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Lucro líquido do BNDES mais que dobra para R$ 6,4 bi no 3º tri, puxado por créditos tributários

SÃO PAULO (Reuters) - O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) teve lucro líquido de R$ 6,414 bilhões no terceiro trimestre de 2016, mais que o dobro em relação aos R$ 3,124 bilhões apurados no mesmo período do ano passado, impulsionado por créditos tributários.

O banco de fomento utilizou no período créditos tributários de R$ 4,514 bilhões sobre o estoque de provisão para risco de empréstimos, que totalizou R$ 11,6 bilhões ao final de setembro.

Com isso, o BNDES reverteu o prejuízo de R$ 2,174 bilhões apurado no primeiro semestre, acumulando lucro de R$ 4,24 bilhões entre janeiro e setembro de 2016, saldo 36,1% menor ante igual intervalo um ano atrás.

Reserva para calotes 

As provisões de perdas com inadimplência (dívidas em atraso) somaram R$ 7,008 bilhões de janeiro a setembro, ante R$ 666,7 milhões no mesmo período de 2015. O montante inclui provisão de R$ 5,27 bilhões de reais com "impairments".

"Isso nos dá um conforto e estamos bem provisionados para eventuais desastres ou crises que possam acontecer no fim do ano", disse o diretor de controladoria do BNDES, Ricardo Baldin, em teleconferência com jornalistas.

A adoção dessa prática foi uma determinação da nova gestão do banco que pretende ser mais clara e mais transparente nas suas operações, disse Baldin. "Nós desenvolvemos metodologia interna e vamos aplicar a cada trimestre considerando a situação da economia e repetiremos isso sempre", acrescentou.

"A nova administração pretende ser conservadora, pretendemos ser transparentes e achamos por bem fazer o que os outros bancos fazem, que é a provisão complementar", afirmou a superintendente da área, Vania Borgerth.

"Esperamos uma recuperação da economia e talvez essas provisões não sejam necessárias no futuro", afirmou Baldin. "Se as empresa melhorarem, o Brasil melhorar e a estrutura de risco melhorar é claro que vamos reverter essa provisão. Temos muita esperança de recuperação da economia...se vai ser em dezembro ou ano que vem não sabemos dizer", acrescentou a superintendente.

Crédito tributário

Baldin afirmou que o BNDES não espera que o cálculo de crédito tributário ocorra no resultado do quarto trimestre diante da soma realizada no terceirto trimestre.

A taxa de inadimplência de operações vencidas há mais de 30 dias atingiu 1,96 por cento no final de setembro, ante 0,06 por cento no fim de dezembro de 2015, "refletindo a retração da economia", afirmou o BNDES.

De acordo com os executivos do banco, esse nível de inadimplência está entre os maiores da história recente do BNDES. "Não me lembro a última vez que esteve nesse nível e isso faz tempo", disse Baldin.

No recorte das operações vencidas há mais de 90 dias, o índice de inadimplência do BNDES subiu de 0,02% no fim de 2015 para 0,21% no final de setembro.

O índice de Basileia do BNDES terminou setembro em 19,4% ante 16,1% ao fim de junho e 14,7% em dezembro de 2015, superando a marca de 10,5% exigida pelo Banco Central.

(Por Rodrigo Viga Gaier, edição Alberto Alerigi Jr.)

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