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Pazuello diz que vacinação no Amazonas será acelerada e para todos os maiores de 50 anos

11/02/2021 18h02

Por Maria Carolina Marcello

BRASÍLIA (Reuters) - O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira que haverá uma aceleração do processo de vacinação no Amazonas, Estado duramente atingido pela Covid-19, e acrescentou que a intenção é imunizar a população acima de 50 anos.

Na mira de um pedido de instalação de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) no Senado sobre a gestão da saúde do governo federal na pandemia e alvo de investigações, o ministro participou de sessão de debates na Casa nesta quinta-feira, ocasião em que apresentou datas de reuniões e dados para argumentar que tem agido proativamente na condução da pasta. Também alegou não ter tido informação para agir antecipadamente no caso da crise de desabastecimento de oxigênio nos hospitais do Amazonas.

"Nós vamos vacinar todos acima de 50 anos na primeira pernada, acelerando, sem tirar dos Estados", disse Pazuello.

"É apenas acelerar aqui e devolver na segunda pernada. E esse é o desenho que está se desenvolvendo há duas semanas. E eu posso afiançar aos senhores."

Para o resto do país, de acordo com o ministro, a ideia é imunizar toda a população brasileira vacinável neste ano, metade no primeiro semestre e a outra no segundo semestre.

"Nós vamos vacinar o país em 2021, 50% da população vacinável até junho; 50%, até dezembro. Esse é o nosso desafio e é o que nós estamos buscando e vamos fazer", disse o ministro.

Segundo ele, a pasta mantém as negociações para a compra de mais vacinas contra a Covid-19 de laboratórios estrangeiros, mas afirmou que a saída é a produção de doses no país e garantiu que o Instituto Butantan e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) já iniciaram seus processos de produção.

"Quando nós produzirmos no Brasil, na União Química ou onde for a produção, nós teremos também uma terceira oportunidade de vacinas em grande quantidade. Vindo de fora, nós temos que compreender que os números não são suficientes para atender o país", argumentou.

"Não que a gente não vá comprar, vamos comprar todas, mas os números são 10 milhões, 8 milhões, 3 milhões, 4 milhões, e uma hora nós vamos ter muita vacina diferente e muita dificuldade de coordenar as ações em nosso país."

VARIANTE DE MANAUS E CPI

Sobre a nova variante verificada em Manaus, o ministro explicou que ela já se encontra por todo o país, o que não quer dizer que ela se torne dominante porque a disseminação da cepa depende de fatores locais.

"Comprovamos na nossa Amazônia, lá em Manaus, uma nova variante do vírus que se espalha pelo país, uma variante mais contagiosa. Graças a Deus tivemos a notícia clara da análise que as vacinas têm resultado com essa variante ainda. Era um trabalho que nós estávamos esperando chegar da análise do material colhido. Mas ela é mais contagiosa, na nossa análise três vezes mais contagiosa, os números triplicam em termos de contágio", afirmou.

Em análise pelo presidente do Senado, Rodrigo Pacheco (DEM-MG), a CPI ainda não foi criada. O senador afirmou, na última semana, que avaliaria a existência de fato que justifique a instalação da comissão e também levaria em conta as falas do ministro da audiência desta quinta.

O ministro argumentou que as curvas de contaminações e óbitos no Amazonas demonstravam estabilidade no segundo semestre do último ano. E que teve conhecimento com clareza da dificuldade logística com o oxigênio no dia 10 de janeiro.

"Então, peço que fiquem atentos às datas para que entendam tudo o que foi feito, a proatividade que foi feita e como nós conseguimos reverter inicialmente as tendências", disse o ministro a senadores.

"Hoje nós temos tendências de queda, graças a Deus, e vamos completar essa missão com uma vacinação forte, que é o nosso objetivo, e a aceleração da vacinação no Amazonas. E vou mostrar isso aos senhores, na sequência. Mas, quando falar de Manaus, do Amazonas, lembrem-se: é o meu Estado também, é a minha família, é a minha casa. Então, dividimos essa preocupação."

O líder da Rede no Senado, Randolfe Rodrigues (AP), responsável pelo protocolo do pedido de CPI na Casa, afirmou em seu perfil no Twitter que "a fala do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, aqui no Senado, não convence".

"O país ainda precisa de muitas respostas e soluções. A CPI da Covifd-19 continua sendo INDISPENSÁVEL! #CPIJA", defendeu o senador, na rede social.

Sem entrar em detalhes, o ministro alertou que a discussão sobre as ações de enfrentamento à pandemia devem se ater às questões técnicas, e não políticas. Também fez questão de destacar que o ministério tem boa relação com o Butantan.

"Nós temos uma guerra contra a Covid, a guerra é contra a Covid. Ela é técnica, de saúde; ela é técnica, ela não é política! Se abrirmos a segunda frente política, vai apertar."

O ministro se comprometeu, ainda, a levar ao Ministério da Economia sugestão de senador sobre um programa de regularização tributária para o setor hospitalar, uma espécie de Refis.

Pazuello manteve a tendência de mudança de tom de declarações anteriores e disse que ao recomendar um tratamento precoce, referia-se a atendimento médico hospitalar imediato, no lugar de esperar a piora de sintomas, como a falta de ar.

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