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JBS é alvo de operação da PF por suspeita de uso indevido de informações privilegiadas

Por Paula Arend Laier e Ana Mano

SÃO PAULO (Reuters) - A Polícia Federal deflagrou nesta sexta-feira operação envolvendo a JBS e a FB Participações para apurar se houve uso indevido de informações privilegiadas por parte das empresas em transações de mercado financeiro ocorridas entre abril e maio de 2017, de acordo com comunicado da PF.

Segundo a Polícia Federal, a ação, batizada "Tendão de Aquiles", foi coordenada com a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e contemplou três mandados de busca e apreensão nas empresas do grupo JBS e quatro mandados de condução coercitiva -- um dos quais ficou pendente porque o alvo não foi localizado, ao passo que os demais foram levados para a sede da PF em São Paulo e já foram liberados.

A operação apreendeu documentos, mídias, telefones celulares e informações de HDs, informou a PF em nota durante a tarde.

A J&F, que controla a empresa de alimentos, e a JBS afirmaram em nota mais cedo que foram entregues os materiais e documentos solicitados durante a operação na sede das companhias, mas não deram detalhes sobre os mandados de condução coercitiva.

"A companhia segue colaborando e está à disposição das autoridades para quaisquer esclarecimentos necessários", afirmou.

As ações da empresa de alimentos fecharam em queda 2,67 por cento na bolsa paulista, a 7,28 reais, ante queda de 0,87 por cento do Ibovespa.

A investigação, segundo a PF, apura a venda de ações de emissão da JBS na bolsa de valores pela FB Participações no final do mês de abril, em período concomitante ao programa de recompra de ações da empresa, reiniciado em fevereiro de 2017.

A FB Participações é uma empresa de investimentos que é a acionista majoritária da JBS.

Também é investigada a compra de contratos futuros de dólar na bolsa de futuros e a termo de dólar no mercado de balcão, entre o final de abril e meados de maio de 2017, segundo a PF.

"Há indícios de que essas operações ocorreram com o uso de informações privilegiadas, gerando vantagens indevidas no mercado de capitais num contexto em quase todos os investidores tiveram prejuízos financeiros", afirmou a polícia.

A notícia de que Joesley Batista, um dos donos da J&F, gravou conversas com o presidente Michel Temer veio a tona no dia 17 de maio, desencadeando a maior crise política do atual governo. Os mercados financeiros reagiram e o dólar subiu com força na sequência, enquanto as ações da companhia desabaram.

A J&F reiterou que todas as operações de compra e venda de moedas, ações e títulos realizadas pela holding, suas subsidiárias e seus controladores seguem as leis que regulamentam tais transações.

Quanto às operações de câmbio, "a ​JBS esclarece que gerencia de forma minuciosa e diária a sua exposição cambial e de commodities. A ​empresa tem como política a utilização de instrumentos de proteção financeira visando, exclusivamente, minimizar os seus riscos cambiais".

Segundo a PF, o inquérito policial foi instaurado em 19 de maio, após a CVM abrir processos administrativos para apuração desses fatos. A nota diz que os investigados poderão ser responsabilizados com penas de 1 a 5 anos de reclusão e multa de até três vezes o valor da vantagem ilícita obtida.

Procuradores do Ministério Público Federal e representantes da J&F, que controla a JBS, fecharam no final de maio acordo de leniência que prevê o pagamento de multa de 10,3 bilhões de reais por atos praticados por empresas controladas pela holding. O acordo foi assinado no último dia 5.

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