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Varejo no Brasil cai mais que o esperado em março e tem pior 1º tri da série histórica

Rodrigo Viga Gaier e Camila Moreira

RIO DE JANEIRO/SÃO PAULO (Reuters) - A fraqueza nas vendas de supermercados, móveis, eletrodomésticos e combustíveis levou o varejo brasileiro voltar a cair com força em março, levando o setor a fechar o primeiro trimestre com o pior resultado histórico em meio às crises política e econômica.

As vendas no varejo recuaram 0,9% em março, resultado mais fraco para o mês desde 2003 (-2,4%), após alta de 1,1% em fevereiro em dados revisados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) nesta quarta-feira (11).

Com isso, o setor fechou os três primeiros meses do ano com queda de 7%, pior leitura trimestral desde o início da série histórica em 2000. Na comparação com março de 2015, houve perda das vendas de 5,7%.

Os resultados foram bem piores do que o esperado em pesquisa da agência de notícias Reuters, que apontava expectativa de recuos de 0,5% na base mensal e de 4,5% na anual.

Entre as atividades pesquisadas, o destaque em março segundo o IBGE ficou para Hipermercados, supermercados, produtos alimentícios, bebidas e fumo, setor com maior peso na estrutura do comércio varejista, cujas vendas recuaram 1,7% em março sobre o mês anterior, após alta de 0,8% em fevereiro.

Também pesou a queda de 1,1% em Móveis e eletrodomésticos, que tinham registrado aumento das vendas de 6,1% em fevereiro. A atividade Combustíveis e lubrificantes apresentou perda de 1,2% em março, contra ganho de 0,3% em fevereiro.

"Houve forte influência dos hipermercados, refletindo a perda real da renda e a elevação do preços de alimentos, que são um item básico no orçamento das pessoas", explicou a economista do IBGE Isabella Nunes, destacando que os ganhos visto em fevereiro foram "um ponto fora da curva".

No varejo ampliado --que inclui veículos e material de construção-- o volume de vendas recuou 1,1% sobre o mês anterior, com quedas de 0,5% de Veículos e motos, partes e peças e de 0,3% de Material de construção.

As incertezas políticas somadas à recessão vêm agravando a falta de confiança de consumidores e empresários, num ambiente de aumento de desemprego e queda da renda, mantendo o setor varejista sob pressão.

Nesta quarta-feira, o Senado vota a admissibilidade do impeachment da presidente Dilma Rousseff, o que deve culminar com o afastamento dela do cargo por até 180 dias.

Em abril, a confiança do consumidor brasileiro medida pela Fundação Getulio Vargas caiu pelo segundo mês, atingindo o menor nível da série histórica.

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