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Novo presidente do BNDES promete explicar 'caixa preta' em até 2 meses, mostra apresentação

Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES - Divulgação/Ministério da Economia
Gustavo Montezano, novo presidente do BNDES Imagem: Divulgação/Ministério da Economia

Rodrigo Viga Gaier

08/07/2019 20h29

RIO DE JANEIRO (Reuters) - O novo presidente do BNDES, Gustavo Montezano, pretende acelerar a venda de participações do banco em empresas, devolver recursos ao Tesouro Nacional, além de explicar a chamada "caixa preta", segundo apresentação interna feita pelo executivo à qual a Reuters teve acesso.

Na apresentação, Montezano declarou que vai trabalhar no banco para a devolução de até R$ 126 bilhões ao Tesouro.

O banco de fomento já aprovou a devolução de R$ 30 bilhões ao Tesouro Nacional. Na última década, o Tesouro irrigou o BNDES com cerca de 500 bilhões de reais que eram repassados em empréstimos subsidiados. Mas recentemente, o banco vem devolvendo parte desses recursos ao governo.

"Ele falou em devolver R$ 126 bilhões. Tem que fazer para chegar a isso. Mas como o desembolso está baixo, acho que é possível", disse uma fonte em condição de sigilo.

Montezano deve tomar posse nos próximos dias, substituindo Joaquim Levy, que deixou o cargo após ter sido criticado em público pelo presidente Jair Bolsonaro.

Venda de participações

Outra meta de Montezano mostrada no documento é acelerar a venda de participações detidas pelo do BNDES por meio de seu braço BNDESPar em empresas como Petrobras e Vale.

"O presidente disse que a ideia é transformar o BNDES numa agência especializada ou banco de serviços do governo, em complemento ao mercado, e que a lucratividade não será mais uma meta", afirmou uma segunda fonte familiarizada com o assunto.

Montezano também definiu como objetivo em até oito semanas "explicar a caixa preta", expressão usada pelo governo Bolsonaro para financiamentos dados pelo banco a empresas brasileiras que prestaram serviços, em sua maioria de engenharia, a países do exterior. Segundo Bolsonaro, os financiamentos tiveram viés ideológico e causaram prejuízos ao país.

Consultado sobre a apresentação feita por Montezano, o BNDES não se manifestou de imediato.

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