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Há risco de faltar combustíveis com greve na Petrobras? Entidades divergem

Trabalhadores da Petrobras estão em greve desde o início do mês - Barbara Dias/AGIF
Trabalhadores da Petrobras estão em greve desde o início do mês Imagem: Barbara Dias/AGIF

Ricardo Marchesan e João José Oliveira

Do UOL, em São Paulo

18/02/2020 15h21

Resumo da notícia

  • Petrobras afirma que greve não afetou produção e equipes de contingência mantêm os estoques
  • Sindicatos afirmam que equipes estão no limite e produção pode ser afetada
  • ANP afirma que não houve impacto, mas mostra procupação se greve durar muito

A greve de funcionários da Petrobras chegou ao 18º dia nesta terça-feira (18). Na véspera, o TST (Tribunal Superior do Trabalho) declarou a greve como ilegal e abusiva, mas os grevistas afirmam que vão recorrer da decisão, e que o movimento continua.

Em meio ao impasse, há dúvidas sobre a possibilidade de faltar combustível nos postos do país. Representantes das empresas dizem que a produção não foi afetada. Por outro lado, sindicatos e a ANP (Agência do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis) afirmam que o risco existe. Veja abaixo o posicionamento de cada entidade sobre a questão.

O que está parado?

A FUP (Federação Única dos Petroleiros) afirma que 21 mil petroleiros estão parados em 121 unidades da Petrobras em 13 estados. A paralisação atinge refinarias, plataformas, termelétricas, usinas, entre outros, de acordo com a federação.

A Petrobras diz que nenhuma plataforma de produção, refinaria, unidade de processamento de gás natural ou térmica teve adesão total à paralisação. Afirma também que as entidades sindicais não estão cumprindo a decisão da Justiça de manter 90% do efetivo para que a operação continue em condições normais, mas que a produção tem sido mantida "por meio da atuação de equipes de contingência e de empregados que não aderiram ao movimento".

Produção não foi afetada, diz Petrobras

A Petrobras diz que a produção não foi afetada e que tem capacidade de suportar a paralisação sem o risco de desabastecimento.

"A produção diária e os estoques de combustíveis garantem a oferta ao mercado e afastam a possibilidade de desabastecimento", afirmou a empresa. "A Petrobras informa regularmente à ANP o volume de combustíveis produzido em suas refinarias, assim como a produção de petróleo, não sendo observada queda dos estoques, o que evidencia a normalidade nas operações."

O presidente da empresa, Roberto Castello Branco, afirmou na semana passada que "nenhum barril de petróleo deixou de ser produzido ou refinado" e que estão contratando funcionários para operar algumas plataformas.

Para manter a produção, a direção suspendeu férias de alguns funcionários de áreas operacionais e antecipou pagamentos de prêmios por desempenho para os que continuam trabalhando.

Postos afirmam que abastecimento está normal

Duas das principais entidades que representam redes de postos de combustíveis informaram que, até a noite de segunda-feira (17), o abastecimento no mercado estava normal.

"Não vemos nenhum impacto até agora", disse o presidente da Sincopetro (Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo do Estado de São Paulo), José Alberto Paiva Gouveia. A Fecombustíveis (Federação Nacional do Comércio de Combustíveis e de Lubrificantes), que representa 34 sindicatos patronais no país, descreveu o mesmo cenário.

Para ANP, não houve impacto, mas há risco

O diretor-geral da ANP, Décio Oddone, também afirmou na semana passada que a greve não tinha afetado a produção, mas demonstrou preocupação com a possibilidade de a situação continuar por muito tempo, já que são menores as equipes de contingência trabalhando nas unidades.

"A Petrobras está trabalhando com equipes de contingência. Por isso, nos manifestamos com a preocupação de que, se essa situação perdurar por muito tempo, pode ter um impacto", disse. A agência reguladora também enviou ofício ao TST para manifestar a preocupação.

Sindicalista acusa Petrobras de mentir

Os sindicalistas creem que o risco de desabastecimento existe.

Adaedson Costa, coordenador da FNP (Federação Nacional dos Petroleiros), disse ao jornal "O Estado de S. Paulo" que não acredita nas informações da Petrobras. "A produção não para com a greve, mas diminuiu. A Petrobras mente. Foi assim também em 2015 [quando também houve uma greve] e depois, no relatório anual, teve que confessar o prejuízo."

Para Deyvid Bacelar, diretor de Assuntos Institucionais da FUP , "a opinião mais prudente é a da ANP", mas afirma que "não é, nem nunca foi interesse [dos sindicalistas] desassistir a população brasileira em produtos essenciais".

Como trabalham as equipes de contingência?

As equipes de contingência são formadas por trabalhadores da Petrobras e profissionais temporários ou empresas contratadas, "conforme autorização da Justiça", segundo a Petrobras.

"Esses profissionais são treinados para operar os ativos da companhia em condições especiais, como é o caso da equipe de contingência. Eles cumprem carga horária diferenciada da que é normalmente aplicada nas plataformas e nos regimes de turno das refinarias, mantendo-se, pelo menos, 12 horas diárias de descanso", diz a empresa.

Deyvid Bacelar, da FUP (Federação Única dos Petroleiros), diz que essas equipes estão trabalhando em condições ruins e podem chegar ao limite por causa do cansaço.

"Essas pessoas estão dentro das unidades há 18 dias. Estão em condições insalubres, penosas. Elas cansam", alertando para a possibilidade de não conseguirem continuar trabalhando e, até mesmo, levar a acidentes.

O que querem os trabalhadores?

Os petroleiros protestam contra a demissão de mil trabalhadores da Ansa (Araucária Nitrogenados) e acusam a Petrobras de descumprir itens do Acordo Coletivo de Trabalho.

A Petrobras afirma que o TST "declarou inconstitucional a incorporação dos trabalhadores da fábrica da Araucária Nitrogenados S.A (ANSA) aos quadros da Petrobras, uma vez que são empregados não concursados. Essa é principal pauta que motiva o atual movimento grevista liderado pela FUP".

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Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do informado no 3º parágrafo desta matéria, FUP é a Federação Única dos Petroleiros, e não Federação Única dos Trabalhadores. A informação já foi corrigida.

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