores e imobiliárias, uma vez que deve continuar em 2016 com vendas e lançamentos melhores que os imóveis voltados para os médio e alto padrões.

"Eu diria que em 2015 (o segmento econômico) representou pelo menos uns 25% do volume vendido por nós e acho que este ano este volume deve subir. Este ano deve passar de 30%", afirmou o vice-presidente comercial da Abyara Brokers, imobiliária paulistana do grupo Brasil Brokers, Bruno Vivanco.

Segundo ele, o número de corretores imobiliários da Abyara voltados para o setor cresceu 20% de 2015 para 2016, principalmente devido ao recuo do segmento de médio e alto padrão, que segue pressionado pela alta dos juros e baixa confiança do consumidor. Hoje, cerca de 800 profissionais atendem o segmento econômico na Abyara.

São Paulo

Dados da imobiliária mostram que do total de imóveis lançado na cidade de São Paulo em 2015, cerca de 29% foram imóveis econômicos (até R$ 250 mil), ante 14% um ano antes. Já a parcela de imóveis com preço médio acima de R$ 500 mil caiu de 45% em 2014 para 24% no ano passado.

"O segmento econômico tem um conjunto de lançamentos para 2016 e 2017 bastante intenso em toda a região metropolitana de São Paulo, e até no interior", afirmou Vivanco.

Segundo ele, as incorporadoras podem lançar cerca de 10 mil unidades na região este ano, um número ligeiramente superior a 2015.

Rio de Janeiro

No Estado do Rio de Janeiro são 45 mil corretores imobiliários ativos e a fatia que passou a trabalhar com o segmento econômico passou para 25% a 30%, de acordo com o diretor do Conselho Regional dos Corretores de Imóveis do Rio de Janeiro (Creci-RJ), Laudimiro Cavalcanti. A proporção praticamente dobrou em relação a 2014, quando era de 15%.

"O corretor vai procurar o mercado que está mais aquecido, e para esta área (econômica) ele está aquecido. O corretor não está conseguindo comercializar o luxo, a classe média", disse Cavalcanti.

Esta proporção não deve mudar ao longo do ano, na visão do diretor, que acredita que a crise econômica e política vai durar mais quatro ou cinco meses. "Eu acredito que vamos retomar o mercado para a classe média, alta", afirmou.

Minha Casa, Minha Vida

Um dos pilares da venda de imóveis econômicos são os empreendimentos do Minha Casa, Minha Vida.

No ano passado, a faixa 1 do programa habitacional --cuja maior parte era subsidiada pelo governo federal-- não teve contratações e algumas empresas migraram para as faixas 2 e 3, que com as novas regras passaram a ter limites de renda de R$ 3.600 e R$ 6.500, respectivamente.

"No segmento de incorporação, nosso foco (em 2016) será em intensificar os esforços de venda e acelerar o lançamento de empreendimentos MCMV 2 e 3, em que a demanda continua forte e podemos aproveitar nosso modelo industrializado de construção com baixo custo", disse a Direcional Engenharia, em seu relatório de resultados divulgado em meados de março.

No ano passado, a empresa teve aumento de 95% nos lançamentos de empreendimentos para o programa habitacional Minha Casa Minha Vida, e queda de 39% para a média e alta renda.

Mesmo em uma situação melhor do que segmentos de perfil mais alto, a venda de imóveis econômicos também encontra entraves, com maior restrição de concessão de crédito pela Caixa Econômica Federal e um comprador um pouco mais indeciso para efetivar a compra, de acordo com a arquiteta Mariliza Fontes Pereira, do escritório especializado no segmento popular MD.Oito, que atua em São Paulo e Rio de Janeiro.

"Não deixou de ter visitas nos stands (de vendas de imóveis). Mas antes, de 10 visitas, a gente fechava, 7 ou 8 compras. Hoje, são 4 ou 5. As pessoas estão com medo (de comprar) ou o crédito delas não atende as exigências da Caixa", disse.

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