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ENTREVISTA-Eneva mira leilões de energia e desinvestimentos da Petrobras em 2021

23/12/2020 17h14

Por Luciano Costa

SÃO PAULO (Reuters) - A Eneva pretende disputar leilões que o governo brasileiro realizará em 2021 para a contratação de novas usinas de geração de energia, ao mesmo tempo em que acompanhará de perto desinvestimentos da Petrobras, de olho principalmente em oportunidades que envolvam ativos de gás.

A elétrica, que espera efeito positivo nos resultados no próximo ano com o início das operações no segundo semestre do rentável projeto termelétrico de Jaguatirica, na região Norte, ainda seguirá de olho em eventuais negócios em renováveis, principalmente em hidrelétricas, disse à Reuters o diretor financeiro, Marcelo Habibe.

A Eneva, que atua na exploração de gás e geração térmica com gás e carvão, chegou a protagonizar ao longo do ano propostas de até 8 bilhões de reais pela incorporação da AES Tietê, unidade da norte-americana AES no Brasil que tem usinas eólicas, solares e hídricas, mas não houve acordo.

"Acho que esse racional, a lógica, existe sim. Como falamos naquela época, uma complementação com renováveis, em especial hídricas, é bastante interessante... são fontes complementares. Está sempre no radar, até por dever de ofício, avaliar todas oportunidades", disse o diretor, ao ser questionado sobre se a empresa mantém o apetite por ativos renováveis.

Em paralelo, a companhia começa a se preparar para disputar leilões de energia em 2021, após o governo brasileiro ter decidido adiar licitações para novos projetos de geração deste ano em meio às incertezas geradas pela crise do coronavírus.

Estão no radar da empresa principalmente os chamados leilões A-5 e A-6, já programados para setembro, que contratarão novas usinas para entrega em 2026 e 2027.

"Seria com um projeto na casa de 600 megawatts (em capacidade), estamos avaliando, são conversas embrionárias. Hoje não temos nada, o que temos são boas ideias e parceiros interessantes com quem estaremos conversando", afirmou Habibe.

Ele explicou que a ideia é fechar parceria ou adquirir projeto de um desenvolvedor e utilizar gás de terceiros nesse empreendimento.

O executivo também disse que a empresa pode eventualmente disputar um pregão para atendimento de sistemas isolados no Norte do país, o que depende de estudos sobre a atratividade do negócio.

No médio prazo, a companhia buscará explorar suas áreas de gás, incluindo sete blocos adquiridos neste mês no chamado leilão de oferta permanente da ANP, onde arrematou ativos nas bacias do Amazonas, Solimões e do Paraná.

O plano da companhia é replicar o modelo de negócios utilizado na Bacia do Parnaíba, onde a companhia produz gás e abastece um parque próprio de termelétricas.

AMAZONAS

Apenas no campo de Juruá, a 725 quilômetros de Manaus (AM), já há dados que apontam para volume "in place" de gás não-associado de 25,9 bilhões de metros cúbicos. Esse montante é próximo das reservas da empresa no Parnaíba, onde estão as usinas operacionais do grupo, apontou Habibe.

"Dá quase para criar uma nova Eneva, fazendo uma conta com pouco refinamento, só para ter uma ideia da ordem de grandeza."

A companhia pretende iniciar trabalhos de exploração em blocos na bacia do Amazonas em meados de 2021. Atividades mais intensas na maior parte dos demais ativos estão previstas para mais adiante, provavelmente 2023 e 2024, enquanto o bloco de Juruá, na Bacia do Solimões, deve ser aproveitado "no longo prazo".

OLHO NA PETROBRAS

A Eneva ainda está de olho no programa de desinvestimentos da Petrobras, que tem buscado focar sua atuação na produção de petróleo em águas profundas e ultra-profundas.

Segundo Habibe, a empresa tem acompanhado os movimentos da petroleira, mas viu uma movimentação maior por enquanto em negócios envolvendo petróleo, enquanto seu foco é no gás.

"Acabou não fazendo sentido no nosso plano de negócios, mas a partir do momento em que ela começar a colocar à venda ativos que têm maior encaixe em nosso plano, a gente olha. Principalmente o gás, certamente vamos avaliar", disse.

Entre esses ativos estariam campos de exploração de gás e termelétricas, por exemplo.

Os planos de expansão da Eneva também envolvem projetos já em desenvolvimento, como a térmica Jaguatirica, que deve iniciar operações por volta de setembro de 2021.

Habibe disse que a conclusão dessa usina ajudará no balanço da companhia, uma vez que o empreendimento com 140 megawatts em capacidade vendeu a produção por preço de referência de 798,17 reais por megawatt-hora (MWh), em um leilão realizado pelo governo em maio de 2019 para suprir Roraima.

O mais recente grande leilão de energia do governo, em outubro de 2019, teve preço médio de 176 reais/MWh.

"Como é um projeto muito rentável, um trimestre 'rodando' Jaguatirica é um impacto bastante positivo nos resultados da Eneva para 2021", afirmou o diretor.

Ele também comentou que a elétrica pretende se posicionar para ser um "grande player" no setor de gás, aproveitando planos do governo de abrir o mercado do insumo. Os planos incluem a perspectiva de fornecimento de gás para clientes industriais.

(Por Luciano Costa)