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FUP recorrerá de decisão contra greve na Petrobras; empresa exige volta ao trabalho

Os trabalhadores da Petrobras que estão em greve desde 1/2/2020 se reuniram em frente à sede da empresa estatal, no centro do Rio de Janeiro, para um ato contra a privatização e demissões em massa - Barbara Dias/AGIF
Os trabalhadores da Petrobras que estão em greve desde 1/2/2020 se reuniram em frente à sede da empresa estatal, no centro do Rio de Janeiro, para um ato contra a privatização e demissões em massa Imagem: Barbara Dias/AGIF

18/02/2020 20h41

SÃO PAULO (Reuters) - A Federação Única dos Petroleiros (FUP) afirmou que vai recorrer de decisão do Tribunal Superior do Trabalho (TST) que declarou na véspera a greve de empregados da Petrobras ilegal e abusiva, segundo vídeo divulgado pela entidade, que liderou manifestação nas ruas do Centro do Rio nesta terça-feira.

Ao atender recurso da petroleira, o ministro do TST Ives Gandra da Silva Martins Filho autorizou a Petrobras a "adotar as medidas administrativas cabíveis" para o fim da paralisação iniciada em 1° de fevereiro, inclusive com sanções disciplinares aos empregados que não atenderem ao comando judicial.

A Petrobras disse em comunicado à imprensa na noite de segunda-feira que "já notificou as entidades sindicais da decisão e aguarda que todos os empregados retornem às suas atribuições imediatamente".

Já a FUP criticou a decisão e afirmou entender que o movimento grevista é legítimo e legal. A comissão permanente de negociação da entidade ainda pediu que os petroleiros mantenham a paralisação e aguardem orientações dos sindicatos.

"Entendemos que essa decisão é inconstitucional e nossos advogados em todo o Brasil estarão, sim, vendo uma forma de questionar essa decisão monocrática do ministro Ives Gandra", disse no vídeo o diretor da FUP, Deyvid Bacelar.

A decisão do ministro do TST estabeleceu multas diárias de entre 250 mil e 500 mil reais aos sindicatos em caso de descumprimento, além de bloqueio de contas e repasse de mensalidades associativas.

Na véspera, a FUP havia afirmado que a paralisação tinha adesão de mais de 60% dos funcionários da área operacional da empresa, envolvendo mais de 20 mil trabalhadores em 13 Estados.

A Federação Única dos Petroleiros —que representa os 13 sindicatos que aprovaram a greve— diz que o movimento é contra demissões em uma fábrica de fertilizantes no Paraná, desativada pela Petrobras. Com a decisão, a empresa desligou 396 empregados próprios da unidade. [nL1N29J0OQ]

A federação alega ainda que há descumprimento do Acordo Coletivo de Trabalho (ACT), o que a Petrobras nega.

A FUP informou nesta terça que a desembargadora do Tribunal Regional do Trabalho do Paraná Rosalie Michaele Bacila decidiu em audiência de dissídio coletivo pela suspensão da dispensa dos trabalhadores da fábrica de fertilizantes até 6 de março, dia da próxima audiência.

Um ato em favor da greve reuniu petroleiros no Centro do Rio nesta terça-feira, que marcharam entre o edifício sede da empresa e os Arcos da Lapa.

(Por Luciano Costa; reportagem adicional de Marta Nogueira)

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