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Mais de 100 navios sofrem para embarcar grãos por greve na Argentina

21/12/2020 12h27

Por Hugh Bronstein e Maximilian Heath

BUENOS AIRES (Reuters) - Mais de cem navios cargueiros estão enfrentando atrasos para carregar produtos agrícolas na Argentina nesta segunda-feira, quando uma greve de inspetores de grãos e trabalhadores do setor de oleaginosas avançou para sua segunda semana, paralisando as exportações do país.

A Argentina é o maior exportador de farelo de soja. As negociações entre trabalhadores e empresas de exportação sobre questões salariais foram interrompidas, com os dois lados acusando o outro de intransigência.

"A greve continua sem qualquer expectativa de que as negociações sejam reiniciadas no curto prazo. Temos mais de 100 navios esperando para serem carregados", disse à Reuters Gustavo Idigoras, chefe da câmara de empresas exportadoras CIARA-CEC da Argentina.

A greve começou em 9 de dezembro com chamado da federação argentina dos trabalhadores da indústria de oleaginosas e participação do sindicato Urgara, que representa os inspetores de grãos do porto, e SOEA, dos trabalhadores em esmagadores de soja, com sede no principal polo de grãos da Argentina, Rosário, que embarca cerca de 80% da exportações agrícolas da Argentina.

"Há uma grande participação de nossos membros na greve e, cada vez que as empresas se manifestam, isso gera mais raiva e muito mais apoio da população", disse o porta-voz da Urgara, Juan Carlos Peralta.

A Urgara negocia com a Câmara de Portos Comerciais Privados, ou CPPC, enquanto a federação e a SOEA negociam com o CIARA. Peralta disse que a Urgara fechou acordos individuais com algumas empresas exportadoras, mas que permanecem diferenças gritantes nas posições de negociação e que um acordo abrangente está longe.

Com a soja e milho, as duas principais safras comerciais da Argentina, atualmente em fase de plantio, dezembro não é o pico das exportações.

Os agricultores têm mantido todos os estoques que podem este ano, esperando uma desvalorização maior do peso frente ao dólar antes de vender. A moeda enfraqueceu 27,9% este ano, para 83,15 por dólar.

(Maximilian Heath)