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Bebianno e Bolsonaro trocaram mensagens por WhatsApp antes de versão de que ex-ministro mentiu, mostram áudios da Veja

19/02/2019 18h05

(Reuters) - O então ministro da Secretaria-Geral da Presidência Gustavo Bebianno trocou mensagens via WhatsApp com o presidente Jair Bolsonaro contrariando as declarações do chefe do Executivo e do filho dele Carlos Bolsonaro, de que Bebianno tinha mentido ao dizer que se falaram, segundo áudios da conversa de ambos divulgados nesta terça-feira pelo site da revista Veja.

Na troca de mensagens via WhatsApp revelada pela revista, Bebianno disse considerar isso como se fosse uma conversa. Bolsonaro, por sua vez, rebateu e disse que esse envio de áudios por aplicativos não configuraria uma conversa, defendeu a atuação do filho e contestou atitudes tomadas por Bebianno no governo.

As mensagens revelam a evolução por dentro da crise entre o presidente e Bebianno que teve como ponto de partida o fato de Carlos Bolsonaro e também o próprio Bolsonaro terem chamado o agora ex-ministro de mentiroso quando disse que tinha conversado com o presidente três vezes em 12 de fevereiro, véspera do dia em que o chefe do Executivo teve alta hospitalar.

Segundo a reportagem, o presidente questionou, em um dos áudios, o fato de constar na agenda de Bebianno do dia 12 uma reunião com o presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, Paulo Tonet Camargo. Bolsonaro pede que ele não o receba o executivo, declara que a Globo é uma inimiga do governo e que esse contato colocaria-o em situação delicada com outras emissoras.

Em outros dois áudios veiculados, Bolsonaro pede para cancelar a agenda que Bebianno e outros dois ministros fariam ao Pará para discutir projetos para a Amazônia com líderes locais. Para justificar a decisão, ele avalia que seria cobrado por obras na região amazônica.

O site da revista ainda publicou outras mensagens de áudio trocadas entre Bolsonaro e Bebianno que mostram que a relação entre ambos degringolou. O presidente chega a acusar Bebianno de plantar notícia em um site para envolvê-lo nas supostas irregularidades relacionadas a candidaturas do PSL. Bebianno foi presidente do PSL durante a campanha vitoriosa de Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Em uma mensagem, Bolsonaro chega a dizer que "querer empurrar essa batata quente" para ele não iria dar certo. "Aí é desonestidade e falta de caráter", atacou, completando que a Polícia Federal "entrou no circuito" para apurar o caso.

Posteriormente, Bebianno se defende e diz que não vazou ou plantou nada do que foi publicado na imprensa contra o governo e o presidente. Diz que o presidente está "bem envenenado", deixando implicitamente que o envenenador seria o filho dele, Carlos Bolsonaro.

Nesta segunda, Bolsonaro decidiu demitir Bebianno, sem dar detalhes da sua decisão, numa tentativa do governo de estancar a crise às vésperas do envio da principal proposta de ajuste das contas públicas do governo: a reforma da Previdência, que chegará ao Congresso na quarta-feira.

Em nota, o Grupo Globo considera que "não tem nem cultiva inimigos".

"A própria natureza de sua atividade jamais permitiria qualquer postura em contrário. Hoje, como sempre, sua missão é levar ao público jornalismo independente —dando transparência a tudo o que é relevante para o país— e entretenimento de qualidade. Continuaremos a trabalhar nesta mesma direção", diz.

"A visita de Paulo Tonet Camargo, vice-presidente de Relações Institucionais do Grupo Globo, ao então ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Gustavo Bebianno, constava da agenda pública do ministro, divulgada na internet", segue a nota.

"Visitas de diretores do Grupo Globo a autoridades dos diferentes Poderes, servidores públicos, executivos de empresas e representantes da sociedade civil são rotineiras. E, nesse aspecto, não nos diferenciamos de qualquer grupo empresarial que pretenda ouvir todas as vozes de uma sociedade livre?, acrescenta.

(Por Ricardo Brito)

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