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Dólar reduz queda contra real com ajustes após pressão com vitória de Biden e vacina

09/11/2020 09h18

Por Luana Maria Benedito

SÃO PAULO (Reuters) - O dólar reduzia suas perdas conta o real nesta segunda-feira, com os investidores ajustando suas posições depois que a moeda chegou perto de 5,22 reais no primeiro dia de negociações desde que o democrata Joe Biden venceu as eleições presidenciais norte-americanas, em meio também a notícias promissoras sobre a vacina experimental contra a Covid-19 da Pfizer.

Às 14:27, o dólar recuava 0,43%, a 5,3666 reais na venda. Na mínima do dia, a divisa norte-americana havia despencado 3,07%, a 5,2240 reais, seu menor patamar intradiário desde 16 de setembro.

Na B3, o principal contrato de dólar futuro rondava a estabilidade, a 5,374 reais.

Segundo Reginaldo Galhardo, gerente de câmbio da Treviso Corretora, "o mercado em euforia em relação (à vitória de) Biden acabou derrubando o dólar, e, no patamar próximo a 5,20 reais, acabaram por aparecer muitos compradores."

Ele acrescentou que é natural que haja movimentos de ajuste diante de uma perda tão acentuada na divisa norte-americana, com os agentes do mercado "tentando procurar um meio termo e recompor algum exagero nessa queda".

O comportamento do dólar no mercado interbancário brasileiro visto mais cedo, nas mínimas do dia, estava em linha com uma busca mundial por risco depois que Biden superou no sábado o patamar de 270 votos no Colégio Eleitoral necessário para vencer a presidência.

Mesmo com ameaças do atual presidente, Donald Trump, de que buscará medidas legais para minar os resultados eleitorais sob alegações não comprovadas de fraude, os mercados internacionais pareciam otimistas, principalmente em meio à expectativa de que a gestão de Biden poderá gerar mais gastos na maior economia do mundo, além de abrandar sua retórica comercial.

Paloma Brum, economista da Toro Investimentos, disse à Reuters que, diante de um cenário de clara vitória de Biden, existe a possibilidade de aprovação mais rápida de novas medidas de auxílio emergencial, embora as chances de um Senado de maioria republicana possam representar um obstáculo à agenda da próxima administração norte-americana.

"Um cenário mais propenso a aumento de gastos geraria forte desvalorização do dólar por aumento de oferta da moeda nos Estados Unidos", explicou.

Embora o índice do dólar contra uma cesta de pares fortes apresentasse alta de cerca de 0,7%, a divisa norte-americana tinha amplas perdas contra algumas das principais moedas arriscadas, como peso mexicano, lira turca e rand sul-africano.

Enquanto isso, impulsionando o sentimento internacional, a Pfizer disse nesta segunda-feira que sua vacina experimental contra a Covid-19 mostrou ser 90% eficaz na prevenção da doença com base em dados iniciais de um estudo amplo.

"Se existe a possibilidade de resolver a pandemia de forma mais rápida, isso fornece uma perspectiva melhor para ativos de risco", disse Brum,.

No Brasil, a pauta fiscal continuava no radar dos investidores, em meio a temores de que o governo possa furar seu teto de gastos ao tentar conciliar um Orçamento apertado para o ano que vem ao financiamento de um novo programa de assistência social.

O vice-presidente do país, Hamilton Mourão, afirmou nesta segunda-feira que tudo indica que o Congresso não vai votar o Orçamento de 2021 ainda este ano e isso poderá afetar o rating do Brasil nas agências de classificação de risco.

Na última sessão, na sexta-feira, o dólar fechou em queda de 2,80%, a 5,39 reais na venda, seu menor patamar para fechamento desde 18 de setembro.