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Diante de sindicalistas, Haddad assume tom de candidato e mira Alckmin

20/08/2018 21h45

SÃO PAULO (Reuters) - O candidato a vice-presidente na chapa do PT, Fernando Haddad, adotou uma retórica voltada à militância em evento com sindicalistas em São Paulo nesta segunda-feira e reforçou as críticas ao PSDB, do candidato à Presidência, Geraldo Alckmin, voltando a sinalizar que o tucano foi escolhido como principal adversário dos petistas na eleição de outubro deste ano.

Em evento sobre soberania energética na sede do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), Haddad chegou a ser saudado como candidato do partido ao Palácio do Planalto e vestiu o jaleco laranja da Petrobras com a logomarca da Federação Única dos Petroleiros (FUP).

Ele afirmou ainda que o plano econômico adotado pelo presidente Michel Temer, que assumiu em 2016 após impeachment da petista Dilma Rousseff, é "rigorosamente o mesmo" que Alckmin defende na campanha.

O ex-prefeito de São Paulo também comemorou a divulgação de pesquisas eleitorais nesta segunda, que continuam a mostrar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva na liderança, e aproveitou sua fala para exaltar o ex-presidente, preso desde abril em Curitiba.

"Lula está firme e forte. É impressionante a capacidade do cara de resistir a tudo", disse Haddad aos militantes. O candidato a vice tem visitado Lula frequentemente na sede da Polícia Federal em Curitiba, onde o ex-presidente cumpre pena, como na manhã desta segunda, quando esteve com ele.

"Pode ter 20 candidatos (à Presidência). Mas projeto tem só dois: o que deu certo e o Temer", acrescentou o petista após elencar uma série de indicadores do período em que Lula foi presidente.

Condenado pela 8ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª região a 12 anos e 1 mês de prisão no caso do tríplex do Guarujá (SP), Lula teve a candidatura registrada pelo PT junto à Justiça Eleitoral na semana passada, mas deve ser barrado de disputar a eleição pela Lei da Ficha Limpa. O partido, no entanto, tem insistido que lutará até o fim para que Lula possa ser candidato.

Sem citar nomes, Haddad, apontado como substituto de Lula caso o ex-presidente seja impedido de concorrer, fez a avaliação de que os adversários "estão ficando nervosos" e indagou por qual motivo os rivais de Lula são contra a participação do ex-presidente em debates.

"Até de mim estão com medo", ironizou em uma referência indireta ao fato de adversários terem se posicionado contra sua participação em debates em substituição a Lula. "Está feio o negócio do lado de lá."

PATERNIDADE

Haddad afirmou ainda, em seu discurso, que respeitaria mais o PSDB se o partido assumisse a "paternidade" das medidas adotadas por Temer e lembrou que parlamentares tucanos foram relatores de medidas polêmicas do governo do emedebista.

"Tem sempre um tucano por trás da maldade", disse Haddad, que afirmou que o plano econômico de Temer não foi elaborado pelo emedebista, pois, de acordo com o ex-prefeito, ele "não consegue ligar dois pontos.

Após seu discurso, quando indagado se estava elegendo o tucano Alckmin como principal adversário, Haddad desconversou.

"O que eu disse e repito é que o programa econômico do Alckmin é rigorosamente o mesmo do Temer, porque foi o PSDB que fez o programa econômico do Temer", disse.

"Quem está em primeiro lugar não tem o principal adversário", garantiu, referindo-se à posição que Lula ocupa nas pesquisas.

(Reportagem de Eduardo Simões)