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Geadas atingem 30% da área de trigo suscetível a perdas no Paraná, diz Ocepar

SÃO PAULO (Reuters) - As geadas desta semana no Paraná atingiram aproximadamente 30 por cento da área plantada com trigo que está em fase suscetível a perdas, mas a possibilidade de uma quebra ainda não foi precificada pelo mercado, disse o gerente técnico e econômico do Sistema Ocepar, Flávio Turra.

"A geada foi mais forte no sudoeste e no sul, passando pelo oeste e pelo centro-oeste do Estado. O que o pessoal tem falado é que cerca de 30 por cento da área de trigo suscetível a perdas teria sido atingida", afirmou à Reuters, em conversa por telefone.

Esses 30 por cento representariam em torno de 1 milhão de toneladas da produção prevista, acrescentou o gerente da Organização das Cooperativas do Paraná.

Principal produtor nacional, o Paraná tinha safra estimada antes das geadas em volume superior a 3 milhões de toneladas do cereal neste ano, mais da metade do previsto para todo o Brasil. Os trabalhos de campo começam em setembro e se estendem até dezembro.

Turra ponderou, no entanto, que o prejuízo só poderá ser quantificado na próxima semana e que dificilmente totalizará o volume de 1 milhão de toneladas passível de perdas.

"Faz cerca de 30 dias que não chove no Estado. O caule (do trigo) está relativamente seco e a planta, com baixa umidade. Além disso, o frio veio sem chuva. Essa conjuntura favorece a planta a resistir mais. A sensação é que não teremos uma perda tão significativa", explicou.

Até o momento, o preço para a saca de 60 kg de trigo no Paraná não refletiu as geadas desta semana. Segundo Turra, o valor gira em torno de 36 reais.

A cotação ao produtor avançou cerca de 16 por cento nos últimos 30 dias, "mas basicamente pela redução da oferta", afirmou o gerente do Sistema Ocepar, lembrando que o momento é de entressafra.

Por fim, Turra destacou que o atual nível de câmbio poderia atenuar qualquer pressão de alta gerada pelos prejuízos da geada.

"O câmbio a 3,14, 3,15 reais (por 1 dólar) começa a chamar a atenção para importação (de trigo). Está mais ou menos na paridade."

As culturas de milho e café não tiveram prejuízos em função do frio, segundo o governo do Estado, assim como as áreas de cana, de acordo com associação do setor.

(Por José Roberto Gomes)

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