PUBLICIDADE
IPCA
0,86 Out.2020
Topo

País ainda não sentiu "coice externo" do coronavírus, diz Guedes

20/04/2020 20h06

Por Gabriel Ponte

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Economia, Paulo Guedes, afirmou nesta segunda-feira que a corrente de comércio do país com o exterior ainda não sofreu o impacto da crise do coronavírus e que os "sinais vitais" da economia doméstica estão por ora preservados.

"Até o momento (o efeito sobre a corrente de comércio) foi zero. É verdade que perdemos em turismo, é verdade que perdemos em industrializados, mas a gente ganhou em exportações de agronegócio. Tem mineração, tem vários setores que estão expandindo as exportações", destacou o ministro.

Em videoconferência promovida pelo BTG Pactual, o titular da pasta econômica ressaltou que o país não sentiu, ainda, o "coice externo" da pandemia.

De acordo com ele, quedas de bens exportados para grandes parceiros comerciais, como Estados Unidos, Europa e Argentina, têm sido compensadas pelo aumento das exportações para a China.

"Quando começamos a acompanhar a dimensão da crise chinesa, não sabíamos que era uma pandemia. Acompanhamos a coisa como se fosse um problema de saúde chinês, que fosse atingir as cadeias produtivas integradas no mundo, mas que não fosse ter muito efeito sobre o Brasil, o que está se revelando uma hipótese razoável de trabalho", afirmou.

RECUPERAÇÃO DOMÉSTICA

Ao ser questionado sobre fatores que irão auxiliar em uma recuperação mais rápida da economia, o ministro disse "não querer vender sonhos", mas que os esforços devem estar alinhados mirando uma recuperação em "V".

"A tentativa tem que ser essa. Se nós tentarmos duramente, quem sabe a gente não saia em 'U'. Se a gente não fizer isso, não falar em 'V, a gente pode ficar no 'L' mesmo, em uma queda forte do PIB (Produto Interno Bruto) e estagnação mesmo, por muito tempo", afirmou.

O ministro disse que os "sinais vitais" da economia interna ainda estão "preservados", mas em razão das incertezas acerca da velocidade de contágio do vírus no Brasil, o grande questionamento é sobre a economia suportar por mais dois meses (maio e junho) o isolamento social --tendo como hipótese uma previsão de diminuição dos números de casos em julho, com o restabelecimento das atividades.

De acordo com Guedes, as ações do governo têm como objetivo proteger a população mais vulnerável e sustentar o fluxo de caixa das empresas "para dois, três meses difíceis".

"Não sabemos ainda, como disse, a profundidade da crise, mas não sentimos ainda que desorganizou a economia. Nós estamos sentindo que teve um impacto muito forte, mas ainda não é algo que impeça uma recuperação muito rápida, ainda não é isso. Temos que lutar para que isso não aconteça", ponderou.

Ao discorrer sobre a manutenção das cadeias produtivas, Guedes mencionou que o governo tem de usar "a inteligência do setor privado" para auxílio nas medidas tomadas.

REAJUSTES DE SERVIDORES

Sobre o do Projeto de Lei Complementar que concede auxílio da União a Estados e municípios para compensar queda de arrecadação com ICMS e ISS, aprovado na semana passada pela Câmara dos Deputados e encaminhado ao Senado, Guedes afirmou que o governo não pode "cruzar o rio da irresponsabilidade fiscal".

"É uma irresponsabilidade fiscal com a União você assumir um compromisso como algo imprevisível. E se for uma depressão? E se o colapso fosse de 50%, 60%, 80%, 90% das receitas? E se degenerasse para um colapso total de pagamentos?", questionou o ministro.

Contra a proposta aprovada pela Câmara, a equipe econômica apresentou, na semana passada, uma transferência direta de recursos a Estados e municípios de 40 bilhões de reais por três meses.

Guedes, no entanto, afirmou que caso o governo federal, Estados e Municípios se comprometam a não conceder reajustes de salários ao funcionalismo público pelos próximos dois anos, é possível que haja um aumento do tamanho do auxílio.

"Essa é a contrapartida, que eu acho que o Senado compreende, tem a sensibilidade que, de certa forma, nos permite seguir adiante até com um pouco mais de recursos para combater essa luta", disse o ministro.