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Bancos dos EUA aumentam limite de crédito sem que clientes peçam

Getty Images/Bill Oxford
Imagem: Getty Images/Bill Oxford

Michelle Davis

23/01/2020 14h35

Pode parecer uma estratégia arriscada no momento em que milhões nos Estados Unidos estão atolados em dívidas: continuar aumentando o limite do cartão de crédito das pessoas, mesmo que elas não peçam.

Mas é exatamente isso o que grandes bancos vêm fazendo para aumentar o lucro, abrindo a porta para que clientes acumulem mais dívidas todos os meses.

Durante anos após a crise financeira, o Capital One Financial resistiu à medida para evitar que clientes aparentemente vulneráveis perdessem o controle. Em conversas internas, o CEO Richard Fairbank descreveu a restrição como uma teologia radical, em parte porque foi além dos requisitos pós-crise, de acordo com uma pessoa com conhecimento direto das discussões.

Mas o Capital One reverteu o curso em 2018, depois que o banco se viu sob pressão para manter o crescimento da receita, que atingiu recorde no ano passado.

A mesma reversão ocorre no setor bancário dos EUA, com mais clientes com limites de crédito mais altos não solicitados, no que está se tornando uma nova era de ouro do plástico. O objetivo: fazer com que consumidores usem mais a linha de crédito. A questão, assim como nos inebriantes anos 2000, é como isso terminará para bancos e clientes. Pesquisas mostram que muitos consumidores transformam limites mais altos em dívidas. E, quanto maior a dívida, mais difícil sair dela.

"É como colocar um sanduíche na minha frente depois de eu não ter comido o dia inteiro", disse D'Ante Jones, um rapper de 27 anos, conhecido como D. Maivia, em Houston, que estava perto de extrapolar o limite em seu cartão Chase Freedom quando o JPMorgan Chase quase dobrou seu limite há um ano sem consultá-lo. Ele logo gastou mais usando o novo limite. "Como não dar uma mordida?"

Os bancos dizem que os aumentos fazem parte do bom atendimento ao cliente e que elevam os limites de crédito com cuidado, desencorajam empréstimos imprudentes e permitem que os clientes revertam os aumentos a qualquer momento.

Limite de crédito

Seja qual for o caso, o resultado imediato é claro: muita dívida. As dívidas de cartões de crédito ultrapassaram o pico anterior à crise, atingindo um recorde de US$ 880 bilhões no fim de setembro, de acordo com os dados mais recentes do Fed de Nova York. Esse volume tem aumentado o lucro de grandes empresas como Capital One, JPMorgan e Citigroup, uma década depois de os bancos terem reduzido os limites de crédito sem avisar durante a crise.

"O Capital One examina vários fatores antes de determinar se um cliente é elegível para um aumento da linha de crédito, incluindo a revisão do histórico de crédito e pagamento, a relação dívida/renda e a capacidade de pagamento", disse uma porta-voz em comunicado. Ela disse que a empresa oferece aos clientes ferramentas para "ajudá-los a gerenciar sabiamente o crédito".

O JPMorgan disse que monitora para que clientes não se endividem muito e evita aumentar os limites para os titulares de cartões subprime, ou seja, de maior risco.

"Eu não sabia que havia uma maneira de dizer não", disse Jones, o rapper do Texas. Ele ganhava menos de US$ 30 mil líquidos por ano quando o Chase aumentou seu limite em US$ 1,5 mil durante o Natal de 2018. Muitas pessoas comemorariam o aumento. Mas Jones disse que estava aterrorizado por gastar mais do que podia. Depois que ladrões danificaram seu carro, ele usou toda a linha de crédito e só podia fazer o pagamento mínimo.

(Com a colaboração de Jenny Surane, Shahien Nasiripour e Max Abelson.)

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