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Cartão toma lugar de cheque especial como modalidade de crédito mais cara em 2019

Getty Images
Imagem: Getty Images

Marcela Ayres

Brasília

29/01/2020 13h20

Os juros cobrados no rotativo do cartão de crédito para as pessoas físicas tiveram um salto de 33,5 pontos percentuais em 2019, a uma taxa média de 318,9% ao ano, tomando assim o lugar do cheque especial como modalidade de crédito mais cara do Brasil.

O rotativo inclui saques na função crédito e operações de financiamento no cartão, com ou sem o pagamento mínimo.

Isso ocorreu apesar de a inadimplência no rotativo do cartão ter subido pouco —e menos do que no cheque especial. Segundo dados publicados hoje pelo Banco Central, essa taxa de não pagamento teve alta de 1,4 ponto em 2019 para o rotativo do cartão de crédito e de 2,1 pontos no cheque especial.

O movimento também se deu a despeito da diminuição do custo de captação para os bancos, em meio à queda de 2 pontos na Selic no ano passado, que levou a taxa básica de juros à mínima histórica de 4,5%.

Enquanto isso, os juros médios no cheque especial —que em 2018 foi a modalidade de crédito com maior custo no país— caíram 10,1 pontos em 2019, a 302,5% ao ano.

Questionado sobre a razão para o aumento no rotativo do cartão de crédito, considerando medidas tomadas pelo BC desde 2017 para justamente barateá-lo, o chefe adjunto do departamento de Estatísticas do BC, Renato Baldini, ponderou que o produto "é algo complexo, envolve muitas coisas, várias transações em diversos formatos".

"Ao que parece, as instituições financeiras a partir da regulação (do BC) adotaram políticas variadas ali de definição de taxas de juros", afirmou ele.

"(O aumento dos juros no rotativo) não tem relação com a política monetária, podemos dizer isso", completou ele, após ser perguntado se esta era então uma decisão das instituições financeiras.

Em abril de 2018, o BC anunciou uma mudança de regras para disciplinar a cobrança de encargos, buscando com isso aproximar as taxas do rotativo regular (quando é pago o valor mínimo da fatura) e do não regular (para quem não arca com este valor), mirando um barateamento nos juros médios cobrados na modalidade. A mudança começou a valer em 1º de junho daquele ano.

A expectativa, com isso, era que a taxa cobrada no rotativo não regular, sobre a qual incidem multa e juros de mora, fosse se aproximar do custo do rotativo regular.

Mas, em vez de a taxa mais cara simplesmente se aproximar da mais barata, em 2019 ambas subiram: 19,1 pontos para o rotativo regular e 41,9 pontos para o rotativo não regular.

Em 2017, a autoridade monetária também havia estabelecido que a cobrança do mínimo do cartão de crédito só poderia ocorrer por um mês, com os bancos necessariamente oferecendo um parcelamento da dívida restante em seguida, submetendo os clientes a taxas mais baratas nesse segundo momento.

Mais cedo neste mês, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, disse que não há estudos para intervir no mercado de cartão de crédito.

Economia