PUBLICIDADE
IPCA
1,35% Dez.2020
Topo

Vacina ainda não é garantia para mercado emergentes

25/11/2020 14h20

Por Tom Arnold

LONDRES (Reuters) - Os mercados emergentes têm avançado com a perspectiva de que vacinas para o coronavírus estarão amplamente disponíveis em breve, mas analistas acreditam que o rali é exagerado devido aos riscos de implementações mais lentas para algumas economias, o que pode atrasar suas recuperações.

Várias vacinas estão agora perto da conclusão, incluindo pelo menos duas produzidas nos mercados emergentes da Rússia e China, mas as restrições orçamentárias no pagamento por elas e os desafios de armazenamento e distribuição obscurecem as perspectivas para muitas economias.

Brasil, México, Indonésia, Índia e Rússia estão entre os primeiros a receber impulso com a chegada das vacinas, mas, na maioria dos mercados emergentes, a demanda pode superar a oferta, dizem analistas.

A dor de cabeça logística do transporte de suprimentos para algumas das partes mais rurais de grandes economias como a Índia e os países mais pobres também pode representar obstáculos.

"Eu realmente acho que o 'rali de alívio' da vacina para mercados emergentes é exagerado e é mais baseado no sentimento do que na realidade", disse Beth Morrissey, sócia-gerente da Kleiman International Consultants, com foco em mercados emergentes.

"Embora eu acredite que uma série de vacinas possíveis será aprovada para uso global dentro de alguns meses, os desafios logísticos parecem ainda mais difíceis do que a produção de vacinas para impedir a propagação."

Os mercados emergentes enfrentaram dificuldades no início da pandemia, em fevereiro e março, mas os investidores recuperaram alguma confiança. Os fluxos para dívidas de países emergentes atingiram seu quarto maior nível em uma única semana na semana até 18 de novembro. O índice da MSCI para ações e moedas emergentes estão perto de máximas em 34 e 30 meses, respectivamente.

Mas os mercados podem não ter considerado totalmente os problemas que alguns países enfrentam para vacinar as populações.

"Claramente, se as economias emergentes não conseguirem fazer com que a maioria da população receba vacinas, o impacto sobre os gastos do consumidor devido à necessidade contínua de lockdowns parciais e atividades de viagens moderadas será mais severo do que o precificado até agora", disse Tatjana Puhan, da gestora de ativos Tobam.

Os mercados emergentes precisam de mais boas notícias sobre as vacinas nos próximos meses, especialmente antes do inverno no hemisfério sul, disse Simon Quijano-Evans, economista-chefe da Gemcorp Capital. Para que o mundo todo alcance imunidade de rebanho, ainda há um déficit de pelo menos 1,6 bilhão de vacinas em 2021, disse ele.