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Dívida pública federal cresce 0,98% em agosto em mês marcado pelo avanço do dólar, divulga Tesouro

24/09/2018 10h04

BRASÍLIA (Reuters) - A dívida pública federal do Brasil cresceu 0,98% em agosto sobre julho, a R$ 3,786 trilhões, puxada tanto pelo avanço da dívida interna, quanto pelo crescimento de quase 10% da dívida externa, num mês marcado pela alta do dólar.

Com isso, a dívida enfim entrou no intervalo de referência estipulado no Plano Anual de Financiamento (PAF), de um estoque entre R$ 3,78 trilhões a R$ 3,98 trilhões em 2018.

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No período, a dívida pública mobiliária interna teve alta de 0,65%, a R$ 3,631 trilhões, em função da apropriação positiva de juros de R$ 28,92 bilhões e um resgate líquido de R$ 5,56 bilhões.

Por sua vez, a dívida externa saltou 9,53% ante julho, a R$ 154,75 bilhões, afetada sobretudo pela valorização da moeda norte-americana.

Em agosto, o dólar acumulou alta de 8,46% - a maior desde setembro de 2015 -, embalado por incertezas ligadas à corrida presidencial e à capacidade de o próximo presidente eleito implementar reformas econômicas para reequilibrar as contas públicas.

Em coletiva de imprensa, o coordenador-geral de Planejamento Estratégico da Dívida Pública, Luiz Fernando Alves, ponderou que o risco do dólar para a gestão da dívida é pequeno, já que "parcela bem pequena da dívida é exposta ao câmbio".

"Em geral o Tesouro está protegido disso porque já temos os dólares comprados", afirmou. "Hoje temos estoque de dólares para pagar tudo que vence em 2018 e parcela do que vence em 2019."

Reagindo ao cenário de volatilidade, o Tesouro divulgou no início de setembro que emitiria mais títulos que flutuam com a Selic, as chamadas LFTs, do que o inicialmente fixado no PAF. Com isso, a fatia estabelecida como meta para a participação desses títulos na dívida pública federal passou a ser de 33% a 37% no ano, ante 31% a 35% antes.

As bandas para os demais papéis, bem como para o estoque total da dívida, permaneceram inalteradas.

Em agosto, as LFTs viram sua representatividade sobre a dívida total avançar a 34,95%, contra 33,64% no mês anterior, quase no limite da banda antiga que valia para os títulos. Com isso, continuaram com o maior peso na dívida total, dianteira que já haviam assumido em julho.

Esses papéis pós-fixados são mais demandados por investidores quando há percepção de aumento do risco, sentimento que vem se intensificando diante da imprevisibilidade que ronda o quadro econômico brasileiro dos próximos anos.

Esses títulos tiram previsibilidade para a dívida, já que flutuam com os juros. Por isso, o governo busca diminuir sua representatividade no longo prazo a 20%.

Em agosto, os títulos prefixados também subiram a 33,19% do total, ante 32,82% em julho e meta de 32% a 36% no ano.

Já os papéis indexados à inflação responderam por 27,54% da dívida total, abaixo do patamar de 29,60% do mês anterior, sendo que a referência para o ano é de 27% a 31%.

A participação dos investidores estrangeiros na dívida mobiliária interna caiu a 11,92% em agosto, ante 12,57% em julho, apontou ainda o Tesouro.

O coordenador-geral de Operações da Dívida Pública, Luis Felipe Vital, avaliou que o movimento se deu na esteira do quadro de maior aversão a risco tanto pelos motivos domésticos, notadamente ligados às eleições, tanto por desdobramentos externos, citando guerra comercial e problemas na Turquia e Argentina, que pioraram a leitura para mercados emergentes de maneira geral.

Vital afirmou nesta segunda-feira (24) que o Tesouro tem visto em setembro níveis menores de volatilidade e tem ajustado colocações e tamanhos dos lotes de títulos públicos às condições de mercado.

A jornalistas, ele também estimou que o percentual de rolagem da dívida neste ano deve ficar um pouco inferior a 100% em 2018, mas disse não ter projeções mais precisas a respeito.

No início do mês, o Tesouro já havia divulgado que poderia reduzir a oferta global de títulos no ano, o que implicaria menor rolagem da dívida. À época, alegou que possuía um colchão de liquidez que lhe dava flexibilidade para optar pela estratégia em momentos de maior turbulência ou de custos um pouco mais altos.

(Por Marcela Ayres)