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Paraná estima produzir vacina russa no 2º semestre de 2021, mas diz que Brasil pode importar antes

12/08/2020 17h23

Por Pedro Fonseca e Anthony Boadle

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA (Reuters) - O Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar) estima iniciar a produção da vacina contra a Covid-19 desenvolvida pela Rússia no segundo semestre de 2021, após assinatura de um memorando de entendimento entre as partes nesta quarta-feira, mas doses do imunizante podem ser importadas antes disso caso seja aprovado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), disse o diretor-presidente do instituto, Jorge Callado.

O memorando de entendimento entre o governo paranaense e representantes do governo russo foi assinado por meio de videoconferência nesta quarta, um dia depois de a vacina ganhar as manchetes por ter sido aprovada pelas autoridades russas como a primeira do mundo para aplicação contra a Covid-19.

Callado afirmou, em entrevista coletiva virtual, que o Paraná agora formará uma força-tarefa para receber os dados dos testes inicias de Fases 1 e 2 da vacina na Rússia, e que aguardará esses dados e informações adicionais sobre a Fase 3, que estaria em andamento atualmente no país, antes de dar os próximos passos.

"A produção no Brasil, de uma forma muito conservadora, de uma forma muito prudente, no segundo semestre de 2021. Agora, claro, isso não impede que o governo brasileiro faça importações diretas dessa vacina, pode acontecer antes da própria produção do Brasil. A vacina pode chegar antes se aprovada e registrada no Brasil", afirmou.

Ele acrescentou que o Paraná também participará de testes da Fase 3 da vacina russa, desde que sejam aprovados pela Anvisa. Nenhum pedido foi enviado à agência até o momento, acrescentou, uma vez que as tratativas ainda estão na fase inicial.

A vacina russa foi aprovada menos de dois meses após o início dos testes em humanos, o que levou pesquisadores a questionarem se a Rússia não está colocando o prestígio nacional à frente da ciência.

O diretor do Tecpar ressaltou que a parceria não envolve por enquanto nenhum investimento financeiro, uma vez que o momento agora é de análise de dados técnicos e científicos que serão encaminhados pelos russos aos pesquisadores do instituto paranaense.

Caso a parceria avance e o Tecpar se interesse por produzir a vacina, o investimento necessário —estimado inicialmente em 80 milhões de reais— será feito por parceiros internacionais e também existe a possibilidade de apoio do governo federal, segundo o diretor do instituto.

Ele acrescentou que ainda não está definido o modelo de eventual transferência de tecnologia, mas adiantou que inicialmente o Tecpar pode receber o insumo farmacêutico ativo (IVA) importado da Rússia para finalizar as doses localmente, e depois buscar formas de produzir localmente o IFA.

O embaixador russo no Brasil, Sergey Akopov, falando de Brasília durante a videoconferência em que foi assinado o memorando de entendimento com o governador Ratinho Junior (PSD), disse que o objetivo da parceira é "ajudar um ao outro no desenvolvimento, testagem e eventualmente produção da vacina".

A embaixada russa também manteve conversas, no mês passado, sobre uma possível parceria com autoridades da Bahia.

O Fundo Direto de Investimento Russo (RDIF), que assinou o acordo com o Tecpar, disse em comunicado divulgado em Moscou que a meta da parceira é "organizar a produção da vacina Sputnik V e sua distribuição no Brasil e em outros países da América Latina".

O RDIF acrescentou que o instituto russo Gamaleya, responsável pelo desenvolvimento da vacina, estará pronto "em um futuro próximo" para compartilhar os resultados dos ensaios clínicos da vacina e os protocolos tecnológicos de sua produção com o Tecpar.

OUTRAS VACINAS

A expectativa por uma vacina é enorme no Brasil, o segundo país do mundo mais afetado pela pandemia —atrás apenas dos Estados Unidos—, com mais de 3,1 milhões de casos e 104.201 mortes confirmadas pela Covid-19 até o momento.

Atualmente, três vacinas estão passando por testes da Fase 3 no país aprovados pela Anvisa: a candidata do laboratório britânico AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford; a desenvolvida pela empresa chinesa Sinovac Biotech em parceria com o Instituto Butantan; e a possível vacina da parceria Pfizer e BioNTech.

Outra empresa chinesa, a Sinopharm, também poderá realizar testes de sua candidata a vacina no Brasil, após assinatura de um acordo com o governo do Paraná no final do mês passado.

O governo federal já firmou acordo com a AstraZeneca para compra de até 100 milhões de doses da vacina da empresa, enquanto o governo de São Paulo participa do desenvolvimento da possível vacina da Sinovac. Em ambos os casos, a expectativa é por início da vacinação no começo do ano que vem.