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Petrobras tem novo prejuízo anual, mas vê futuro mais previsível

Por Marta Nogueira e Rodrigo Viga Gaier

RIO DE JANEIRO (Reuters) - A Petrobras teve seu quarto prejuízo anual consecutivo em 2017, em uma série que teve início com o escândalo investigado pela Operação Lava Jato, mas diretores da estatal defenderam nesta quinta-feira que os resultados da petroleira serão mais previsíveis a partir de 2018, com o lançamento de menos despesas extraordinárias.

O prejuízo líquido de 2017 foi de 446 milhões de reais, ante 14,824 bilhões de reais no ano anterior, ainda fortemente impactado por efeitos não recorrentes relacionados ao escândalo de corrupção que envolveu a petroleira nos últimos anos.

Afetaram os resultados de 2017 o acordo para o encerramento de ação coletiva ("class action") movida por investidores nos Estados Unidos que alegaram perdas com a corrupção, com efeito de 11,2 bilhões de reais, e a adesão ao programa de regularização de débitos federais, de 10,43 bilhões de reais.

Tais efeitos impactaram fortemente também o resultado do quarto trimestre, que fechou com um prejuízo líquido de 5,477 bilhões de reais, ante lucro de 2,5 bilhões de reais no mesmo período do ano anterior.

"A 'class action' tem efeito no resultado, mas foi importante para eliminar uma incerteza que isso poderia ter nos nossos resultados... temos trabalhado muito intensamente para solucionar passivos contingentes", afirmou o presidente-executivo da Petrobras, Pedro Parente, em conferência com jornalistas.

Desde que assumiu a empresa, Parente tem defendido que houve melhorias nos resultados operacionais. No entanto, diz que os efeitos não recorrentes ainda permanecem afetando o resultado global.

"Temos absoluta confiança que vamos continuar bem em relação aos aspectos operacionais", disse o presidente.

A Petrobras teria alcançado um lucro líquido de 7,089 bilhões de reais no ano, não fossem as despesas extraordinárias, explicou o executivo.

"Esses impactos não recorrentes têm sim a possibilidade de terem um impacto bastante menor no futuro... o número de temas em aberto tem se reduzido", frisou.

Segundo Parente, a Petrobras está muito mais organizada em termos de governança, integridade e gestão, "eliminando fraquezas materiais e deficiências significativas de controle".

SALTO OPERACIONAL

Dentre os resultados positivos, o executivo ressaltou uma alta de 108 por cento do lucro operacional em 2017, ante o ano anterior, para 35,6 bilhões de reais, superando o resultado financeiro da empresa depois de muitos anos.

O resultado foi devido a um menor volume de reavaliações de ativos ("impairment"), redução de custos (relacionados a pessoal, baixa de poços e ociosidade de equipamentos) e maiores exportações de petróleo a preços mais elevados.

A empresa reportou em 2017 um impairment total de 3,862 bilhões de reais, principalmente devido a baixas no setor de fertilizantes (1,3 bilhão de reais) e uma relacionada à segunda unidade de refino na Refinaria do Nordeste (Rnest), de 1,5 bilhão de reais.

O diretor de Refino e Gás Natural da Petrobras, Jorge Celestino, explicou que foram necessárias baixas relacionadas às Fábricas de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) de Sergipe e da Bahia, principalmente devido ao custo do gás no longo prazo.

Já no caso da Rnest, o diretor explicou que houve um ajuste devido as margens futuras de diesel, para uma unidade que ainda está prevista pela Petrobras.

Em 2016, todavia, os impairment totais da Petrobras somaram um valor muito superior, de 20,297 bilhões de reais.

O fluxo de caixa livre da empresa cresceu em 2017 para 44,1 bilhões de reais, ante 41,6 bilhões de reais no ano anterior.

O Itaú BBA publicou em relatório a clientes esperar que a continue melhorando os resultados operacionais, com a redução contínua dos custos e uma recuperação da participação de mercado no mercado interno de combustíveis.

"Também esperamos que o programa de venda de ativos ganhe impulso nos próximos meses. Estes são gatilhos importantes para consolidar a confiança dos investidores", disse o relatório do Itau BBA.

Às 14:42, as ações preferenciais da companhia cediam quase 4 por cento e as ordinárias caíam mais de 2 por cento, enquanto o Ibovespa <.BVSP> perdia 1,2 por cento.

DIVIDENDOS

A Petrobras também anunciou nesta quinta-feira que seu Conselho de Administração determinou a realização de estudos para alterações no Estatuto Social da companhia, em relação à cláusula de destinação dos resultados, com o objetivo de estabelecer pagamentos trimestrais de dividendos ou de Juros sobre Capital Próprio. [nL1N1QX0EW]

Segundo Parente, se a nova política for aprovada no Conselho de Administração e posteriormente na Assembleia Geral de Acionistas prevista para abril, ele acredita que já seja possível pagar dividendos referentes ao primeiro trimestre.

"Nós vemos esta proposta como positiva, potencialmente resultando em algum pagamento de dividendos em 2018...", afirmou o Bradesco BBI em relatório a clientes.

Os prejuízos anuais desde 2014 têm impedido pagamento de dividendos aos acionistas.

O lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) ajustado do ano em 2017, por sua vez, foi de 76,557 bilhões de reais, queda de 14 por cento ante o ano anterior, também em função da ação nos EUA e do programa de regularização de débito.

Com isso, o índice dívida líquida sobre Ebitda ajustado aumentou para 3,67 vezes em dezembro de 2017, após ter atingido 3,16 vezes em final de setembro.

"Excluindo-se o acordo da Class Action, a companhia apresentaria Ebitda ajustado de 87,755 bilhões e o índice dívida líquida/Ebitda ajustado de 3,20", disse a empresa.

O Ebitda ajustado somou 12,986 bilhões de reais no quarto trimestre, ante 24,788 bilhões de reais no mesmo período de 2016.

PERDA DE MERCADO

A Petrobras perdeu participação no mercado brasileiro de gasolina e diesel em 2017, após adotar uma nova política de preços para aumentar a competitividade no setor, mostraram dados da companhia nesta quinta-feira. [nL1N1QX15N]

Na gasolina, a fatia da Petrobras caiu para 83 por cento em 2017, contra 90 por cento em 2016 e 96 por cento em 2015.

No diesel, a participação foi de 74 por cento em 2017, contra 83 por cento em 2016 e 97 por cento em 2015.

Já em fevereiro deste ano a fatia da companhia no mercado de gasolina estava em 77 por cento e em 79 por cento no de diesel.

(Com reportagem adicional de Luciano Costa, Roberto Samora e Paula Arend Laier)

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